Adão Ramos, estudante de Ciências Politicas da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, afirma que “as universidades angolanas não estão preparadas para receber todos, sem constrangimentos, barreiras e em igualdade de acessos.”

Esta afirmação foi feita numa altura em que o cenário das universidades, não assegura a livre escolha dos meios e recursos disponíveis para as Pessoas com Deficiência, limitando assim a integração e a participação, pondo em causa a igualdade e as oportunidades.

Um levantamento feito as universidades, permitiu constatar que as universidades Técnica de Angola, Lusíadas, Privada de Angola, Óscar Ribas e Jean Piajet, não têm condições de acessibilidade as pessoas com deficiência.

Na Universidade Metodista de Angola, logo a entrada encontramos uma escada que não permite o acesso fácil as Pessoas com deficiência. Para um cidadão com deficiência em cadeira de rodas, poder entrar a universidade com relativa independência é quase obrigatório usar as instalações da Igreja Metodista, anexa as instalações da universidade.

No interior da universidade a mobilidade entre os pisos tem de ser feito por meio de elevadores.

Situação quase idêntica verifica-se no pólo do Palanca, onde observa-se algumas rampas a entrada, e no interior utiliza-se um elevador, cujas chaves ficam em posse de um funcionário que nem sempre esta a disposição das pessoas.

Importa realçar que os elevadores, apesar de constituírem um meio para minimizar o problema de acessibilidade. Constatamos que alguns são relativamente pequenos, não permitindo muitas vezes manobras com as cadeiras de rodas, e outros estão localizados em extremos dos edifícios, o que faz com que se tenha de efectuar um trajecto maior.

 “Se estivermos a falar de acessibilidade das pessoas com deficiência, no real sentido do termo, podemos concluir que a Faculdade de Letras e Ciências Sociais, não é inclusiva.” Rematou Adão Ramos, quando questionado sobre as condições de acessibilidade na faculdade em que estuda.

As nossas universidades e a própria Secretaria de Estado para o Ensino Superior, não perceberam ainda que a inclusão proporciona aos estudantes com deficiência, a superação de várias barreiras, assim como um crescimento académico significativo, a oportunidade de se socializar e de se beneficiar com as experiências não académicas, no ambiente universitário.

Quando procuramos saber os factores que influenciam para que as universidades, não tenham a acessibilidade como uma prioridade, está ou não relacionado com o pouco número de estudantes com deficiência o nosso entrevistado rebateu dizendo que “as condições de acessibilidade as universidades não devem depender da existência de um grande número de pessoas com deficiência a frequentar o ensino superior. Está visão é reducionista do que é evolução e inclusão social.”

Um dos factores relacionadas as barreiras arquitectónicas nas universidades, é o facto de constituir um assunto não debatido. Este cenário deve-se fundamentalmente a fraca sensibilidade dos gestores das instituições universitárias, dos governantes e pressão da sociedade civil.

Quanto as obras que estão neste momento a ser feitas na faculdade de letras e ciências sociais, que não contemplam a eliminação de barreiras, o nosso entrevistado diz ser uma demonstração deliberada de descriminação e pouca valorização das pessoas.

Das universidades visitadas, em nenhuma foi observado uma localização e medição de vagas de estacionamentos adaptadas as Pessoas com Deficiência, a maioria não possui rampas e portas de acesso, bem como, outros elementos adaptados como elevadores, salas de aula etc.

Diante da tanta dificuldade, Adão Ramos afirma que “as Pessoas com deficiência, que registem a estudar são heróis.”

As entidades gestoras do ensino superior, precisam estar conscientes de que as barreiras urbanísticas e arquitectónicas impedem as Pessoas com Deficiência de aceder determinados espaços das universidades, e estas dificuldades físicas podem implicar, num futuro, carências em seu desenvolvimento pessoal.

Neste sentido, existe um grande trabalho a ser feito na preparação da comunidade académica, à quebra das barreiras arquitectónicas, de atitudes e pedagógicas, apoio humano e material imprescindíveis ao pelo desenvolvimento das Pessoas com Deficiências.

Para tal torna-se necessário que por um lado, a Secretaria de Estado para o Ensino Superior, dei-a orientações precisas quanto a esta matéria, por outro, que as organizações da sociedade civil e pessoas com deficiência possam pressionar mais, a fim de garantir estes direitos e fazer valer a Constituição da Republica que estabelece que somos todos iguais perante as leis, e que não deve haver nenhum tipo de discriminação.


Gotinhas de boas práticas

Neste contexto de inúmeras barreiras arquitectónicas, de atitude e pedagógicas, aliadas ao estigma e descriminação as Pessoas com Deficiência.

Destacam-se a UnIA – Universidade Independente de Angola, que desde 2005 tem rampas de acesso e WC em melhores condições que as restantes universidades.

A Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, inseriu recentemente um sistema que permite as pessoas com deficiência visual, assistirem aulas normalmente.

“Das universidades em que já fui a UnIA foi a única em que encontrei rampas e casas de banho, preparadas para pessoas com deficiência. Por isso, devemos referenciar este avanço.” Frisou Adão Ramos.


*Will Bento Tonet, Jornalista independente
Fonte:
http://www.eficientes.blogspot.com/



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