Londres -  Informações convergentes apuradas pelo Club-K em Luanda, apontam para a existência de um crescente mal-estar entre os funcionários angolanos que trabalham no Banco Caixa Geral Tota de Angola (BCGTA), que pode evoluir rapidamente para outros níveis de contestação, caso não sejam tomadas as medidas correctivas que se impõem.


Fonte: Club-k.net


Em causa os salários e queixam-se de estar a ser discriminados. Na base desta situação estão as condições de trabalho/salário, tendo em conta a utilização de critérios distintos para remunerar angolanos e portugueses, com uma justificação que poucos conhecem, mas que desde logo são tentados a relacionar com o fantasma da discriminação e mesmo do racismo, uma sombra permanente no relacionamento bilateral.


Há já vozes no Banco mais descontentes com a situação que clamam por intervenção urgente dos accionistas angolanos, pois acham que em nome do próprio Estado de Direito, não devia ser permitido um tal estado de coisas, por ser gravemente lesivo do interesse dos nacionais.

 
O Banco Caixa Geral Tota de Angola (BCGTA) é uma instituição de capitais mistos portugueses e angolanos onde sobressai na liderança a parte portuguesa com 51% repartidos entre a Caixa Geral de Portugal (CGD) com 50% e o Banco Santander com 1%. Do lado angolano e a preencher os restantes 49%, pontuam a Sonangol com 25% e os empresários Jaime Freitas (12%) e António Mosquito (12%).


No que toca aos salários, os angolanos que trabalham neste banco têm-se estado a queixar bastante do tratamento dispensado pela gestão do BCGTA por considerarem que o mesmo é feito tendo por base critérios difíceis de entender, quando olham para os rendimentos que, em idênticas condições, auferem os seus colegas portugueses, onde se incluem os chamados “mwangolês apenas de BI” recrutados em Portugal.


Para além das diferenças salariais que são substanciais, os portugueses beneficiam de um conjunto de condições sociais e outras regalias que os angolanos nem em sonho poderão algum dia conseguir.


Fala-se por exemplo das viagens pagas que acontecem de três em três meses, não nos tendo sido possível confirmar se esta regalia é extensiva a todos os funcionários contratados em Portugal ou se é apenas um privilégio dos directores.


A gota de água que fez transbordar o copo da paciência dos angolanos aconteceu muito recentemente por ocasião da distribuição do bónus com que o Banco reforça anualmente os rendimentos dos seus trabalhadores, uma prática que parece ser comum em instituições financeiras do género.


As discrepâncias na atribuição deste rendimento adicional entre portugueses e angolanos foram tão grandes e tão chocantes que terá havido mesmo da parte de alguns angolanos menos conformados com a sua sorte madrasta, a intenção de fazer de imediato a devolução dos montantes a si atribuídos em sinal de protesto pela manifesta injustiça.


De acordo com as informações em nossa posse ao nível de directores houve por exemplo um de nacionalidade portuguesa que recebeu um bónus de 37 mil dólares, enquanto o seu colega angolano ficou-se pelos 18 mil.


No que toca aos chefes de gabinete, o bónus conheceu o mesmo distanciamento tendo variado de 13 mil dólares para 5.500.


O que deixou ainda mais indignados os angolanos foi saberem que esta distribuição não teve por base nenhuma avaliação de desempenho, de acordo com as nossas fontes.



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