Luanda - O economista Filomeno Vieira Lopes, espancado sábado em Luanda, à margem da frustrada manifestação antigovernamental, disse hoje à Lusa e à RTP que está preparar uma queixa do sucedido junto de instâncias nacionais e internacionais.


Fonte: Lusa


Secretário-geral do Bloco Democrático, recém-formado partido da oposição, Filomeno Vieira Lopes alega que a agressão de que foi alvo foi instigada pela Polícia Nacional.


Da agressão resultou a fratura do braço esquerdo em três sítios, um golpe profundo na cabeça, que levou dois pontos e equimoses em todo o corpo.

 

"Ainda não apresentei queixa (da agressão). Estamos a preparar a queixa, com todos os cuidados porque poderá ser uma base para as diversas queixas que vamos apresentar", considerou.

 

O governo angolano "foi longe demais", considerou Filomeno Vieira Lopes, garantindo que vai recorrer a todos "os instrumentos nacionais e internacionais do Estado de Direito" para levar a tribunal, disse, "sobretudo os mentores, aqueles que estão por detrás dos desgraçados que são mandados (agredir)".

 

O economista considera que os autores morais do espancamento de que foi alvo são a Polícia Nacional e o Governador Provincial de Luanda, Bento Bento.


"Em Angola ainda não temos, em termos factuais, conquistado o direito de manifestação. Este direito, estou convencido, vai ser conquistado", concluiu.

 

O Bloco Democrático foi o único partido da oposição a fazer-se representar na frustrada manifestação de Luanda, tendo a UNITA, FNLA e Partidos da Oposição Civil, uma coligação de formações partidárias sem representação parlamentar, optado por não corresponder às promessas de que estariam presentes feitas pelos organizadores do protesto.

 

Convocada pelo autodenominado Movimento Revolucionário Estudantil, para exigir o afastamento da presidente da Comissão Nacional Eleitoral e a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos, a manifestação de Luanda visou protestar contra a designação de Suzana Inglês para a presidência da CNE, que desencadeou uma série de iniciativas dos três maiores partidos da oposição com representação parlamentar, UNITA, PRS e FNLA, junto do Conselho Superior da Magistratura Judicial e do Tribunal Supremo, onde interpuseram uma providência cautelar, e que foram liminarmente rejeitadas por estes dois órgãos judiciais.


Os organizadores pretendiam ainda com o protesto exigir a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos, a quem acusam de se manter há 32 anos no poder sem ter sido eleito.



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