Depois de uma reunião de mais de quatro horas com a Comissão Política Permanente, e com o indeferimento do pedido de impugnação às eleições em Luanda pela Comissão Nacional Eleitoral, Isaías Samakuva, que lidera a UNITA há cinco anos, reconheceu que “numa altura em que estão escrutinados cerca de 80% do total dos votos validamente expressos e apesar de tudo que aconteceu a direcção da UNITA aceita o resultado das eleições”.

Por outro lado, Samakuva felicitou os eleitores angolanos “pela elevada participação, civismo e sacrifício demonstrados ao longo desse acto”. O líder do maior partido da oposição aproveitou a ocasião para agradecer, em particular, aos eleitores que votaram na UNITA, “confiando-lhe a representação das suas aspirações na Assembleia Nacional”.

Nas primeiras eleições gerais realizadas no país, a UNITA, então liderada por Jonas Savimbi, conseguiu eleger 70 deputados ao Parlamento. Ainda que provisórios, os resultados do escrutínio indicam que a UNITA, com 10, 38 por cento dos 5.044.451de votos válidos, verá substancialmente reduzido o número de assentos na Assembleia Nacional.

A CNE deve fazer hoje a última divulgação dos resultados gerais provisórios.

* Yara Simão
Fonte: JA

FNLA felicita MPLA por resultados

O presidente da FNLA, Ngola Kabangu, numa declaração sobre o desfecho do processo eleitoral, desejou que o MPLA (partido governista), durante os quatro anos do seu governo, "respeite e dignifique" todas as forças democráticas angolanas e "preserve a independência, soberania e integridade territorial do país".

"Respeitamos os resultados publicados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e comprometemo-nos, através desta declaração e exercendo o nosso direito, a trabalhar em prol da consolidação da paz, democracia, reconciliação e reconstrução nacional", disse.

Kabangu pediu aos angolanos e aos militantes, simpatizantes e amigos da FNLA para que mantenham a serenidade e o empenho no processo de consolidação da paz em todo o espaço nacional.

Críticas

O líder da FNLA, partido histórico angolano, não deixou de fazer referência na sua declaração às "irregularidades registradas durante o processo eleitoral", principalmente no círculo provincial de Luanda, e que foram comunicadas à CNE.

"Como mandam os princípios e as regras democráticas, continuamos a participar plenamente no processo de votação, fato que nos permitiu acompanhá-lo com toda serenidade e responsabilidade", disse.

Para Ngola Kabangu, os resultados divulgados até agora pela CNE, que dão larga vantagem ao MPLA, indicam claramente o vencedor, cuja missão vai ser orientar o governo, em estreita colaboração institucional com o futuro Parlamento.

"Em eleições democráticas, quando são livres e participativas, felicita-se o vencedor", afirmou.

Apuração

Na última atualização dos resultados pela CNE, o MPLA mantém larga margem de distância para o segundo, a UNITA (principal partido de oposição), e a FNLA surge com 1,11%, em quinto lugar, depois do Partido da Renovação Social (PRS), com 3,13%, e da Nova Democracia, nova força política, com 1,19%.

Questionado pela Agência Lusa se, diante deste quadro, a FNLA já analisou que mudanças devem ser introduzidas dentro do partido, Ngola Kabangu afirmou que vai fazer um balanço dos aspectos positivos e negativos, para ver o que é que deverá
ser corrigido.

"O nosso partido tem capacidade interna para balancear a sua participação nas eleições de 2008 e é o que faremos. Para nós é uma boa altura para enfrentar as situações, mesmo as mais adversas", disse.

Fonte: Lusa



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