Discurso do presidente Obama na 67ª Assembleia Geral da ONU

26 de setembro de 2012

CASA BRANCA
Escritório do Secretário de Imprensa
25 de setembro de 2012

DISCURSO DO PRESIDENTE
NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

Sede das Nações Unidas
Nova Iorque, Nova Iorque

10h22 Horário de verão da Costa Leste dos EUA


O PRESIDENTE: Senhor presidente, senhor secretário-geral, colegas delegados, senhoras e senhores: gostaria de começar hoje por vos falar acerca de um americano chamado Chris Stevens.


Chris nasceu numa cidade chamada Grass Valley, filho de um advogado e de uma música. Na juventude, Chris ingressou no Corpo da Paz e ensinou inglês em Marrocos. E passou a amar e respeitar o povo do Norte de África e do Médio Oriente. Ao longo da vida manteve esse compromisso. Como diplomata, trabalhou do Egito à Síria, da Arábia Saudita à Líbia. Era conhecido por andar a pé nas ruas das cidades onde trabalhava, provando a comida local, encontrando tantas pessoas quantas podia, falando árabe, ouvindo com um sorriso rasgado.


Chris foi para Benghazi nos primeiros dias da revolução Líbia, chegando num navio de carga. Como representante dos Estados Unidos, ajudou o povo líbio quando este enfrentava um conflito violento, cuidou dos feridos e formulou uma visão para um futuro no qual os direitos de todos os líbios seriam respeitados. E depois da revolução apoiou o nascimento de uma nova democracia, enquanto os líbios realizavam eleições, construíam novas instituições e começavam a avançar após décadas de ditadura.


Chris Stevens amava o seu trabalho. Orgulhava-se do país em que se encontrava em missão e via dignidade nas pessoas que encontrava. E, há duas semanas, deslocou-se a Benghazi para rever planos para criar um novo centro cultural e modernizar um hospital. Isso foi quando o recinto americano foi atacado. Juntamente com três dos seus colegas, Chris foi morto na cidade que ele ajudou a salvar. Tinha 52 anos.


Conto-vos esta história porque Chris Stevens representa o melhor dos Estados Unidos. Tal como os seus colegas dos negócios estrangeiros, ele construiu pontes através de oceanos e cultura e dedicou-se profundamente à cooperação internacional que as Nações Unidas representam. Agiu com humildade, mas também defendeu um conjunto de princípios, uma convicção de que as pessoas devem ser livres para decidirem o seu próprio destino e viverem com liberdade, dignidade, justiça e oportunidade.


Os ataques aos civis em Benghazi foram ataques contra os Estados Unidos. Estamos gratos pela assistência que recebemos do governo líbio e do povo líbio. Não deve haver qualquer dúvida de que foram incansáveis na procura dos assassinos e em levá-los perante a justiça. E também agradeço por nos últimos dias os líderes de outros países na região, incluindo o Egito, a Tunísia e o Iémen, terem tomado medidas para proteger as nossas instalações diplomáticas e terem apelado à calma. E o mesmo fizeram as autoridades religiosas em todo o mundo.


Mas compreendam, os ataques nas últimas duas semanas não são simplesmente um ataque contra os Estados Unidos. São também um ataque aos ideais sobre os quais as Nações Unidas foram fundadas – a ideia de que as pessoas podem resolver as suas divergências pacificamente; de que a diplomacia pode substituir a guerra; de que num mundo interdependente todos nós temos interesse em trabalhar para mais oportunidade e segurança para os nossos cidadãos.


Se formos sérios quanto à defesa destes ideais, não bastará colocar mais guardas em frente da embaixada ou fazer declarações a lamentar e esperar que a atrocidade passe. Se formos sérios quanto a estes ideais, devemos falar honestamente acerca das causas profundas da crise, porque somos confrontados com uma escolha entre as forças que nos separam e as esperanças que temos em comum.


Hoje, devemos reafirmar que o nosso futuro será determinado por pessoas como Chris Stevens e não por estes assassinos. Hoje, devemos declarar que esta violência e intolerância não têm lugar entre as nossas Nações Unidas.

