O dinheiro, revelou ontem o jornal britâni¬co The Telegraph, é proveniente do Fundo Global de Luta contra a SIDA, a tuberculose e a malária, que é financiado pelos Estados Unidos e vários países europeus críticos do regime de Harare. O painel técnico deste fundo gerido pelas Nações Unidas já deu luz verde ao pedi¬do de Harare que já dá "o apoio como certo".

A ajuda deverá receber confirmação oficial no próximo mês e será depois depositada no Banco Central do Zimbabwe, cujo governador, Gideon Gono, é um velho aliado de Mugabe suspeito entre organizações internacionais por desviar o dinheiro da ajuda para o regime.

O banco reteve mais de 470 mil euros de ajuda durante vários meses este ano. Um res¬ponsável de uma organização de solidariedade em Harare disse ao The Telegraph que muito di¬nheiro desapareceu do banco: "A remessa é desesperadamente necessária ao Zimbabwe, mas ninguém ficará descansado se for depositada no Banco de Central."

Creg Powell, um activista dos direitos huma¬nos em Harare, revelou que durante a eleição presidencial deste ano grandes somas de dinheiro em moeda estrangeira "desapareceram das contas de agências humanitárias locais". "Disseram-lhes que podiam levantar o dinhei¬ro à taxa de câmbio oficial - que era muito bai¬xa - ou que o receberiam no futuro."

O fundo global negou que o dinheiro de aju¬das tenha sido desviado e garantiu que o con¬trolo dos fundos é muito apertado.

O serviço de saúde do Zimbabwe entrou em colapso nos últimos meses. Não há médicos nem medicamentos básicos. A isso junta-se a fome que alastra por todo o país. A esperança de vida das mulheres é a mais baixa do mundo - 34 anos. O país está mergulhado numa crise política desde as eleições gerais do início do ano. Estão em curso negociações para a parti¬lha de poder com a oposição.

* HC
Fonte: DN



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