Luanda - O presidente do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) admitiu hoje à agência Lusa que os profissionais em Angola estão a "recuperar" informações das redes sociais para as publicar como notícias "sem o devido cuidado" na confirmação dos dados.

Fonte: Lusa


Teixeira Cândido, que comentava à Lusa a problemática das "fake news" no país, salientou ser esse "um dos maiores pecados" que tem estado a observar no panorama da comunicação social em Angola, que pode vir a desacreditar a imprensa local.

 

"Um dos maiores problemas que tem sido destacado tem a ver com o facto de muitos de nós, profissionais, jornalistas em particular, recuperarem matérias ou informações que são postas a circular nas redes sociais e depois torná-las públicas sem o devido cuidado, sem a devida confirmação, muito menos o contraditório. Este é um dos maiores pecados que temos estado a observar na comunicação social [angolana]", disse.

 

Segundo Teixeira Cândido, em Angola há "o equívoco de se entender as redes sociais como jornalismo".

 

"As informações que circulam nas redes sociais não são jornalismo. O jornalismo tem princípios próprios. Uma notícia é uma notícia, nunca é falsa. Uma notícia é uma notícia porque ela ocorreu. Agora, claro está que uma notícia pode ser muito melhor tratada ou muito pior tratada", explicou.

 

"Se eu tenho uma informação comigo, ainda que essa informação seja dada por uma fonte supostamente credível, na realidade, nada me impede de fazer o contraditório, nada me impede de confirmar. E é exatamente isso que nós vemos como uma notícia devidamente tratada", acrescentou.

 

Para o sindicalista, os profissionais de comunicação social angolanos correm o risco de surgirem "descredibilizados".

 

"Entendo que as 'fake news' têm duas perspetivas: por um lado, sim, este é um risco que corremos, fundamentalmente na imprensa escrita, nos jornais dos títulos privados, esses sim, porque as empresas públicas são muito mais cautelosas nessa matéria", referiu Teixeira Cândido.

 

"A outra questão que se coloca é que as 'fake news' têm estado aqui a desempenhar aquilo que os ingleses chamam 'watchdog'. Ou seja, aqui, as 'fake news' têm estado a desempenhar aquele papel de 'watchdog under watch'", acrescentou.

 

Para o presidente do sindicato dos jornalistas angolano, o papel das 'fake news' deixa, às vezes, na dúvida, uma vez que há informações nas redes sociais que não são falsas.

 

"Podem ser informações que resultem depois em grandes notícias na imprensa convencional, por um lado", adiantou, admitindo, porém, que tudo deve passar pela ética profissional, confirmando-se os dados junto das fontes.

 

Por outro lado, acrescentou, fenómeno curioso em Angola é o facto de muitas das informações que deveriam dar aos jornalistas em primeira mão são publicadas pelas fontes nas redes sociais, deixando, depois, o papel de investigação ao jornalista.

 

"Mas as redes sociais têm desempenhado aqui este papel de suscitar que os jornalistas não fiquem confortados, de suscitar que os jornalistas não pratiquem a autocensura. Por outro lado, têm estado a obrigar as instituições estatais a ter de prestar mais informações em relação ao que fazem", sublinhou, como dado positivo.

 



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