Foi há menos de dois anos que um vendedor na Tunísia se incendiou em protesto contra a corrupção opressiva no seu país e desencadeou o que veio a ser conhecido por Primavera Árabe. E desde então, o mundo tem estado fascinado pela transformação que ocorreu e os Estados Unidos apoiaram as forças da mudança.

Fomos inspirados pelos protestos tunisinos que derrubaram um ditador porque reconhecemos as nossas próprias convicções nas aspirações de homens e mulheres que saíram à rua.

Insistimos na mudança no Egito, porque o nosso apoio à democracia, em última análise, nos coloca do lado do povo.

Apoiámos a transição da liderança no Iémen porque os interesses do povo já não estavam a ser servidos por um status quo corrupto.

Interviemos na Líbia juntamente com uma vasta coligação e com o mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, porque conseguimos parar a matança de inocentes e porque acreditámos que as aspirações do povo eram mais poderosas do que um tirano.

E ao nos reunirmos aqui, declaro mais uma vez que o regime de Bashar al-Assad deve chegar ao fim para que o sofrimento do povo sírio possa terminar e começar uma nova alvorada.

Assumimos estas posições porque acreditamos que a liberdade e a autodeterminação não são exclusivas de uma cultura. Não são simplesmente valores americanos ou valores ocidentais; são valores universais. E, apesar de haver desafios enormes numa transição para a democracia, estou convencido de que, no fim de contas, o governo do povo, pelo povo e para o povo tem mais probabilidades de trazer estabilidade, prosperidade e oportunidade individual que sirvam de base para a paz no nosso mundo.

Então lembremo-nos de que esta é uma época de progresso. Pela primeira vez em décadas, tunisinos, egípcios e líbios votaram em novos líderes em eleições que foram credíveis, competitivas e justas. Este espírito democrático não ficou limitado ao mundo árabe. No ano passado, assistimos a transições pacíficas do poder no Malawi e no Senegal e um novo presidente na Somália. Na Birmânia, um presidente libertou presos políticos e abriu uma sociedade fechada, uma dissidente corajosa foi eleita para o parlamento e as pessoas esperam por mais reformas. Em todo o mundo, as pessoas estão a fazer-se ouvir, insistindo na sua dignidade inata e no direito de decidirem o seu futuro.

E contudo a agitação das últimas semanas lembra-nos que a via para a democracia não termina no voto. Nelson Mandela disse uma vez: “Ser livre não é apenas soltar as correntes, mas viver de uma forma que respeite e aumente a liberdade dos outros” (Aplausos).

A verdadeira democracia exige que os cidadãos não sejam atirados para a prisão por causa daquilo em que acreditam e que possam ser abertos negócios sem se ter que pagar um suborno. Depende da liberdade dos cidadãos dizerem aquilo que pensam e de se reunirem sem receio e do Estado de Direito e do seu exercício, que garante os direitos de todas as pessoas.

Por outras palavras, a verdadeira democracia, a verdadeira liberdade, é um trabalho árduo. Os que estão no poder têm que resistir à tentação de serem duros com os dissidentes. Em períodos económicos difíceis, os países devem ser tentados, podem ser tentados a mobilizar pessoas contra supostos inimigos, no país e no estrangeiro, em vez de se concentrarem no trabalho meticuloso de reforma.

Além disso, haverá sempre aqueles que rejeitam o progresso humano, ditadores que se agarram ao poder, interesses corruptos que dependem do status quo e extremistas que atiçam as chamas do ódio e da divisão. Da Irlanda do Norte ao Sul da Ásia, de África ao continente americano, dos Balcãs à Bacia do Pacífico, assistimos a convulsões que podem acompanhar as transições para uma nova ordem política.

Às vezes os conflitos surgem ao longo de linhas de fratura da raça ou da tribo. E com frequência resultam de dificuldades em combinar tradição e religião com a diversidade e a interdependência do mundo moderno. Em todos os países existem aqueles que consideram uma ameaça convicções religiosas diferentes; em todas as culturas aqueles que amam a liberdade para si mesmos devem perguntar-se até que ponto estão dispostos a tolerar a liberdade para outros.

