Lisboa – Os órgãos de comunicação social do Estado terão sido orientados a não fazer referencias  dos programas dos partidos políticos da oposição que concorrem as eleições de 31 de Agosto.  A conclusão é apoiada na leitura da  nova linha editorial adoptada desde o início da campanha eleitoral em Angola.

Fonte: Club-k.net

Para causar impressão de que não têm programa

De acordo com uma habilitada constatação, a  media pública, quando trata dos partidos políticos da oposição nos seus espaços noticiosos  apenas  colocam matérias de apelo ao “civismo e paz”, ou  noticiam/anunciam  as    “deslocações” dos dirigentes que vão de  uma localidade para outra. Nas matérias relacionadas ao  MPLA, a  media estatal aborda os  pontos  do programa de governo e divulga mensagens de “apelo ao voto”, conforme se vê nas imagens em anexo.


Desde o lançamento do manifesto do programa do MPLA, a media pública promoveu  debates em torno do tema e o assunto foi destaque nos noticiários durante duas  semanas.  Os jornalistas foram instruídos a irem buscar/colher depoimentos das Igrejas, diplomatas e outras figuras  para causar  a impressão de que todos estão de acordo com o programa do partido no poder.


No passado dia 5, a Agencia angop publicou uma matéria com o titulo “Associação de motoqueiros aprova programa de Governação do MPLA” e mais a frente da matéria escreveram  que os motoqueiros  chegaram a esta conclusão por acharem ser o  programa mais credível entre os demais apresentados pelas restantes formações políticas concorrentes às eleições de 31 de Agosto de 2012. Ainda de acordo com a Angop, os motoqueiros chegaram a esta conclusão a margem de uma passeada  organizada pela associação com o apoio institucional do MPLA.


Detalhes a considerar:

- Nenhum motoqueiro tinha em posse as copias dos programas dos 7 partidos para se concluir que leram os referidos programas  conforme a notícia da angop alega que fizeram comparação  com o programa do MPLA.

- O manifesto do MPLA é composto por 124 paginas e assim sendo fica impossível le-lo durante  passeada e com as motorizadas  em andamento.

A matéria da Angop e o seu  respectivo título e conteúdo teve a tendência de fazer  propaganda em  favor de um dos partidos que concorre as eleições e  contradiz com a realidade.


No lançamento do programa da UNITA, os dirigentes do maior partido da oposição lançaram um desafio a TPA para que desse  cobertura (em directo) da sua actividade na mesma proporção  que se fez ao do partido no poder. A TPA encenou que faria,  um directo  mas  não fez.


O único partido a quem a media (Angop) fala “um pouco” do que será o seu programa é o CPO de Anastácio Finda  para dizer que tem  o mesmo programa que o MPLA e que vai dar continuidade ao trabalho que o executivo esta a fazer.


Observações e analises sobre propaganda a favor do MPLA


Jornal de Angola – Desde que iniciou a campanha eleitoral, esta publicação   enveredou por ataques aos partidos da oposição  com destaque ao líder da UNITA, Isaías Samakuva.  Os seus títulos evitam focar  temas relacionados a mensagem de programas dos partidos da oposição. Apenas  divulgam  “deslocações” dos dirigentes oposição  e mensagens de apelo  ao “civismo”. As imagens nas matérias referentes ao  partido no poder são de campos cheios de gente  e evitam passar fotografias da oposição em que haja populares.  Os jornalistas queixam-se porque um dos assessores do Jornal, Arthur Queiroz altera os títulos das matérias sobre a oposição pondo-as  numa vertente negativa.

Angop – A Agencia de Noticias Estatal adoptou a mesma linha do Jornal de Angola (ver imagens).


