Lisboa  - O governante português que tem a tutela a comunicação social, Miguel Relvas, apontou-o uma vez, num acto da Assembleia da República, como um exemplar correspondente externo da RTP. Reconheceu-lhe atributos como o de ser “apreciado pela elite angolana” (vulgo classe política dirigente). Pode ser. Mas não é, de certeza, apreciado noutros sectores da sociedade angolana. Conforme se viu em 25.Set, por ocasião da última manifestação de protesto contra o regime do MPLA. Foi, então, apupado pelos manifestantes, que assim reagiram não apenas contra o jornalista, porventura devido à impressão menos boa que há dele, mas sobretudo face a atitudes do mesmo, in loco, entendidas como produto de “conivência” com as autoridades.


Fonte: AM


A sua reportagem sobre a manifestação, que a RTP emitiu, desagradou depois a jornalistas angolanos que acompanharam o acontecimento; viram nela “habilidades” aparentemente destinadas a ocultar umas coisas e a evidenciar outras – tudo no suposto interesse do regime.

 

A atitude hostil dos manifestantes de 25.Set contra o correspondente da RTP e, depois, as reservas que a sua reportagem mereceu entre os jornalistas angolanos – nada disso terá sido estranho a “antecedentes” como o seu trabalho relativamente a uma manifestação anterior, 03.Set (AM 592), no qual foi notada a intenção de “dourar a pílula” no que toca à verdadeira origem (a Segurança) e à acção de “agentes provocadores” desenvolvida nos actos de protesto por indivíduos apresentados simplesmente como “trajando à civil”.

 


Há c 3 meses foi publicamente conhecida uma carta que no essencial e com recurso a termos ásperos, punha em causa aspectos da conduta profissional do correspondente da RTP – inclusive no plano das suas responsabilidades editoriais. A carta era apócrifa (de um leitor identificado, conforme fórmula usada), mas a soma de pormenores, comprometedores para o correspondente, sobre o funcionamento interno da delegação da RTP em Luanda, deu lugar à conclusão de que só poderia “ter partido lá de dentro”.

 

A reputação que o correspondente foi adquirindo em meios que não o das elites – prestável ao regime, distante em relação à oposição – também ajuda a explicar, como elemento predisponente, o episódio das vaias dos manifestantes e as reservas dos jornalistas angolanos.

 

Antigo jornalista de desporto da RTP, aparentemente pouco conhecedor das realidades de Angola e sem a sensibilidade indispensável para as interpretar, o seu trabalho, como é dito na aludida carta, baseia-se em assuntos de “fraco interesse jornalístico”, não transmitindo por isso, como também é dito, uma ideia do que conta no país e interessa a quem o observa de fora.

 

De resto, em 02.Out, num programa da TPA dedicado ao tema da conduta da Polícia nas manifestações de protesto, para o qual foi convidado, a pretexto de ter sido um dos jornalistas presentes na manifestação de 25.Set, a sua prestação deve ter contribuído para piorar a sua reputação – ainda que a sua condição de estrangeiro o obrigue a deveres de contenção em actos e palavras. Os jornalistas angolanos convidados para o programa bateram em ousadia e pertinência as perguntas que o correspondente da RTP fez ao ministro do Interior, Sebastião Martins, também presente – uma das quais sobre o seguro automóvel.



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