Luanda - Ary, nasceu no Lubango, província da Huíla. A simpatia e a sensualidade são duas imagens de marca. Ary veio para Luanda com apenas cinco anos de idade. Começou por viver no bairro da Maianga, rua Amílcar Cabral, mas teve que mudar várias vezes para outros bairros de Luanda.

*Waldney Oliveira
Fonte: Vida/O País

“Ficámos muito pouco tempo na Maianga. Em seguida mudámos para a rua Onze do Cassenda. Voltámos para a Maianga, e desta para a rua Marian Nguabi. De lá fomos para o Kinaxixi, nos arredores do restaurante Canecão, e seguidamente para uma casa próxima do Hotel Trópico. Por fim passámos algum tempo no estádio dos Coqueiros e finalmente voltámos para a Maianga”, relembra.


Simpática e boa conversadora, Ary recorda que quando era criança criava um jacaré em sua casa: “comprámo-lo no Cacuaco e o animal foi criado no meu apartamento. Já estava bem crescidinho quando, um dia, tivemos de deixá-lo aos cuidados de alguém de “confiança”. Infelizmente, quando regressámos, essa pessoa já havia vendido o “meu jacarézinho”, lamenta.


Laurinda Helena, mãe da Ary, sempre a apoiou na carreira. “A minha mãe quando era criança também quis ser cantora mas os meus avôs não a deixaram, queriam que ela estudasse”, frisou.


Mario José Gabriel, pai de Ary, está ligado à ginástica (foi o apresentador do programa “Ginástica para Todos”, da TPA) e embora inicialmente tenha sido menos entusiasta em relação à opção da filha, também acabou por a apoiar “o meu pai só deu conta que eu cantava e gostava de música quando o convidei a assistir ao concurso Estrelas ao Palco”, revela.


Licencianda em Ciências da Comunicação pela Universidade Independente de Angola (UNIA), Ary fez o curso médio de Gestão de Sistemas Informáticos pelo Instituto Médio Industrial de Luanda (IMIL). Hoje continua a almejar terminar a sua licenciatura, algo que tenciona fazer a par da sua afirmação no mundo da música.


Simpatia, humildade e simplicidade são algumas das virtudes mais vísiveis na cantora. “Creio que as características da minha personalidade ajudaram-me a ser o que sou hoje a nível profissional”, respondeu quando questionada sobre o segredo do seu sucesso rápido e explosivo.


Recorde-se que em pouco mais de um ano, Ary foi considerada uma das três vozes femininas mais admiradas da actualidade (a par de Yola Araújo e Yola Semedo).


A nível sentimental Ary tem um namoro “fresco”. Confessa que não tem tido grandes constrangimentos com o parceiro em relação à sua carreira; “ele entende e respeita minha profissão”, diz com alegria. Ary revela que não pretende ter filhos agora, mas quando chegar a altura certa ambiciona ter dois. O casamento, para ela, é um sonho. “Adoro casamentos, sempre que assisto um imagino como será o meu”, comenta. Para já considera-se uma menina prendada e boa dona de casa, “apesar de não saber, nem gostar de engomar. Arrumo muito bem a casa, lavo perfeitamente, cozinho de tudo um pouco. Só não engomo porque não sei, nem gosto de o fazer”, conclui.

UMA ESTRELA NO PALCO


Nyhaneca Nkhumbi de etnia, Ariovalda Eulália Gabriel, ou simplesmente “Ari” (diminutivo) ou “Ary” (nome artístico), a mais velha de seis irmãs, teve a sua primeira experiência em palco no concurso musical Estrelas ao Palco (de karaoke) em 2002. Neste concurso, apresentado pelos jornalistas Jorge Antunes e Patrícia Pacheco, Ary imitou a cantora norte- -americana Lauryn Hill. O resultado, porém, foi uma frustação. Ary ficou-se pela terceira eliminatória, tendo decidido não mais continuar no mundo da música.Valeu o amigo Celso Roger que adorou a sua voz e aconselhou-a a dar continuidade a carreira.


Foi Celso que apresentou Ary ao produtor e cantor Heavy C. “Fui ter com ele e submeti-me a um teste no qual cantei a mesma música do Estrelas ao Palco. No final ele perguntou–me: onde andavas esse tempo todo?”, recorda. Nessa altura Heavy C, tinha acabado de lançar o disco da Yola Araújo e estava a trabalhar na produção do disco da Yola Semedo. Ary teve, por isso, a certeza que estava em boas mãos e foi a partir dessa altura que julgou ter chegado a altura de iniciar uma carreira profissional como cantora.