RNA – A Radio Nacional  tem dado  mais  espaço ao partido no poder. Não passa entrevistas em que os dirigentes da oposição possam descrever os seus programas. A campanha em favor ao MPLA é acompanhada por publicidades institucionais. Depois do noticiário das 13:h 00, a RNA criou  um programa de propaganda   de nome “reconstruir e modernizar” em que falam das obras do governo. No dia 6 de Agosto este programa  de caráter  noticioso virado as obras falou  de iniciativas governamentais no interior do país com os seguintes títulos.

- Alunos no Huambo enaltecem investimento do executivo pelas condições nas escolas;

-  Populares na Lunda Sul manifestam satisfação pelos esforços do executivo; (a noticia era relacionada a criação de um lar dos idosos nesta província.)

Nesta quarta-feira (8), o referido programa voltou a fazer o mesmo trabalho trazendo os seguintes títulos:


-  Alunos no Huambo  enaltecem  construção  de novas  escolas

- Circulação de comboio  do CFB, esta a proporcionar condições de vida aos populares e a população reconhece. As populações manifestaram-se satisfeitas. Nesta reportagem  foi visível o jornalista a questionar aos entrevistados  “quais os benefícios que o comboio trás a população”. Em termos jornalísticos estas são perguntas manipuladoras  que induz o entrevistado (sobretudo o pouco letrado) a fazer declarações favoráveis.


A idéia do  referido programa de propaganda  é passar a mensagem de que as populações estão satisfeitas com o governo, o que corresponde propaganda em favor do partido que esta no poder.  O referido slogan “população enaltece” ou “populares agradecem” é uma frase que as autoridades orientaram a trazer sempre nos títulos dos noticiários para causar efeito de que o povo esta satisfeito.


TPA - A televisão estatal  da mais minutos as noticias do MPLA. Optou também por reportar declarações em que os políticos  da oposição  fazerem apelo de paz  e civismo. Não passa imagens que apresenta a multidão que adere aos comícios e actos de massa da oposição. Nas matérias da oposição, os jornalistas muita das vezes é quem mais fala e quando dão voz, ao político da oposição cortam  de seguida e fica-se sem perceber o que os mesmos disseram. Nas matérias do MPLA, é o contrario. Muito recentemente passaram uma reportagem sobre o MPLA na Lunda-Sul, e o jornalista teve a iniciativa de dizer que para aquela população “O MPLA é o melhor”. A reportagem não mostrou nenhum popular a fazer as declarações que o jornalista fez em nome deles. A matéria foi parcial visto que o jornalista fez propaganda em favor do partido no poder.


Nas últimas semanas, a TPA optou também por entrevistar  dirigentes da oposição sem expressão ao invés das figuras de topo dos partidos na oposição.   Estes são usados para dar entender que deram tempo aos partidos políticos da oposição.  A figura que aplica censura na TPA é o seu director adjunto de informação,  Ramiro Matos sob orientações que são baixadas por Manuel Rabelais e Aldemiro Vaz da Conceição.


A TPA passa igualmente mensagens e spots  de propaganda de  obras e feitos do governo como forma de mostrar o que o partido no poder tem feito. Em função da conduta de propaganda da media estatal;  está acentuar-se em Luanda, sugestões segundo as quais nas próximas eleições deve-se aprovar normas, como acontece no Brasil, em que o governo cessante fica proibido de fazer inaugurações durante a campanha eleitoral e de produzir spots de propaganda ou publicidade das obras do governo.


A decisão de não fazerem notícias que focam  programas dos principais partidos da oposição (UNITA, CASA-CE e PRS), obedece a cálculos no sentido de causar a impressão  de que não tem agenda. A evidencia  esta na reação do MPLA. No seu espaço de antena de radio do dia 06 de Agosto, o partido no poder fez uma mensagem dizendo que os referidos  partidos não tem programa de governo.


A estratégia fundamental é de que depois do dia 31 de Agosto, em caso de o MPLA, ganhar com percentagens astronômicas como em 2008, as autoridades vão por os seus analistas na TPA e RNA a dizer que o partido no poder ganhou porque foi o único que apresentou programa eleitoral.

 

 



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