Se tudo correr bem como se espera, o mesmo que dizer se 50 porcento dos eleitores mais um votarem na lista, o Benfi ca de Luanda entrará para a história do desporto angolano como sendo o primeiro emblema angolano a ser presidido por uma mulher. Este é um caso raríssimo em África, onde até agora só se conhece o exemplo da gregodescendente Anastasia Tsichlas, ex-presidente do Mamelodi Sundowns, da África do Sul.

Ao que o Semanário Angolense apurou, terça-feira última, 7, durante uma reunião, «Tchizé » dos Santos aceitou o convite que lhe foi formulado pelos dirigentes benfi quistas, há já algumas semanas. Para chegar a conclusão que estava em condições de dirigir os «encarnados» da capital do país nos próximos quatro anos, a candidata teve que consultar familiares, amigos e a direcção do partido que representa Assembleia Nacional.

De acordo com a nossa fonte,a opção da direcção cessante (presidida por Generoso de Almeida)por «Tchizé» dos Santos deve-se a várias razões, a começar pelo facto de ser benfi quista assumida, sendo inclusivamente a sócia n.º 130. Outro motivo dessa indicação é o cumprimento da chamada «Lei de Brigton», do Comité Internacional Olímpico (CIO), que recomenda uma representatividade de 20 por cento de mulheres nas associações desportivas internacionais e nacionais.

ImageAlém desses dois elementos, a nossa fonte assegurou que concorreu igualmente para a aposta em «Tchizé» dos Santos o facto de estar sempre motivada a encarar novos desafi os, como é o caso agora da presidência do Benfi ca de Luanda. A Direcção cessante, após análise do actual movimento associativo e desportivo do país, do mar de difi culdades por que passa o emblema da águia, do ambiente que rodeia a actividade dos principais clubes e organismos federativos, decidiu realizar uma profunda remodelação dos órgãos sociais, de modo a corresponder às necessidades dos tempos modernos.

O convite formulado a «Tchizé» dos Santos pretende igualmente provocar algum novo dinamismo no mundo do desporto nacional, pois pela primeira vez em Angola uma mulher assumirá a presidência de um clube, numa altura em que, justamente, se pretende elevar o nível de participação das mulheres na vida sócio-política do país. E nem a sua ascendência inibiu os seus proponentes, que julgam que o facto dela ser filha do Presidente da República não lhe pode privar o exercício dos seus direitos e deveres na sociedade, incluindo no associativismo desportivo.

Os benfiquistas pretendem com esta estratégia catapultar o clube, independentemente dos resultados desportivos, para uma estratégia de discussão com as entidades competentes, sobre o património do Clube, absorvido por terceiros no quadro da sua «extinção administrativa» pelo então Secretário de Estado de Educação Física e Desportos,Rui Alberto Viera Dias Mingas, em 1980. Com isso, perseguem também a defi nição de planos que visem a construção de instalações condignas para a prática desportiva e de ocupação dos tempos livres da juventude; sendo que o clube já dispõe de 12 hectares para o efeito no município de Cacuaco.

Os dirigentes «encarnados » pensam que «Tchizé» dos Santos, empenhada em alguns projectos empresariais ligados à juventude, possa igualmente contribuir para o reforço duma importante linha de actuação do Benfi ca de Luanda – as escolas de formação do clube e o apoio social aos jovens dos diferentes núcleos do Clube.

O Benfi ca de Luanda é um dos poucos clubes do Girabola que não possui qualquer ependência financeira de organismos ou empresas públicas, actuando com um baixo orçamento anual originado por contribuições de empresários individuais e amigos do clube, pelo que a presidência de Tchizé dos Santos pode potenciar alternativas de gestão que levem à estabilidade futura da colectividade.


*Silva Candembo
Fonte: SA



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