Lisboa -  Manuel Vicente tinha planos para se dedicar à vida empresarial privada após a conclusão do seu mandato como PCA da Sonangol, mas José Eduardo dos Santos (JES) persuadiu-o de forma “incisiva” a reconsiderar, porventura já fixado nele como figura que no seu entender reúne melhores condições para o substituir.


Fonte: Africamonitor.net


O episódio descrito como ilustrativo da pressão de JES coincidiu temporalmente com afirmações públicas de Vicente (entrevista ao Novo Jornal, Mar.2011), segundo as quais tinha a intenção de abandonar a Sonangol no termo do segundo mandato, aprazado para outubro seguinte, para enveredar pelos negócios privados.


JES acolheu com desagrado a entrevista, por razões entre as quais se conjectura ter visto mesma uma atitude de “demarcação” de Vicente face ao que seria já a sua “aposta” em promovê-lo como seu futuro substituto; o desagrado deu lugar à “chamada” de Vicente para uma conversa a sós.


O retraimento que Vicente terá denotado sempre (e de forma considerada genuína pelos seus próximos), no que concerne ao seu ingresso na vida política activa e por maioria de razão face a perspectivas como a de vir futuramente a substituir JES, é atribuído a razões como a menor atracção pela política do que pelo mundo dos negócios e o seu vasto património, no país e estrangeiro, ter adquirido já dimensão para se dedicar a ele por inteiro.


 A nomeação de Vicente para o actual cargo governativo constitui uma faceta nova na coexistência entre JES e Vicente. Julga-se que é do balanço recíproco a fazer de tal experiência que dependerá decisivamente a abertura do processo de substituição de JES nos moldes que de momento apresenta: a promoção de Vicente.



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