Nomeado por Robert Mugabe, em 2003, Gono termina o seu mandato em Novembro próximo. Em princípio deveria manter-se em funções, mas Morgan Tsvangirai opõe-se à sua recondução alegando que Gono é objecto de reservas da parte de instituições financeiras internacionais e de governos dispostos a ajudar o Zimbabué.

A atitude de Tsvangirai também decorre de uma posição segundo a qual, nos termos do acordo com o regime, lhe compete nomear o Governador do Banco Central e também o ministro das Finanças. O entendimento de Mugabe é diverso – tal como o é em relação à nomeação do comandante da Polícia.

A intransigência de Mugabe em relação à manutenção de Gono não é estranha a um passado de relações obscuras entre o regime da Zanu-Fp e o Banco Central, sobretudo em matéria de apropriação de dinheiros públicos. O conhecimento que Gono tem desse passado e a sua cumplicidade com o mesmo explicam a protecção que lhe é dada. 

Gono é dono de uma cadeia privada de casas de câmbio, espalhadas pelo país, através das quais ele faz o controle pessoal das trocas de moeda fora dos bancos. É esse mercado financeiro que atende à elite da Zanu-Pf quando quer recorrer á importação de bens para os seus negócios.

Gono é considerado um dos indefectíveis de Mugabe. Recebe-o com muita regularidade, por vezes em privado, e deposita nele uma confiança traduzida na completa liberdade de acção que lhe dá relativamente às políticas destinadas a lidar com a inflacção galopante.

Fonte: Africa Monitor



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