É isso o que vimos nas últimas duas semanas: um vídeo grosseiro e repulsivo causou indignação no mundo muçulmano. Ora, eu deixei claro que o governo dos Estados Unidos não tinha nada a ver com este vídeo e eu acredito que a sua mensagem deve ser rejeitada por todos aqueles que respeitam a nossa humanidade comum.

É um insulto não só para os muçulmanos mas também para os Estados Unidos, porque, como esta cidade demonstra com clareza, somos um país que acolheu bem pessoas de todas as raças e de todos os credos. Nós recebemos muçulmanos que praticam a sua fé em todo o país. Não só respeitamos a liberdade religiosa, mas também temos leis que protegem as pessoas de serem molestadas devido ao seu aspeto ou à sua crença religiosa. Compreendemos porque é que as pessoas se sentem ofendidas com este vídeo porque entre elas encontram-se milhões dos nossos cidadãos.

Sei que há alguns que perguntam porque é que não proíbem simplesmente esse vídeo. E a resposta está contida nas nossas leis: a nossa Constituição protege o direito à liberdade de expressão.

Aqui nos Estados Unidos, inúmeras publicações causam ofensa. Como eu, a maior parte dos americanos são cristãos e portanto não blasfemamos contra as nossas crenças mais sagradas. Como presidente do nosso país e comandante supremo das nossas forças armadas, aceito que as pessoas me chamem coisas horríveis todos os dias – (risos) – e defenderei sempre o seu direito de o fazerem. (Aplausos).

Americanos lutaram e morreram no mundo inteiro para protegerem o direito de todas as pessoas a exprimirem as suas opiniões, mesmo opiniões das quais discordamos profundamente. Não o fazemos porque apoiamos discursos de ódio mas porque os nossos fundadores compreenderam que sem essas proteções, a capacidade de cada individuo de exprimir as suas próprias opiniões e praticar a sua própria fé pode encontrar-se ameaçada. Fazemo-lo porque numa sociedade diversificada, as medidas para limitar a liberdade de expressão podem tornar-se rapidamente um mecanismo para silenciar críticas e oprimir minorias.

Fazemo-lo porque, tendo em conta o poder da religião nas nossas vidas, e a paixão que as diferenças religiosas podem inflamar, a arma mais forte contra o discurso de ódio não é a repressão; é mais discurso – as vozes da tolerância que se unem contra o fanatismo e a blasfémia e erguem os valores da compreensão e do respeito mútuo.

Ora, eu sei que nem todos os países neste órgão têm esta compreensão particular da proteção da liberdade de expressão. Reconhecemos isso. Mas em 2012, numa altura em que qualquer pessoa com um telemóvel pode espalhar opiniões ofensivas em todo o mundo carregando num botão, a ideia de que podemos controlar o fluxo de informações é obsoleta. Então a questão que se coloca é como respondemos?

E devemos concordar com isto: não há discurso que justifique a violência cega. (Aplausos). Não há palavras para desculpar a matança de inocentes. Não há vídeo que justifique um ataque a uma embaixada. Não há calúnia que sirva de desculpa para as pessoas incendiarem um restaurante no Líbano ou destruírem uma escola em Tunes ou causarem morte e destruição no Paquistão.

Neste mundo moderno com tecnologias modernas, se respondermos dessa forma ao discurso de ódio damos poderes a esse indivíduo que faz esse discurso para criar o caos em todo o mundo. Damos poderes ao pior de nós mesmos se for assim que reagirmos.

De modo mais lato, os acontecimentos das últimas duas semanas também falam da necessidade de todos nós abordarmos com honestidades as tensões entre o Ocidente e o mundo árabe que está a caminhar para a democracia.

Agora, permitam-me ser claro: assim como não conseguem resolver todos os problemas do mundo, os Estados Unidos não procurarão ditar o resultado de transições democráticas no estrangeiro. Não esperamos que outros países concordem connosco em todas as questões, nem supomos que a violência das últimas semanas ou o discurso de ódio de alguns indivíduos representem as opiniões da grande maioria dos muçulmanos do mesmo modo as opiniões das pessoas que produziram este vídeo não representam as dos americanos. Contudo, acredito que é dever de todos os líderes em todos os países pronunciarem-se de forma convincente contra a violência e o extremismo. (Aplausos).

