Luanda – Os ex-militares angolanos vão voltar às ruas no próximo dia 31 de agosto, dia marcado para a realização de eleições gerais em Angola, disse o coordenador da comissão que os representa. Segundo o general na reforma Silva Mateus, coordenador da Comissão dos Ex-Militares Angolanos (COEMA), se o Presidente José Eduardo dos Santos continuar sem dar resposta às suas reivindicações, "os militares saem à rua no dia 31 de agosto".


Fonte: Lusa

A coordenação da COEMA reunirá esta sexta-feira, 27, em Luanda, e as conclusões apenas serão divulgadas publicamente na próxima semana, mas uma decisão é já possível antecipar: manifestação no dia das eleições gerais, segundo Silva Mateus.

O coordenador da COEMA salientou que José Eduardo dos Santos ainda não respondeu à carta que lhe foi enviada a 25 de Junho, no dia em que foram inventariados os problemas que afectam ex-militares, veteranos e antigos combatentes, alguns dos quais sem as pensões que consideram ser-lhes devidas.

Nessa carta referia-se que, "tendo em conta a urgência dos assuntos aflorados, e as questões colocadas e outras que porventura não tenham sido aqui colocadas", se solicitava a José Eduardo dos Santos "celeridade" na questão, considerando que um pronunciamento do chefe de Estado contribuiria para impedir "as intenções de manifestações públicas dos militares". Posteriormente foi dado um prazo de 10 dias, que terminou no passado sábado sem resposta da Presidência da República.

Os ex-militares já realizaram duas manifestações, não autorizadas em Luanda. Tanto a primeira, a 07 de Junho, como a segunda, a 20 do mesmo mês, foram confrontadas com um dispositivo policial e militar que inviabilizou a pretensão inicial. A ideia era fazerem-se ouvir na Cidade Alta, zona da capital onde estão sediados ministérios e a Presidência da República.

De concreto, conseguiram que a seguir à manifestação de 07 de Junho alguns dos ex-militares tivessem começado a receber as pensões a que se acham com direito. A 14 de Junho, na conferência de imprensa em que foi anunciada a criação da COEMA, o general Silva Mateus frisou existirem ex-militares que defendem que caso a sua situação não fosse resolvida até 31 de agosto "não haverá eleições".

Os protestos dos ex-militares surgiram na sequência do recente anúncio do pagamento de elevadas reformas a oficiais generais das Forças Armadas de Angola.

Os ex-militares exigem o pagamento dos subsídios a que consideram ter direito e a integração na Caixa de Previdência e Segurança Social do Ministério da Defesa, em vez de continuarem inscritos nos serviços de segurança social dos antigos combatentes ou do regime geral, tutelado pelo Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social.



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