Mugabe e Tsvangirai separaram-se, após 13 horas de discussões na presença dos principais chefes de Estado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), apenas com o compromisso de participarem numa nova cimeira mais alargada.

Após uma primeira tentativa, abortada a 20 de Outubro, a SADC conseguiu enfim reunir ao redor da mesma mesa o partido do poder e a oposição zimbabweana, em presença do Presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe – na chefia da SADC –, do chefe de Estado moçambicano Armando Guebuza e de dois ministros da Suazilândia e da Angola.

Estes responsáveis esperam convencer Mugabe e Tsvangirai a chegarem a um consenso sobre a atribuição dos ministérios-chave do governo de união previsto por um acordo assinado no dia 15 de Setembro a fim de fazer sair o país da crise política em que está mergulhado desde a derrota do regime nas eleições gerais de finais de Março.

O acordo previa que o Presidente Mugabe, de 84 anos e no poder desde a independência do país, em 1980, permaneça em funções, e que Tsvangirai se tornasse primeiro-ministro.

Mas poder e oposição jamais conseguiram entender-se em relação à composição do governo e o Presidente acabou por atribuir, a 11 de Outubro, as principais pastas ao seu próprio partido, provocando a cólera do Movimento Democrático para a Mudança (MDC), de Tsvangirai

De acordo com um comunicado difundido no final da reunião, as duas partes não se entenderam em relação à atribuição da pasta do Interior, que tem autoridade sobre a polícia.

Mugabe recusa-se a ceder o controlo, ao passo que o MDC estima que deve ter agora a sua chefia, após as violências políticas de que foram alvo os seus partidários durante a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais e que acabaram por levar à desistência de Tsvangirai.

O texto pressiona ambas as partes a chegarem a um entendimento que ponha fim ao impasse actual e incentiva os 15 chefes de Estado da SADC a reunir-se “em cimeira a fim de examinarem a situação política actual no Zimbabwe de maneira urgente”. “O povo do Zimbabwe enfrenta desafios difíceis (...) que não poderão ser tratados antes de estar em funções um governo de união”, sublinha o texto.

O país está mergulhado numa grave crise económica e a impaciência cresce no seio da população, que já tentou ontem mostrar o seu desagrado em Harare. Oito manifestantes ficaram feridos e cerca de 50 foram detidos.

Secretário-geral da ONU diz que é “urgente” fazer sair o país da crise

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, estimou hoje que é “urgente” fazer sair o Zimbawe deste impasse político. “É urgente resolver o impasse político actual, a fim de que o país entre nos eixos”, indicou Ki-Moon em comunicado.

“O secretário-geral está perturbado pelo crescente custo humano da crise no Zimbabwe, em particular com os sinais de crise que mostram que a situação humanitária no país poderá agravar-se em 2008 e 2009”, continua o texto.

Fonte: Publico



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