A intervenção de “Kopelipa” foi  entendida pelos trabalhadores como  preocupação de “alto nível”  razão pela qual entendem que Manuel Almeida, o Director Geral terá desobedecido o Chefe da casa militar ao distorce-la no momento em que sentiram que  ele influenciou a  Direção dos Recursos Humanos a ameaçar-lhes que iriam despedir os trabalhadores aderentes a greve porque no entender daquela direção a mesma foi ilegal.

Há mais de sete meses que ambas as partes estavam a negociar um acordo colectivo de trabalho em que a empresa propunha aumentar 25% do salário contrariando aos 100% de aumento salarial  incluindo transporte e assistência medica exigida pelos funcionários. João Ernesto Pedro, o líder do Sindicato das industrias petro - químicas e metalúrgicas de Angola (SIPEQMA) é uma das individualidades que desde o inicio considerou que a grave era produto da falta de boa fé da parte da empresa que violou com alguns requisitos legais como por exemplo terem contratado novos  trabalhadores, o que não é permitido durante o processo em greve.

Informações fiáveis, confirmam que a greve dos trabalhadores da  Ghassist instalou-se devido a insatisfação ao denotarem discrepância “exagerada” dos salários comparando  aos dos  “simples”  funcionários, em relação, aos membros da direção  conotados com o poder político. Os salários destes últimos vão de três  a  sete mil dólares mensal ao que levanta suspeitas de que a  tabela salarial terá sido feita por critérios de conveniência no grau de  parentescos ou aproximação dos quadros do “top”.

CRITEIROS DE ATRIBUIÇÃO  DOS SALARIOS

Por exemplo, o Presidente do Conselho de Admiração (PCA) é Elvino Gouveia “Vinito”. Na ficha de salário oficial recebe  USD 7000 por mês. “Vinito” é uma das pessoas mais discretas na empresa. Foi o primeiro Director Geral da Sonair e tem passagem pela petrolífera Wapo.  É quadro competente e muito próximo ao General “Kopelipa” com quem mantem uma amizade desde os tempos do liceu.Um dos sócios de “Vinito”, conhecido por Andrade com quem partilha ações no restaurante  Tambarino é concunhado de Helder Vieira Dias “Kopelipa”. Esta ligação não é alheia a ida em Outubro de 2005 do Presidente da Republica José Eduardo dos Santos ao restaurante Tambarino jantar com a sua esposa Ana Paula dos Santos por ocasião da data natalícia da Primeira Dama

O administrador financeiro da Ghassit é Ary de Carvalho, um jovem formado nos Estados Unidos. Nos papeis oficias ganha USD 5000 de salário. Uma versão interna, em forma de rumores, diz que na practica leva para casa USD 7000. Ary é visto apenas, na empresa, no período da tarde visto que passa as manhas na  agencia Angolana do Investimento Privado (ANIP) onde também é um dos administradores. Apesar de lhe apontarem certa “arrogância” Ary de Carvalho é bastante respeitado pelos quadros da sua faixa etária  que fazem inveja do seu progresso laboral e do estilo de vida que leva. Vive entre Luanda e os Estados Unidos, onde se desloca quinzenalmente para ver a família e negócios numa empresa de bicicletas de que é acionista. É filho do Bispo da Igreja Metodista Emilio de Carvalho e ao mesmo tempo sobrinho do Embaixador Elisio de Figueiredo, uma figura intima do Presidente da Republica.

A directora dos recursos humanos é uma jovem de 31,  Katiana Ceita. Tem um salário na casa dos 3000 USD. É  formada em gestão de empresa na África do Sul. Embora seja uma pessoa discreta que nunca revela as suas “costas largas”, Katina tem laços de familiaridade com a Primeira Dama, Ana Paula dos Santos.

A Ghassit tem também cerca de 10 chefes de departamento cujos salários estão na casa dos USD 1700 (Com os subsídios o total fica USD 2200). Um jovem tratado por Vicente recebe esta ordem de  salário. Foi tirado do restaurante Tambarino para ser  assistente de Elvino Gouveia, o PCA. Alguns trabalhadores da sua linha beneficiaram recentemente de um empréstimos de 20 a 30 mil dólares havendo entretanto suspeitas internas  de que não tem sido descontados nos seus salários. De entre eles esta o  gestor de compras da empresa, Osvaldo, um  sobrinho do PCA.

ImageNo mês passado procedeu se  mudanças a nível da direção “intermedia”. O DG passou acumular as competências da direção de operação, antes ocupada por Joaquina José que apresentou largou o emprego. Uma outra jovem Fernanda Eduardo (na foto), colocada na área do Checkin abandonou também a empresa por alegada insatisfação salarial. Fernanda Eduardo que agora esta no Ministério do Plano é licenciada em gestão. O seu salário era de USD 450.

