Lisboa - Numa altura de grande agitação nas relações económicas entre Portugal e Angola, há um nome importante da alta finança que os jornais e revistas tiraram do anonimato: Carlos Silva. Considerado hoje um dos homens mais influentes nos negócios que envolvem os dois países, o vice-presidente do Millennium BCP nasceu naquele país africano em 1966 e é quem dá a cara pela Sonangol - principal accionista privado - na instituição bancária. Além disso, é o fundador e actual presidente do Banco Privado do Atlântico (BPA). A sua presença em Portugal está concentrada no edifício das Amoreiras Square, em Lisboa, onde estão todas as empresas de construção ou media ligadas ao banco que criou em 2006.

Fonte: ionline.pt

As suas relações com a Europa começaram quando decidiu vir para Lisboa estudar Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi nesta altura que conheceu Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares demissionário. Após a sua formação académica, em 1991, regressou ao seu país para exercer advocacia, tendo entrado para a banca.

De 1998 a 2001 representou o Banco Espírito Santo em Angola, tendo contado com o apoio o presidente executivo do BES, Ricardo Salgado. Mas foi a criação do Banco Espírito Santo Angola (BESA) que fez com que passasse a ser apenas um dos administradores, cargo que ocupou até 2006. Nessa altura, Carlos Silva cria o Banco Privado do Atlântico (BPA), de que é CEO até hoje, em paralelo com o cargo de presidente do BPA Europa e com o de vice-presidente não executivo do Millenium BCP.


Os grandes escândalos que se abateram nos últimos anos sobre as instituições bancárias a que está ou esteve ligado sempre lhe passaram ao lado. Em Março, o Expresso noticiou que Orlando Figueira, procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal que investigou vários casos relacionados com Angola, estava a trabalhar para o Millenium BCP, mais concretamente no departamento de compliance. Isto é, o departamento que executa medidas preventivas junto de quadros do banco para impedir que se verifique a prática de qualquer ilícito penal ou administrativo por parte de funcionários do Millenium BCP.


A DESCRIÇÃO EM PESSOA Apesar da relevância que tem nas relações entre os dois países, Carlos Silva sempre quis estar longe dos holofotes. Sendo possuidor de um vasto património em Angola, mas também em Portugal, o angolano ficou conhecido pelas suas longas estadas no Hotel Ritz de Lisboa. Há meses, a revista Sábado dedicou-lhe mesmo uma reportagem, considerando-o um dos mais assíduos e melhores clientes da unidade hoteleira, tendo ficado conhecido a partir daí como o “Senhor X”. Ontem voltou a não querer expor-se. Questionado pelo i sobre alguns aspectos da sua vida, Carlos Silva preferiu não fazer qualquer comentário.

EMPRESAS Além da banca, o angolano tem uma forte presença na área empresarial. Não sendo sequer quadro da Sonangol, a sua importância naquela empresa é conhecida por todos. Foi aliás com a entrada da Sonangol na estrutura accionista do Millenium BCP que Carlos Silva conseguiu ganhar toda a importância que hoje tem, uma vez que essa situação terá precipitado a saída do fundador Jardim Gonçalves e do seu braço direito Paulo Teixeira Pinto - enquanto o primeiro discordava da entrada da Sonangol, o segundo apoiava. O financeiro angolano, curiosamente, sempre conseguiu manter boas relações com os dois.


O investimento da Sonangol no Millenium BCP, onde a petrolífera detém uma participação de 19,44%, tem sido muito criticado em Angola por implicar a utilização de avultados recursos financeiros internos. Em causa estão os elevados prejuízos do banco, que já ultrapassaram os mil milhões de euros.


O angolano lidera ainda a empresa InterOceânico, constituída por diversos investidores angolanos e portugueses, dos quais se destacam a Sonangol, Global Pactum, António Monteiro, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Francisco Pinto Balsemão, chairman do grupo Impresa, Hipólito Pires, antigo representante exclusivo da SEAT para Portugal e que agora detém a representação da Saab em Angola, e Manuel Nabeiro, da família que gere a empresa detentora da marca ‘Cafés Delta’. Esta sociedade, com um capital social de 75 milhões de euros e cuja apresentação foi realizada por Carlos Silva em Fevereiro de 2011, pretende promover investimentos em Portugal, Angola, Brasil e China e que podem ser materializados na tomada de posições em empresas ou através do lançamento de novos projectos. “Acreditamos neste vértice - Portugal, Angola, Brasil e China - uma geometria onde podemos gerar valor para as famílias e para as nossas economias”, afirmou então Carlos Silva.


Tendo uma relação próxima da Mota-Engil, na qual tem uma participação no capital social da empresa em Angola, Carlos Silva está também à frente de grandes projectos de construção civil, como a sociedade Baía de Luanda - que tem como investidores a Sonangol, o BPA, o BCP e o Fini-Capital.



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