Luanda – A UNITA manifestou, na segunda-feira última, em Luanda, a sua preocupação face à "multiplicação de actos de intimidação", que acusa serem efetuados por "jovens vestidos com as cores e símbolos do partido no poder", o MPLA. A chamada de atenção foi feita pelo porta-voz do partido, Alcides Sakala, em conferência de imprensa que serviu de balanço à primeira fase da campanha eleitoral, iniciada a 31 de Julho, e igualmente sobre as trocas de acusações com a Comissão Nacional Eleitoral (CNE).


Fonte: Lusa

Segundo Alcides Sakala, os actos intimidatórios, que se verificaram nas províncias de Luanda, Benguela e Uíge, têm como propósito "fomentar distúrbios eleitorais". "Pela natureza e pela organização destas acções entendemos que fazem parte de uma estratégia bem definida a que se acresce um discurso, que ainda evoca o passado, conforme as palavras proferidas pelo ministro Kundi Paihama, em Benguela, a que se associa também a movimentação em zonas rurais de pequenos contingentes de forças militares e da Polícia de Intervenção Rápida (PIR)", acusou aquele político.

Alcides Sakala considerou ainda que se trata de uma estratégia que "visa incutir o medo e condicionar o voto". "Entendemos que se deve preparar a transição pós Eduardo dos Santos com um clima de tranquilidade que permita consolidar o processo democrático", referiu.

Instado a comentar acusações contra a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), de actos idênticos na província de Benguela por parte de militantes desta força política contra a coligação CASA-CE, o porta-voz da UNITA disse que elas não chegaram ao conhecimento do partido. "Não nos chegou nada até agora oficialmente, mas o que nós levantamos aqui são experiências que nós vivemos directamente", acrescentou.

No caso de Benguela, os confrontos ocorridos entre militantes da UNITA e do MPLA ocorrerem depois de propaganda dos dois partidos ter sido mutuamente destruída, tendo-se registado incidentes. A Lusa contactou o porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional de Benguela, superintendente-chefe Vicente Nogueira, que confirmou terem sido detidos na passada sexta-feira três indivíduos envolvidos nos confrontos entre militantes da UNITA e MPLA.

Entre os detidos confirmados pela polícia, encontra-se o secretário municipal de Benguela da UNITA, Calisto Kavoli. Os detidos aguardam ser apresentados a um juiz que decidirá se aplicará uma medida punitiva. No entanto, o secretário provincial da UNITA, Alberto Ngalanela, confirma somente a detenção de Kavoli.

As inquietações levantadas pela UNITA são também com relação ao que designa de "tratamento desigual" dado às actividades de campanha eleitoral dos partidos e coligações concorrentes, com vantagem para o partido no poder, o MPLA. "O partido no poder excede a divulgação dos seus actos, fazendo das suas emissões um tempo de antena por excelência", acusou.

A UNITA considerou "satisfatória" a primeira semana de campanha, anunciando para esta semana a incursão do seu líder nas províncias do Kwanza Norte, Malange e Lunda Sul e Lunda Norte. A nível de Luanda estão a ser intensificadas as campanhas cívicas, com a distribuição de material de propaganda nas principais vias públicas da capital e nos mercados.





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