A estrutura intermédia é presentemente  integrada por Diogo Pontes (direção de Marketing,), Ana Bela Costa (gestão de clientes) , Maria João Neto,  (comunicação e imagem) e  Flora Baptista (responsável de Check-in), sobrinha de Maria Mambo Café do MPLA. Os salários destes quadros correspondem a USD 3000.

A maior parte dos trabalhadores da área operacional, em concreto a do pessoal que faz o carregamento e descarregamento de bagagem são provenientes da então direção da TAAG que fazia gestão do “handing” no aeroporto antes da década de 90. São senhores hoje com a idade avançada embora a empresa recrutou mais tarde jovens cuja mensalidade é de USD 280 mensal.

ARROMBAMENTO  DE BAGAGENS

A Ghassit apresenta um sistema de segurança adequado que neutraliza possíveis perdas de bagagens razão pela qual os passageiros quase que nunca apresentam reclamações embora os funcionários mais lúcidos sempre alertaram que os “magros” salários poderiam  um dia colocar os carregadores em situação inevitável.

Recentemente houve um mau estar  na empresa consubstanciado em  suspeita de arrombamento de bagagens. Dois trabalhadores Carlos Mauricio “Baduna” e Bernardo de Sousa Fonseca, este ultimo sobrinho do ex Embaixador Bernardo de Sousa, foram detidos por alegado desvio de pedras de diamantes supostamente extraídas na mala de um passageiro.  As suspeitas levantaram por terem comprado um carro de ocasião da marca “Toyota Corolla”. Na garagem da casa de Carlos “Baduna”, no bairro Nélito Soares, foi visto um carro Hiace que se alega ser seu. Diz-se que a Senhora antes mantivera um contacto com “Baduna” e que ofereceu-lhe  certa recompensa quantia para que este ajuda-se o segurança a controlar a mala. Baduna com a quantia que recebeu terá comprado um Hiace que foi visto na garagem de sua casa. O processo de denuncia foi conduzido  por um segurança Bibiano Capapa e Antonio Almeida, o Director da Ghassit.

Os acusados ficaram seis meses na cadeia. A cerca de três semanas foi solto Bernardo Fonseca. Não há evidencia que prove a acusação. Há , entretanto, uma outra versão que alega que a prisão de ambos foi por causa da deslealdade com uma passageira que viajava para o Brasil. Segundo esta versão a senhora viajava para o Brasil e solicitou os préstimos de um dos guardas que se presume ser Bibiano Capapa, para a segurar que a sua mala entraria sem problemas ate ao porão do avião carregada com a quantia de cerca de 100 mil dólares.

A senhora viajou mas regressou dias depois alegando que a sua bagagem não tinha chegado. O Segurança atribuiu culpa a Carlos Fonseca e a Bernardo Fonseca por terem sido um dos elementos que estavam em trabalho no dia que a senhora viajou.  Bibiano Capapa, ao que se diz falou com um amigo policia afecto a DNIC para que mantivessem prisioneiros os dois colegas. Foram inicialmente encarcerado sem culpa formal tendo a policia exigido certa quantia  para que fossem soltos. Não foi pago dinheiro porque as famílias ao tomarem conhecimento da situação procuraram intervir ate as ultimas conseqüências alegando ser um caso de injustiça.

OBJECTIVOS E CONOTAÇÕES AO MPLA

A Ghasist é uma empresa com caracter privado envolvendo três accionistas nomeadamente a MACGRA, ENANA e TAAG. Tem como Presidente da mesa de Assembléia Maria Mambo Café, uma figura respeitada do MPLA ao que suporta a conotações da companhia  ao grupo de empresas subdiciaria pertença a sector econômico do MPLA.

 É a única  empresa de handling  a operar no aeroporto internacional “4 de Fevereiro” garantindo  assistência de  carga, correio, bagagem, serviços de rampa, serviço de limpeza de aeronave  e load control (despacho operacional, documentação de trafego e emissão de folha de carga e de balanceamento). Foi formada em 1996 embora tenham  tomado dimensão efectiva a 1 de Julho de 1997. O trabalho que faz estava anteriormente  incluindo no pacote da TAAG, a companhia de bandeira nacional. A Ghaist  tem cerca de   600 trabalhadores dentre os quais 300 filiados,  no SIPEQMA, o sindicato que entreviu nos dias da greve.

Fonte: Club-k.net



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