É altura de marginalizar aqueles que – apesar de não recorrerem diretamente à violência – usaram o ódio aos Estados Unidos ou ao Ocidente ou a Israel como principal princípio organizador de política. Porque isso apenas dá cobertura e às vezes serve de desculpa para os que recorrem à violência.

Este tipo de política – que opõe o Oriente ao Ocidente e o Sul ao Norte, muçulmanos a cristão e hindus e judeus – não pode cumprir a promessa de liberdade. Aos jovens oferece apenas uma falsa esperança. Queimar uma bandeira americana não contribui em nada para proporcionar educação a uma criança. Destruir um restaurante não enche um estômago vazio. Atacar uma embaixada não cria um único emprego. Esse tipo de política apenas torna mais difícil realizar o que devemos fazer juntos: educar os nossos filhos, criar as oportunidades que eles merecem, proteger os direitos humanos e expandir a promessa da democracia.

Compreendam que os Estados Unidos nunca se afastarão do mundo. Levaremos perante a justiça todos aqueles que fizerem mal aos nossos cidadãos e amigos e apoiaremos os nossos aliados. Estamos dispostos a fazer parcerias com países em todo o mundo para aprofundar laços de comércio e investimento, ciência e tecnologia, energia e desenvolvimento – todas estas são medidas que podem desencadear o crescimento económico para todos os nossos povos e estabilizar a mudança democrática.

Mas tais medidas dependem de um espírito de interesse mútuo e de respeito mútuo. Nenhum governo ou companhia, nenhuma escola ou ONG terá confiança para trabalhar num país em que o seu povo está em perigo. Para que as parcerias sejam eficazes os nossos cidadãos devem estar protegidos e os nossos esforços devem ser bem-vindos.

Uma política baseada no medo, baseada em dividir o mundo entre “nós” e “eles”, não só atrasa a cooperação internacional, mas em última análise prejudica os que a toleram. Todos nós temos interesse em enfrentar essas forças.

Devemos lembrar-nos que os muçulmanos sofreram imenso nas mãos do extremismo. No mesmo dias em que os nossos civis foram mortos em Benghazi, um agente da polícia turco foi assassinado em Istambul apenas uns dias antes do seu casamento; mais de 10 iemenitas foram mortos num carro armadilhado em Sana’a; várias crianças afegãs foram choradas pelos seus pais alguns dias depois de terem sido mortas por um bombista suicida em Kabul.

O impulso em direção à intolerância e à violência pode concentrar-se inicialmente no Ocidente, mas com o passar do tempo não poderá ser contido. Os mesmos impulsos extremistas são empregues para justificar a guerra entre sunitas e xiitas, entre tribos e clãs. Não conduz a força e prosperidade mas sim ao caos. Em menos de dois anos vimos protestos sobretudo pacíficos a causar mais mudanças em países de maioria muçulmana do que uma década de violência. E os extremistas compreendem isto. Porque não têm nada para oferecer para melhorar as vidas das pessoas, a violência é a única forma de manterem a sua relevância. Não constroem; apenas destroem.

Já é altura de deixar para trás o apelo da violência e a política de divisão. Em tantas questões, enfrentamos uma escolha entre a promessa do futuro ou os grilhões do passado. E não podemos correr o risco de nos enganar. Devemos aproveitar este momento. E os Estados Unidos estão prontos a trabalhar com todos aqueles que estiverem dispostos a abraçar um futuro melhor.

O futuro não pertence aos que têm como alvo cristãos coptas no Egito – deve pertencer aos que na Praça Tahir entoavam, “Muçulmanos, cristãos somos um só”. O futuro não deve pertencer aos que tiranizam as mulheres; deve ser moldado por meninas que vão à escola e por aqueles que defendem um mundo no qual as nossas filhas possam concretizar os seus sonhos bem como os nossos filhos. (Aplausos).

O futuro não deve pertencer a alguns corruptos que roubam os recursos dum país; deve ser ganho por estudantes e empresários, trabalhadores e donos de empresas que procuram maior prosperidade para todos os povos. Esses são mulheres e homens que os Estados Unidos apoiam; é deles a visão que apoiaremos.

