Luanda -  A técnica, ou melhor, o truque é tão velho como a política: acusar os adversários daquilo que corresponde à nossa estratégia e que não podemos verbalizar.


Fonte: SA


É o que fazem certos partidos da oposição, quando têm o desplante de afirmar que o MPLA está, supostamente, interessado no adiamento do próximo pleito. Os factos demonstram o contrário. Começo por fazer quatro perguntas prévias. São elas:


1. Quem tem usado sistematicamente a estratégia da cadeira vazia, no parlamento, quando se discutem as leis que deverão regular as eleições?


2. Quem tem levantado suspeições infundadas acerca da lisura das eleições, quando as mesmas ainda nem sequer tiveram lugar (estratégia da «fraude por antecipação»)?

 

3.Quem tem apresentado reivindicações não previstas na lei (por exemplo, fazer tábua rasa do princípio democrático da proporcionalidade), uma após outra, o que só não tem provocado o bloqueio do processo, devido à flexibilidade do MPLA? 4. Quem tem chantageado o partido no poder, ameaçando organizar manifestações de rua se o MPLA não ceder a tais reivindicações?

 

A opinião pública conhece as respostas. De facto, um provável adiamento das eleições gerais de 2012 apenas interessa à oposição radical, cuja principal face é a UNITA. Parece claro, portanto, que ela não está suficientemente preparada para a disputa.

 

Isso é confirmado, por exemplo, pelo facto de a oposição não demonstrar o menor interesse em começar já, como seria normal, a sua pré-campanha. A não ser que esteja a fazê-lo debaixo dos panos ou na calada da noite, como se ainda estivesse em guerra ou na clandestinidade, pois as suas movimentações nesse sentido não são visíveis.

 

Um episódio recente é definitivamente esclarecedor: a alegada «distracção» da oposição em relação ao concurso curricular para escolher o presidente da Comissão Nacional Eleitoral Independente (CNEI), realizado por altura do Natal. A pergunta é simples: afinal
a oposição dorme no Natal?

 

A estratégia da oposição radical, pelo menos até agora, tem-se resumido a um discurso meramente criticista, virulento e chantagista, que leva qualquer observador isento a concluir que a mesma está mais interessada, se não no bloqueio do próprio processo eleitoral, pelo menos em tumultuá-lo e, no limite, tentar descredibilizar os seus resultados, impedindo ou dificultando a existência de condições de governabilidade plena.

 

Pelo contrário, o MPLA tem demonstrado que tem todo o interesse nas eleições. Um exemplo basta para atestá-lo: a campanha interna que tem feito junto dos seus cinco milhões de membros para todos actualizarem o seu registo eleitoral. Num universo de nove milhões de eleitores, isso é meio passo para a vitória. ■



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