Luanda - O desejo da Igreja Católica de ver a Rádio Ecclésia se fazer ouvir ou ainda emitir também noutras regiões do país, que não apenas Luanda, soou, desta vez, sob a forma de um “último aviso” ao novo Executivo que resultou das eleições de 31 de Agosto último. Isso mesmo ficou expresso nas entrelinhas das declarações dos bispos angolanos que esta terça-feira terminaram a segunda assembleia ordinária da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST).


Fonte: O Pais

Desde 1993: Licença para retomar as suas emissões com todos os direitos

“Já esperamos tempo suficiente e não temos mais tempo a esperar. Nós reiteramos este desejo da extensão e queremos ver realizado este ano este desejo”, defendeu Dom Francisco Jaka, secretário geral adjunto da CEAST. Dom Jaka, secundado por Dom Gabriel Bilingi, expressou tal desejo durante a conferência de imprensa que serviu para fazer o balanço da reunião dos bispos da CEAST, terminado esta terça-feira em Luanda. O sentimento do sacerdote é que a extensão da Rádio Ecclésia é “uma questão de cidadania e não tanto uma questão do direito à informação”, manifestando a esperança de que, desta vez, “as promessas sejam uma realidade”.


Os caminhos da estação A Rádio Ecclésia foi fundada a 8 de Dezembro de 1954 e emitiu até 1977, sendo extinta formalmente a 24 de Janeiro de 1978, altura em que foi confiscada pelas autoridades vigentes depois da proclamação da independência, por alegado posicionamento crítico às políticas implementadas pelo governo do MPLA-Partido do Trabalho. Na altura, o momento político era bastante sensível com a vivência de acontecimentos resultantes da ressaca do 27 de Maio.


Mas antes mesmo, a 31 de Outubro de 1975, a rádio já não tinha a mesma postura em termos de independência informativa, pois passara ao controlo de quem detinha as rédeas do poder na altura, o MPLA. A estação, que emitia em ondas curtas, média e frequência modulada, viria a ser reaberta em 1997, readquirindo parte dos direitos de emissão no território nacional já que lhe foram retiradas as ondas curtas e médias, ficando com as emissões restringidas a Luanda e arredores onde é ouvida nos 97.5 megahertz.


Desde então, vem encetando um conjunto de diligências junto do Governo angolano, nomeadamente o Ministério da Comunicação Social, para tornar efectiva a sua audibilidade em toda Angola, mas sem sucesso até aqui, embora tenha recebido garantias dos vários ministros de que tão cedo quanto possível isso venha a acontecer. A última titular da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, garantira, durante uma visita à estação emissora, por ocasião de mais um aniversá- rio, em 2010, que a extensão do sinal estava dependente da aprovação da Constituição, após a qual toda a legislação ordinária haveria de ser conformada à carta magna do país.


Mas foi no consulado de Hendrick Vaal Neto que a ECA obteve, em 1993, a licença para retomar as suas emissões com todos os direitos, inclusive em ondas curtas e médias. Perante o arrastar da situação, um conjunto de cidadãos enquadrados pela Associação dos Leigos Católicos de Angola (ALCA) fez a recolha de milhares de assinaturas, ao longo do ano de 2012, para serem submetidas ao Chefe do Executivo, solicitando que o titular deste poder autorize a Rádio Ecclésia a emitir em todo o território nacional.