Lisboa - Duas sociedades envolvendo a Trafigura, terceira maior empresa suíça, e altas figuras do regime angolano beneficiam de contratos de comércio de combustíveis avaliados em mais de 4,2 milhões de dólares, fonte de “lucros extravagantes”. Segundo investigação da ONG Suíça Berne Declaration (BD), no centro está o general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, conselheiro especial de Hélder Vieira Dias Jr. “Kopelipa”, chefe da Casa Militar da Presidência da República de Angola.

*Ires de Lucas
Fonte: Lusomonitor

Ligado a 4 mil milhões de dólares da Trafigura

“A Trafigura está a contribuir para enriquecer uma casta de governantes autocráticos, através das suas práticas de negócios opacas”, afirma a BD.

A entrar de forma cada vez mais incisiva em Angola, a Trafigura ter-se-á aliado ao general “Dino”, conselheiro especial de “Kopelipa”, resultando na união da Trafigura Pte e a Cochan Pte, ambas sediadas em Singapura. Deste casamento nasceu a DTS Holdings, com sede em Genebra.

Com um contrato de 3,3 mil milhões de dólares (em 2011) para exportação de petróleo angolano e fornecimento de todos os derivados de petróleo de que Angola necessita, a DTS Holdings regista “lucros extravagantes”, refere a investigação da BD.

O diretor da Cochan Pte. É o General “Dino” e o único accionista é a Cochan Bahamas. Na DTS Holdings, “Dino” é um dos diretores e um dos fundadores da Trafigura, Claude Dauphin, o outro.

Um segundo contrato de investimento de 931 milhões liga a Cochan (Angola) a uma outra subsidiária da Trafigura, Puma Energy. A Cochan tem a maioria nesta “lucrativa criação”, a Pumangol Holdings, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 2011, a Trafigura vendeu 20 por cento da Puma Energy à Sonangol Holdings Lda., “criando novas ligações entre a firma suíça e os seus interlocutores angolanos”.

O endereço postal da Cochan em Angola é o mesmo de muitas outras dezenas de empresas pertencentes a “Kopelipa”, “Dino” e Manuel Vicente, todos próximos de José Eduardo dos Santos, Presidente da República desde 1979. Em Portugal decorrem investigações criminais onde os nomes do general “Dino”, de “Kopelipa” e do vice Manuel Vicente surgem como suspeitos de evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

A DB advoga que a Suíça não se pode permitir a ser cúmplice numa actividade que decorre sem se considerar que “Angola está inserida no grupo de países mais pobres do mundo”. Afirma que as empresas estão a tirar partido da falta de transparência e regulamentação. Contactada, a Trafigura, mas a empresa não quis responder às questões da organização.

A DB é uma Organização Não-Governamental (ONG), nascida em 1968, conhecida por entregar um prémio, anualmente, às empresas consideradas mais irresponsáveis no que toca à preocupação com o meio-ambiente.



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