AO GOSTO DO PÚBLICO


A gravação do seu primeiro álbum Sem Substituições foi um processo moroso (só foi lançado vários anos depois, em Dezembro de 2007). Ary não cantava semba, nem kizomba, apenas soul music e bounce. A primeira versão do disco foi gravada na África do Sul, mas ao chegar a Luanda o produtor Heavy C foi peremptório – “Ary, o mercado nacional está complicado. Se queres singrar vais ter que começar a cantar semba. O gosto do público não está virado para a soul music”. Depois desse veredicto, das músicas gravadas na África do Sul mantiveram-se apenas as faixas Como Te Sentes Tu e Deixa Respirar. “Foi necessário mudar as restantes músicas e adequá-los ao estilo que o povo queria ouvir e dançar”, recorda Ary.


As músicas Carta de Amor (a que mais a marcou), Meu Grande Amor, Saint Toys, Back the Baby e Doce Mel, foram gravadas em Luanda. Em Paris gravou-se a música Sexi Baby com o francês Nicol. Amar Não é Assim e Casamento Só Pra Quê foram gravadas pelo próprio Heavy C, na Holanda.


Nessa altura a música Como Te Sentes Tu, do álbum Sem Substituições, causou polémica, principalmente entre os homens. A razão está na letra, na qual Ary confessa ter traído o seu parceiro pelo facto dele a ter traído antes. Entre risos a cantora comentou: “A verdade é que essa letra aconteceu comigo. Mas foi há muito tempo. Eu ainda era menina daquelas relaçõezinhas de beijinho. As mulheres adoram esta música, mas quem realmente escreveu a letra foi o Anselmo Raph”.


PRIMEIRO E ÚNICO ÁBUM


Cinco mil cópias foi o número de discos editados na primeira fase, que esgotou logo no primeiro dia do lançamento. “Numa primeira fase foram editados somente cinco mil CDs. Estávamos numa altura em muitos músicos estavam a «bater na rocha» (a ter insucessos comerciais). Como eu vendi todos os CDs logo no primeiro dia, voltei a reeditar mais cinco mil”, justificou. Ary garante que este sucesso não a surpreendeu. “Sempre fui uma pessoa muito optimista”, justifica.


Neste primeiro disco, Ary contou com a participação dos cantores Yuri da Cunha, Heavy C, Karina Silva e o francês Nicol. A participação no espectáculo do cantor cabo-verdiano Nelson Freitas, que cantou em dueto com Yuri da Cunha, foi um dos mais marcantes da sua carreira.


No dia desse show, recorda que na véspera do concerto ainda só tinha vendido cinquenta bilhetes. “A organizadora LP pediu-me que cancelasse tudo porque só faltava um dia para o show. Mas eu insisti que cantaria nem que fosse apenas para essas 50 pessoas. Para meu grande espanto no dia do show a sala abarrotou”.


Depois do sucesso nos palcos nacionais Ary fez uma tournée pela Europa no qual actuou em Lisboa, Bruxelas e Londres. Em relação ao sucesso repentino Ary afirma não ter sido fácil lidar com a fama em certas situações “já não me sinto exactamente igual ao que era. Agora sou obrigada a ser mais perfeita e muito cuidadosa em tudo o que faço. No princípio as pessoas faziam muitos comentários sobre mim. Os negativos faziam-me sentir pessimamente, mas a minha mãe aconselhou-me que se este era o caminho que eu escolhi, então tinha que ultrapassar tudo. É impossível agradar a todos”, diz.


O seu caminho para o êxito não foi isento de dificuldades. Ary, confessa que já passou por momentos muito difíceis. “um dos piores foi quando decidi andar atrás dos patrocínios para o seu disco. Cheguei até a ser assediada sexualmente”, confessa.


PROJECTOS

Ela acredita que a sua aparição na cena artística surgiu numa época muito boa em que a música angolana atravessa uma fase de vitalidade e crescimento. “O mercado está mais exigente. Os artistas angolanos têm que se esforçar mais, até porque são cada vez mais valorizados internacionalmente”, diz. Apesar de não falar nenhuma língua nacional, Ariovalda Eulália, também ambiciona um dia cantar na língua da sua origem étnica, Nyhaneca Nkhumbi. Recorde-se que Ary foi eleita, no final no ano de 2008, a “Diva do momento”.



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