De acordo com uma leitura pertinente, a estratégia incluiu a simulação de um cenário  de  rupturas/deserções internas na UNITA propagadas nos últimos dias da campanha eleitoral. O propósito, segundo as interpretações, foi apresentar ao eleitor a imagem de uma UNITA “instável” que por seguinte, inabilitada para substituir o Governo gerido pelo MPLA. Um Dirigente do “Galo Negro” em Ambriz, Avelino de Cristina denunciou a Voz da América que parte dos  administradores municipais/comunais pela UNITA estavam, nos dias da campanha, a ser obrigados a renunciar a sua militância em troca da permanência nas funções das estruturas do Estado. Uma corrente de desertores e ex membros da UNITA liderados por Jorge Valentim,  foram constantemente apresentados pelos órgãos de comunicação do Estado com a categoria de “figuras partidária” apelando ao voto ao MPLA. Foi disponibilizado uma equipa para tratar da divulgação do trabalho de Jorge Valentim contra o seu antigo partido. Uma antiga dirigente, Fatima Roque que na década 90, foi expulsa por Jonas Savimbi por alegado contacto com as autoridades angolanas, a margem da direção do partido, apareceu como convidada de honra,  num comício do MPLA.

O quadro exposto na campanha terá sido traçado para ser  explorado na altura da divulgação dos resultados eleitorais para justificar a “derrota escandalosa” dos escrutínios. O objectivo segundo os sinais é promover dois cenários inversos a si cujo os resultados serão propícios para o MPLA na campanha das eleições presidências. 1- Influenciar de forma indirecta, o abandono natural/espontâneo de militantes desiludidos com os resultados eleitorais (da legislativas) rumo ao partido governante. 2 – Intensificar por meios paralelos a recomendação de um analista  próximo ao governo, João Pinto, segundo a qual a UNITA  deveria rever a sua liderança.

O aparente quadro de crise da UNITA será  reforçado com o efeito, que a mesma terá, com a saída dos seus membros no GURN (Administradores, Ministros). Os serviços noticiosos da Radio Eclésia disseram esta semana que Administradores da UNITA em Benguela estavam a ser aliciados para abandonar o seu partido. Dinho Chingunji, Ministro da Hotelaria   renunciou de forma discreta a sua militância para por “em primeiro lugar Angola e não a política”. Alguns subsídios  atestam, ser alto o nível da hipótese de o Ministro Chingunji vir a permanecer no posto. A necessidade de o manterem no Governo é aventada como um indicador a ser mostrado sempre que sectores externos hostis ao Governo acusarem o MPLA de ser um partido que pratica a exclusão de figuras não afectas a si. A Jaka Jamba, figura histórica da UNITA, prevê-se que dentro da mesma estratégia surja o possível cenário: Não exonera-lo “esquecidamente” das funções de Embaixador angolano junto a UNESCO. A permanência nestas funções, criaria - lhe embaraços dentro do seu partido para dar azos a uma alegada colagem ao MPLA.

A UNITA com o quadro acima exposto e acrescido ao  aventado pelos analistas do Governo (revisão da sua liderança) permitiria o eleitorado menos esclarecido a vê-la na condição de uma força  política fragilizada/reduzida propocionando vantagem ao MPLA de ver o seu candidato a concorrer as presidências sem um adversário oportunamente qualificado para corrida eleitoral. Em meio dos comentaristas do Governo, são identificadas sugestões que apontam o nome do general Lukamba “Gato” e de Abel Chivukuvuku para gestão da UNITA. Na fase da campanha eleitoral, o Jornal do Estado angolano teceu linhas aparecidas a intrigas sobre a apagada exploração da figura de Lukamba “Gato” na Campanha do seu partido.

 Alfredo Neto, um “expert” em política africana, olhou para um outro que partilha  a mesma derrota que a UNITA, neste caso o PRD e escreveu que Luis dos Passos seria vitima da sua própria ingenuidade caso  colocasse o seu cargo a disposição. O mesmo olhou para UNITA e concluiu que “por melhor que fosse o programa de Abel Chivukuvuku (Presidenciável partidário)  não mudaria ao que Alfredo chamou de “cabala do regime”. 

Há tendências que evidenciam que a UNITA não levantaria  hipótese de mexer na sua liderança pelas seguintes razões. Quadros mais instruídos asseguram que o partido não vai sofrer alterações na sua liderança e que tudo deveu-se “a manipulações dos serviços de informação do governo angolano”. Existe a consciência de que mudança de liderança equivaleria fragilizar a corrente de adversários que próximo ano enfrenta o líder do MPLA, José  Eduardo dos Santos.

Em fase de campanha em 92, Jonas Savimbi foi confrontado com paginas negras do seu cadastro, com destaque ao dossier Tito Chingunji e casos de violações dos direitos humanos. Dentre os favoritos presidenciáveis da UNITA,  Samakuva é o mais habilitado para  concorrer com José  Eduardo dos Santos sem que a imprensa estatal faça recurso a coisas negativas. (Com Gato poriam em faze de campanha imagens do Lukusse e outros documentos/ informações da guerrilha recolhida antes da morte de Savimbi, com Abel Chivukuvuku refrescariam a mente do povo com os seus  discursos feitos em 1992).

 Em fóruns  internacionais, com realce a círculos de funcionários da União Européia estão surgir subscrições  pela forma que Isaias Samakuva aceitou os resultados eleitorais para preservação da estabilidade em Angola. Ouvintes da BBC apresentaram a figura de  Isaias Samakuva como exemplo para África (ocontinente é negativamente referenciado pela conducta de lideres da oposição que rejeitam resultados que não lhes são favoráveis. Internamente ganhou confiança dos eleitores descartando as atribuições vindas de membros do Governo segundo a qual a UNITA pegaria em armas/paióis para retomar a guerra em caso de derrota.

Fonte: Club-k.net/Angolense



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