Lisboa  - “Continuamos pacientemente a moralizar o angolano a demolir essa muralha do medo e reivindicar os seus direitos fundamentais”. Quem o diz ao LusoMonitor é Luís Rocha, um dos organizadores da manifestação marcada pela Primavera Angolana para 30 de Março. À semelhança de protestos anteriores, pretende-se contestar as mais de três décadas de poder de Eduardo dos Santos.

*iris de Lucas
Fonte: LusoMonitor.net

“Trinta e quatro anos de mau serviço público. Está na hora de serem impugnados, independentemente da mal amanhada peça de teatro que chamaram de eleições”, afirmou Luís Rocha em entrevista ao LusoMonitor. O problema são os nossos dirigentes que não conseguiram adaptar-se à passagem do totalitarismo monopartidário para a tolerância que se espera num país democrático”, adiantou.


Sete de Março e 2 de Abril de 2011 são duas das datas que marcam a realização de manifestações em Luanda. Levadas a cabo por um grupo de jovens que se denomina Primavera Angolana (à semelhança da Primavera Árabe), o apelo às mobilizações tem sido feito através do site Central Angola 7311 e da respectiva página de Facebook.


As manifestações juntam-se ao rap e ao hip hop em Angola como forma de protesto contra o regime vigente em Angola há mais de 30 anos. São sons e gritos de resistência de um grupo de jovens que procura mobilizar cada vez mais pessoas que defendam os seus propósitos.


A organização divulga durante a preparação das mobilizações populares uma lista de comportamentos a ter. Atitudes como respeitar os agentes de autoridade, “não utilizar objectos que fatiguem” ou acautelar-se com os falsos manifestantes são alguns dos exemplos de cuidados a ter no decorrer das manifestações.


São duas as principais dificuldades encontradas pela Primavera Angolana: a passagem da informação (têm poucos meios disponíveis) e conseguir com que as pessoas vençam o medo.


O grupo, que integra nomes como Carbono, Luaty (na foto) ou Mbanza Hamza, tem como objectivo  pressionar o executivo angolano para que venha a terreiro esclarecer desaparecimentos e mortes dos cidadãos angolanos Isaías Kassule, Alves Kamulingue, Mfulupinga Landu Victor e uma estrangeira: Milocas Pereira, jornalista guineense desaparecida desde Julho de 2012. A estes, o grupo junta os nomes de Alberto Chakussanga, Ricardo de Mello “e todas as pessoas anónimas cujo desaparecimento ou assassinato não tenham sido esclarecidos ou sequer investigados”, afirma Luís Rocha.


Embora este movimento não tenha tomado as proporções dos protestos que ocorrem desde 2010 no norte de África e no Médio Oriente, a Primavera Angolana acredita que conseguirão ver no poder outro governo que não o MPLA. Para a “manif” de 30 de Março, a organização espera entre 150 a 500 pessoas e consideram que, se houver mais pessoas, as suas expectativas estarão superadas.



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