Luanda  - As eleições previstas  para 2012 ainda não foram convocadas, pois a sua convocatória obedece a preceitos legais, até mesmo constitucionais. Daí que, formalmente, não se possa duvidar da sua realização. Porém, uma coisa é a lei, outra coisa é o respeito por ela, já que, ainda muito recentemente, assistimos a um verdadeiro torcimento na interpretação da lei, e precisamente por parte de quem mais a devia respeitar e fazer respeitar.


Fonte: SA


ImageEstou a falar no modo como foi escolhida a Dr.ª Suzana Inglês para presidir a CNE. Por isso, faz hoje todo o sentido haver quem ponha em dúvida a possibilidade real de as eleições se virem a realizar no prazo expectável.


Eu quero acreditar que as eleições de 2012 se realizarão mesmo em 2012, e não numa outra altura qualquer, pois o seu adiamento teria  repercussões políticas, sociais, e até mesmo económicas. Teria, igualmente, algum impacto internacional.


Lançaria, em definitivo, o descrédito sobre as nossas autoridades públicas e, muito em  especial, sobre o Chefe de Estado. Fruto da nossa história recente, caracterizada pela falta de mérito no cumprimento da palavra dada por algumas pessoas, seria eu um ingénuo se hipotecasse a minha cabeça em troca da palavra desses outros.


Assim, de modo algum ponho de parte a hipótese de termos eleições quando menos se espera, e pelas seguintes razões:


1) O MPLA vive um período de certa indecisão quanto ao futuro político do seu Presidente;

2) Na circunstância de haver uma substituição do actual líder, o futuro líder poderá não ter tempo, até Setembro, para se dar a conhecer e, sobretudo, para se afirmar perante os seus pares, muito em especial, perante o eleitorado;


 3) Não coloco também de parte a eventualidade de o MPLA vir a passar por um período de alguma turbulência interna, uma turbulência que não tem necessariamente que ser vista como ajustes de contas entre fracções;


 4) Mesmo que JES prossiga por mais algum tempo à frente do MPLA e do Estado, o seu poder passou a ficar enfraquecido, a partir do momento em que ele colocou, publicamente, a hipótese de se retirar, mesmo que a prazo.


Alguma oposição também poderá necessitar de mais tempo para se afirmar, pelo facto de se  estarem a processar movimentações que poderão conduzir ao estabelecimento de alianças eleitorais em torno de um certo candidato. A essas oposições também, certamente, agradaria algum protelamento das eleições.

 

As oposições mais tradicionais e parlamentares não se encontram bem de saúde, fruto de fricções internas que até hoje não conseguiram superar. Logo, um pouquinho de mais tempo também lhes daria algum jeito… Há, porém, um partido que não está neste jogo, dado que o eleitorado que pensa vir a conquistar está, em definitivo, desiludido com o modo como o país tem sido conduzido, e não tem mais ilusões quanto ao eventual desempenho futuro do MPLA, assim como do potencial de transformação, para melhor, das restantes oposições: o Bloco Democrático. Em definitivo, penso que todas as hipóteses estão em aberto. ■



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