O futuro não deve pertencer aos que difamam o profeta do Islão. Mas para serem credíveis, aqueles que condenam essa calúnia devem também condenar o ódio que vemos nas imagens de Jesus Cristo que são profanadas, nas igrejas que são destruídas ou no Holocausto que é negado. (Aplausos).

Devemos condenar a incitação contra muçulmanos sufis e peregrinos xiitas. Já é altura de prestar atenção às palavras de Gandhi: “A intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento de um espírito verdadeiramente democrático”. (Aplausos). Juntos, devemos trabalhar para um mundo em que somos fortalecidos pelas nossas diferenças e não definidos por elas. Isso é o que os Estados Unidos representam, essa é a visão que nós apoiaremos.

Entre israelitas e palestinos, o futuro não deve pertencer aos que viram as costas a uma perspetiva de paz. Deixemos para trás aqueles que prosperam no conflito, aqueles que rejeitam o direito de Israel a existir. O caminho é difícil, mas o destino é claro: um Estado judaico seguro de Israel e uma Palestina próspera e independente. (Aplausos). Compreendendo que essa paz deve ser obtida através de um acordo justo entre as partes, os Estados Unidos caminharão ao lado de todos os que estão preparados para fazer essa caminhada.

Na Síria, o futuro não deve pertencer a um ditador que massacra o seu povo. Se há uma causa que clama por protesto no mundo de hoje, protesto pacífico, é a de um regime que tortura crianças e dispara foguetes contra edifícios de apartamentos. E devemos continuar empenhados em assegurar que o que começou com cidadãos a exigirem os seus direitos não termine num ciclo de violência sectária.

Juntos devemos ficar do lado dos sírios que acreditam numa visão diferente – uma Síria que é unida e inclusiva, na qual as crianças não precisam de sentir medo do seu próprio governo e em que todos os sírios tenham uma palavra a dizer sobre como são governados; sunitas e alauítas, curdos e cristãos. É isso o que os Estados Unidos defendem. Esse é o resultado para o qual trabalharemos com sanções e consequências para aqueles que perseguimos e assistência e apoio para aqueles que trabalham por este bem comum. Porque nós acreditamos que os sírios que adotarem esta visão terão a força a legitimidade para liderarem.

No Irão vemos aonde conduz o caminho de uma ideologia violenta e irresponsável. O povo iraniano tem uma história notável e antiga e muitos iranianos desejam desfrutar a paz e a prosperidade juntamente com os seus vizinhos. Mas tal como restringe os direitos do seu próprio povo, o governo iraniano continua a apoiar um ditador em Damasco e apoia grupos terroristas no estrangeiro. Várias vezes perdeu a oportunidade de demonstrar que o seu programa nuclear se destina a fins pacíficos e de cumprir as suas obrigações para com as Nações Unidas.

Portanto, serei claro. Os Estados Unidos querem resolver esta questão através da diplomacia e acreditamos que ainda há tempo e espaço para o fazer. Mas o tempo não é ilimitado. Nós respeitamos o direito dos países de terem acesso a poderio nuclear para fins pacíficos, mas um dos propósitos das Nações Unidas é ver se aproveitamos esse poder para a paz. E, não se enganem, um Irão com armas nucleares não é um desafio que possa ser contido. Ameaçaria a eliminação de Israel, a segurança dos países do Golfo e a estabilidade da economia mundial. Corre o risco de provocar uma corrida a armas nucleares na região e o fim do tratado de não proliferação. É por isso que uma coligação de países está a responsabilizar as autoridades do governo iraniano. E é por isso que os Estados Unidos farão o que tiverem que fazer para evitar que o Irão obtenha uma arma nuclear.

Sabemos por experiência dolorosa que a via para a segurança e a prosperidade não se encontra fora dos limites do direito internacional e do respeito pelos direitos humanos. É por isso que esta instituição foi criada a partir de escombros de um conflito. É por isso que a liberdade triunfou da tirania na Guerra Fria. E essa é também a lição das últimas duas décadas.

