Luanda – O crescimento económico registado em Angola desde 2002, a uma média anual de 17 por cento, foi possível apesar da corrupção, considerou nesta quinta-feira, 26, em Luanda, o economista Alves da Rocha, que falava à imprensa no final da sua participação na II Conferência sobre Transparência e Boa Governação, promovida pela organização não-governamental Associação Justiça, Paz e Desenvolvimento (AJPD), disse que não se pode associar a riqueza produzida à prática da corrupção.


Fonte: Lusa

"Houve crescimento económico apesar de ter havido corrupção, ou seja, apesar de ter sido desviada uma parte importante de verbas públicas para benefício privado e que deixaram de ser introduzidas no circuito económico normal e de que poderiam ter resultado acções sociais mais vigorosas no sentido de combater a pobreza ou melhorar as condições de vida", acentuou.

Lamentando não haver em Angola dados oficiais sobre os dinheiros públicos que fogem dos canais formais e alimentam a corrupção e a economia informal, Alves da Rocha socorreu-se na sua intervenção de números do Banco Mundial, para considerar que entre 5 a 10 por cento do Produto Interno Bruto de Angola, que em 2011 foi de 100 mil milhões de dólares "se perde na corrupção".

Alves da Rocha apresentou na sua intervenção o tema "Corrupção, Crescimento Económico e Desenvolvimento Sustentável em Angola", e acredita que a questão figurará entre os temas centrais da campanha eleitoral para as eleições gerais de 31 de agosto.

"Até agora só tive acesso ao programa de governação do MPLA e ao seu manifesto eleitoral. Da leitura rápida que dei, não me pareceu ver propostas e abordagens incisivas sobre esta matéria", considerou.

"Mas admito que exista, porque o MPLA, como partido de continuidade - o seu programa é nitidamente um programa de continuidade -, não pode deixar de abordar esta matéria, até porque foi o Presidente da República e cabeça de lista que lançou as bases para uma tentativa de combate à corrupção, com uma declaração, já há dois ou três anos, de tolerância zero face à corrupção", admitiu.

Alves da Rocha, que dirige o Centro de Estudos e Investigação Científica, da Universidade católica de Angola, anunciou para Setembro a divulgação de um estudo feito pela instituição acerca dos valores das comissões em obras públicas, que considera serem um dos factores da corrupção no país.

A este respeito, contou que por ocasião de um recente comício organizado há cerca de três semanas pelo MPLA no Estádio 11 de Novembro, a sul de Luanda, as empresas de obras públicas, nacionais e estrangeiras, foram "convidadas" a participar no esforço financeiro da organização do evento.

Sem identificar, Alves da Rocha adiantou que estas empresas "não foram capazes de recusar o convite, sob pena de virem a ser posteriormente afastadas de futuros concursos públicos para adjudicação de obras".

"As que aceitaram vão, naturalmente, refletir em futuros preços de fornecimento de bens e serviços, valores majorados com este tipo de despesas", afiançou.
Sobre as eleições de 31 de agosto, reconheceu que o resultado é como "a morte anunciada", porque já se sabe quem vai ganhar, considerando que o MPLA vai voltar a formar governo.



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