Cabinda – 4-1, nada mais do que isso, é a distribuição politico-parlamentar à nível do circulo provincial de Cabinda. Duas formações políticas dividem Cabinda em matéria de acento parlamentar. Tratam-se do MPLA e da UNITA. De facto, conseguiram eleger deputados relegando a CASA-CE para a posteridade. Não é desta que o irreverente jovem Lelo consiga estar no hemiciclo angolano. O que seria dos debates parlamentares, com Fernando Lelo, William Tonet? Mas ainda assim o cartaz já promete, com a jovem Webba e outros nomes sem deixar de citar o já habituado João Pinto.

Fonte: Club-k.net

Quanto a Cabinda, em todo o nosso prognóstico, apenas ficou por se concretizar a distribuição em 3-2, já que a CASA-CE não conseguiu suplantar a UNITA nesta parcela de onde escrevemos esta peça-análise. Estamos no terreno e sentimos o pulsar dos corações numa altura em que as pessoas são unânimes em reconhecer que o maior grosso do resultado favorável ao MPLA advém da periferia, ou seja do Maiombe e ouros arredores como Tando-Zinze, Dinge, etc, para além de que tenham sido também os membros dos órgãos de defesa e segurança, a tábua da salvação para o partido maioritário em Cabinda.

Em relação a isso, nada mais a fazer já que ninguém pode proibir os militares ou paramilitares, por estas paragens, de exercerem o seu direito de voto. E como se sabe, a mentalidade de certas pessoas é de que votar no MPLA é uma questão de soberania, e em qualquer parte do mundo, não existe quem fende mais o conceito de soberania que um militar.

E no caso em particular de Cabinda, os militares tem procurado cada vez mais estar ao lado da população como agora, talvez seja por uma filosofia que advenha da falta da guerra. É um factor mobilizador por excelência. Nos próximos tempos, grande parte da população de Cabinda terá uma mistura de sangue.

Há, no entanto, a considerar outro pormenor, que tem que ver com a vitória do MPLA em Cabinda. A forma como foi festejada a divulgação definitiva dos resultados no enclave de Cabinda, revela quão foi sofrível, para muitos, alcançar tal número. Não são favas contadas traduzir em vitória um processo eleitoral em Cabinda.

A população divide-se em aquela que é mais cerebral e outra, mais emocional, só que o emocional ainda, e pelo facto de ser a maioria, vence. A estatística etnológica aponta para o facto da população do Maiombe ser a maioria e prevalecer sobre os intelectuais, a franja mais dócil a oposição. Por maioria da razão, os intelectuais estão na cidade de Cabinda. Os intelectuais de Cabinda são muito cerebrais, e não vêem a hora de humilhar o M nas urnas, apesar de que este ano se lhes fez um trabalho de cepa em matéria de mobilização.  

Há uma segunda ou terceira razão que faz com que o MPLA volta a ganhar em Cabinda. A deslocação do Presidente da Republica por estas paragens foi também determinante, já havíamos dito ad premonitoriam. O Presidente José Eduardo dos Santos é um verdadeiro factor para se remover o equívoco no resultado conseguido em Cabinda, antes tínhamos apontado na realidade em concreto da província de Cabinda, mas acabou por se constatar que tal aconteceu em relação a todos as demais províncias que visitou.

Ao falar da possibilidade de voltar à modalidade antiga da gestão dos 10%, o Presidente criou uma grande expectativa, e isto fez com que uma quota de críticos também votasse no afã de ver regressar o bónus.

Pelo sim e pelo não, o MPLA venceu em Cabinda. E se se reconhecer os esforços, pode dizer-se que Aldina da Lomba muito se desdobrou, comeu relva, não dormia para mobilizar os militantes e os indecisos no que se reverteu na vitória percurssionada pelo seu líder, cabeça de lista aquando do comício na Praça do Tafe. Mesmo que não manifeste, ela sabia que só uma vitória do M em Cabinda lhe pode dar o selo definitivo de governadora. É algo que vai no íntimo da direcção do MPLA.

