Luanda - A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) gaba-se do seu crescimento em Angola. Não há dados confiáveis sobre alardeado aumento do número de seguidores do bispo Edir Macedo no país.


Fonte: Club-k.net

Contudo, o crescimento patrimonial da IURD em Luanda, sobretudo, é inquestionável. Nenhuma instituição angolana, pública, privada ou mista, acumulou tanto património quanto a igreja do bispo Macedo nos últimos anos.


Neste aspecto, o  que chama atenção não é apenas a rapidez com que a IURD localiza e compra terrenos. O que é verdadeiramente espantoso são a celeridade e a facilidade com que consegue autorizações das instituições governamentais para construir templos e cenáculos, no interior dos quais se gera muita poluição sonora, em áreas eminentemente residenciais.


Além disso, a IURD também se transformou em mais um problema para o trânsito automóvel.  Por causa do seu exibicionismo, a igreja dos dízimos  constrói invariavelmente os seus templos em terrenos situados muito próximos a ruas bastante movimentadas. E isso tem-se constituído em mais um elemento perturbador do trânsito na caótica Luanda.


Nos últimos meses, o património  imobiliário da IURD  foi reforçado com a entrada em funcionamento do Cenáculo de Viana. O bispo Edir Macedo deslocou-se expressamente a Luanda em Junho para inaugurar esse edifício. Também na estrada de Viana, a IURD pôs este ano em funcionamento o primeiro supermercado do seu braço comercial, a Alimenta Angola. O outro foi construído no Camama.


Entusiasmados com o sucesso, os lideres da IURD prometem já para os próximos tempos novas infraestrutura. Falam, nomeadamente,  na construção de uma universidade e de outras infraestruturas de apoio à recolha do dízimo.


O segredo de todo esse sucesso material da IURD em Angola é um verdadeiro mistério para os angolanos. A generalidade das pessoas deste país  não faz a menor ideia  de como a IURD consegue tudo o que quer em Angola. Mas o renomado intelectual cubano Carlos Moor pode ajudar a explicar o mistério.


A edição de Abril da revista brasileira Raça Brasil inclui uma entrevista com o ilustre dissidente cubano. Para os angolanos, essa entrevista pode ser uma intensa luz no fundo do túnel. Ela ajuda a perceber muita coisa.


Na entrevista, Carlos Moor diz que as religiões de matriz africana têm vindo a perder progressivamente terreno a favor denominações e última viagem, como a Igreja Universal do Reino de Deus. O estudioso cubano atribuiu esse processo a "aliança entre as elites africanas cristãs e as igrejas evangélicas". Depois disso, Carlos Moor faz uma revelação desconcertante.


Segundo ele, o Presidente José Eduardo dos Santos é membro da Igreja Universal do Reino de Deus. " O chefe de Estado de Angola faz parte dessa igreja e muitas pessoas não sabem disso".


Essa pode ser a explicação para as facilidades concedidas à IURD em Angola.  "Em Angola, fiquei horrorizado quando vi a imponência dos templos que a Universal está construindo", confessou o cubano.


A entrevista do académico cubano pode ser encontrada em www.racabrasil.com.br. As facilidades concedidas à IURD incluem benefícios fiscais escandalosos, os quais isentam a Igreja do pagamento de quaisquer impostos, não obstante ela desenvolver ações lucrativas. Além disso, suspeita-se que à IURD tenha sido aberto um canal específico para drenar capitais angolanos para o exterior. Não há a mais pequena duvida que o dinheiro tirado a incautos angolanos em nome do dizimo é encaminhado em  para fora  do país, indo engordar ainda mais as já multimilionárias  contas de Edir Macedo.

Além de José Eduardo dos Santos, outros integrantes da sua família seriam também membros da IURD. Há pouco mais de 2 anos, uma revista angolana noticiou casamentos de duas sobrinhas do presidente angolano. Ambas se casaram na IURD e as duas  cerimónias teriam sido honradas com a presença de José Eduardo dos Santos.


Poderosa materialmente e com costas quentes, em virtude de supostamente ter entre os seus membros nada mais nada menos que José Eduardo dos Santos, a IURD tornou-se agressiva e intolerante. Nos últimos anos desencadeou uma verdadeira caçada a antigos e atuais jornalistas do Semanário Angolense que ousaram questionar a sua natureza. A todos os perseguidos, nomeadamente Graça Campos, Silva Candembo e outros, a IURD exige  indemnizações milionárias. Algo que está plenamente em conformidade com o seu verdaito objecto social: o lucro fácil e imediato.


Num país em que o culto de personalidade foi quase erigido em doutrina oficial, há o perigo de que o exemplo de José Eduardo dos Santos, se verdadeiro, venha a contaminar toda a nomenclatura. O que transformaria todo aparelho de Estado num instrumento ao serviço do bispo Edir Macedo.


Para já há conhecimento de apenas um caso: Bento Francisco Bento,um homem que fez carreira na JMPLA como marxista, não terá resistido aos "encantos" da IURD. O Actual governador de Luanda é descrito como um dos mais influentes membros dessa igreja em Angola.

Carlos Moore, o autor da revelação-bomba, é um intelectual cubano de mão cheia. Etnólogo e cientista político com dois doutorados da prestigiosa Universidade de Paris-7, França, ele foi banido por três décadas de sua terra natal, Cuba, como resultado da sua oposição às políticas raciais do regime de Castro. Fluente em cinco línguas, viveu e trabalhou em muitos países.  Viajou extensivamente em projetos de pesquisa etnológica no sudeste da Ásia, África e no Pacífico sul. Em 1982-1983, ele foi consultor pessoal ao Secretário-Geral da Organização de Unidade Africano (OUA), atualmente União Africana. As autoridades angolanas nunca comentaram a revelação do académico cubano.



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