A história mostra que a paz e o progresso chega aos que fazem escolhas acertadas. Países em todos os cantos do mundo percorreram este caminho difícil. A Europa, o campo de batalha mais sangrento do século XX, está unida, livre e em paz. Do Brasil à África do Sul, da Turquia à Coreia do Sul, da Índia à Indonésia, pessoas de raças, religiões e tradições diferentes tiraram milhões da pobreza, ao mesmo tempo que respeitavam os direitos dos seus cidadãos e cumpriam os seus deveres como nações.

E é por causa dos progressos a que assisti durante a minha própria vida, progressos que testemunhei após cerca de quatro anos como presidente, que continuo a ter muitas esperanças no mundo em que vivemos. A guerra no Iraque terminou. As tropas americanas regressaram a casa. Iniciámos uma transição no Afeganistão e os Estados Unidos e os seus aliados terminarão a guerra na data prevista em 2014. A al-Qaeda foi endraquecida e Osama Bin Laden já não existe. Os países uniram-se para travar materiais nucleares e os Estados Unidos e a Rússia estão a reduzir os seus arsenais. Vimos que foram feitas escolhas difíceis, de Naypyidaw ao Cairo a Abidjan, para colocar mais poderes nas mãos dos nossos cidadãos.

Numa época de dificuldades económicas, o mundo uniu-se para alargar a prosperidade. Através do G20 fizemos parcerias com países emergentes para manter o mundo na via da recuperação. Os Estados Unidos prosseguiram com uma agenda de desenvolvimento que promove o crescimento e corta a dependência e trabalhou com líderes africanos para os ajudar a alimentar os seus países. Foram forjadas novas parcerias para combater a corrupção e promover um governo que seja aberto e transparente e foram assumidos novos compromissos através da Parceria Futuros Iguais para assegurar que mulheres e meninas possam participar plenamente na política e beneficiar de oportunidades. E mais tarde hoje discutirei os nossos esforços para combater o flagelo do tráfico humano.

Todas estas coisas dão-me esperança. Mas o que me dá mais esperança não são as nossas ações, as ações dos líderes, mas as pessoas que eu vi. As tropas americanas que arriscaram a sua vida e sacrificaram os seus membros por estrangeiros a meio mundo de distância; os estudantes em Jacarta ou Seul que estão ansiosos por usarem os seus conhecimentos em beneficio da humanidade; rostos numa praça em Praga ou um parlamento no Gana que vê a democracia a dar voz às suas aspirações; os jovens nas favelas do Rio e nas escolas de Bombaim cujos olhos brilham de promessa. Estes homens, mulheres e crianças de todas as raças e de todas os credos lembram-me que para cada multidão furiosa que se vê na televisão, há biliões em todo o mundo que têm as mesmas esperanças e os mesmos sonhos. Dizem-nos que o coração da humanidade bate em uníssono.

É dada tanta atenção no nosso mundo ao que nos separa. É o que vemos nos noticiários. É o que consome os nossos debates políticos. Mas quando deitamos tudo isso fora, as pessoas em toda a parte anseiam por liberdade para decidir o seu destino; pela dignidade que vem com o trabalho; pelo conforto que vem com a fé; e a justiça que existe quando os governos servem o seu povo e não o contrário.

Os Estados Unidos da América defenderão sempre estas aspirações, para o seu próprio povo e para todos os povos do mundo. Esse era o nosso propósito inicial. Isso é o que a nossa história mostra. É para isso que Chris Stevens trabalhou ao longo da sua vida.

E eu prometo-vos isto: muito depois dos assassinos terem sido levados perante a justiça, o legado de Chris Stevens permanecerá nas vidas que ele influenciou, em dezenas de milhares que marcharam contra a violência pelas ruas de Benghazi; nos líbios que mudaram a sua foto no Facebook para o de Chris; nos cartazes que dizem simplesmente “Chris Stevens era amigo de todos os líbios”.

Eles devem dar-nos esperança. Devem lembrar-nos de que enquanto trabalharmos para isso será feita justiça, que a história está do nosso lado e que uma maré crescente de liberdade nunca será derrotada.

Muito obrigado. (Aplausos).

FIM



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