Com isso, está, praticamente, confirmado o voto de confiança. Vamos aguardar com serenidade apesar de tudo quanto anda volta da novela política que envolveu a saída do Mawete João Baptista. Habituou-se por estas terras que legado da governação não se transmita de modo pacífico. É normal pela sumptuosidade a província em si. O MPLA deve procurar conciliar as pessoas já que não é líquido dizer-se que Mawete não deixou obras em Cabinda, porquanto existe uma Faculdade de Medicina e outras coisas. Mawete abriu picadas e Aldina asfaltou-as em pouco tempo. Ela também merece reconhecimento por justiça distributiva.

Depois de se conhecer o resultado irreversível das eleições em Cabinda, agora, sem o risco de se perder algumas almas no seio do partido que como se sabe iriam mesmo castigar a senhora caso, se manifestasse com tendência de operar mudanças, é necessário encoraja-la para a impetuosidade de alterar muitas coisas de que muita gente reclama no seio do MPLA em Cabinda. É preciso alterar algum quadro.

E aqui vai um conselho amigo: retirar cargos de pendor executório aos deputados de Cabinda, nomeadamente, aqueles que perfazem a lista divulgada pelo jornal de Angola nesta segunda-feira, 10 de Setembro de 2012, sendo eles, José Mangovo Tomé, Marta Beatriz do Carmo Issungo, Afonso Maria Vaba, já que Aldina da Lomba, só por um milagre deixaria de ser governadora ad initio deste ciclo político em que o MPLA volta a dominar as esferas do poder. Até por uma questão de género, ela deveria ser premiada.

Voltando a questão de deputados em Cabinda, por incrível que pareça nenhum muiombi faz parte da lista inicial em Cabinda nem mesmo na oposição, aliás o único lugar da oposição está aferido ao irrequieto Raúl Danda. O muiombi é o sexto, oitavo ou nono na lista e é sempre assim. Bem, bem na primeira legislatura até porque Zé Mavungo, falecido Nguma Télica foram a Assembleia Nacional mas tal aconteceu porque não se sabia dos privilégios que implicaria estar-se no Parlamento. Esta é uma questão que procuraremos revisitar sempre de forma apaixonada, diga o que se disser, e, se for tribalismo, então será de outra galáxia.

É por esta e outras razões que o povo do Maiombe olha com muita desconfiança as contas que se vão fazendo quanto ao figurino em termos de acomodação dos nomes para a próxima governação local. Diga-se, em abono da verdade, se um dia haverá demissão em bloco por parte dos baiombi caso se continue a assistir a humilhação dos seus filhos.

A humilhação será feita em solidariedade aos quadros daquela região de cabinda, que ao que se advinha podem ser uma vez mais marginalizados pela tendência hegemónica barata de algumas pessoas que não se enxergam face a mudança dos tempos que já não se compadecem com o tribalismo doentio. É preciso distribuir-se o mal pelas aldeias, e sobretudo, quando está mais do que provado de que a maior percentagem de voto do partido que vai governador angola nos próximos tempos vem das zonas do Maiombe.

Uma vez mais os baiombi se fazem consequentes em prol da sua opção do passado. E vai a pergunta: até quando perdurará esta situação? A forma como os baiombi tem sido relegados por estas alturas é ostracizante. No caso de a Aldina não ser confirmada a governadora, o que não se deseja nem parece crível pela expectativa criada, será desta que se iria guindar um muiombe a este cargo? Será que figuras como Massota, Donato Mbianga, Marcos Nhunga, Vicente Lembe, Télica e tantos outros, a exemplo do que se fez com filhos de outras tribos locais, não merecem tal confiança? Pois então, governar faz bem memória colectiva de qualquer população étnica. Ao menos que a partilha real do poder político se justifique em Cabinda. Os outros não reclamam porquanto nunca estiveram em situação menos cómoda de ponto de vista de privilégio político-económico-sociais.

Proximamente, internautas, vamos reflectir em torno de um tal Programa Abrangente de Desenvolvimento Sustentável da Província de Cabinda (PADS-PC). Para já, a realçar que é tão-somente um documento de 49 páginas produzido algumas figuras da Sociedade Civil Cabindesa com lema de Participação Cidadã, Desenvolvimento e Prosperidade, talvez seja algo melhor que a emenda com que algum dia o Foro Cabindes para o Dialogo quis brindar as pessoas.



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