Saurimo – A Liga da Mulher Angolana (LIMA) pretende – nos próximos tempos – exigir do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, autorização para a transladação dos restos mortais do líder/fundador da UNITA há mais de 35 anos, Jonas Malheiro Savimbi, “a fim de se realizar um funeral condigno na sua terra natal conforme reza a tradição bantu”.

Fonte: Club-k.net

A decisão consta no “comunicado final” apresentado durante o encerramento do III acampamento inter-provincial da LIMA realizado em Saurimo, capital de Lunda Sul, sob o lema “Mulheres Unidas em Defesa dos Direitos Humanos em Angola”.

O certame que congregou cerca de 807 membros daquela organização, subdivididas em três províncias nomeadamente; Moxico, Lunda Norte e Lunda Sul, fora presidido pela presidente nacional da LIMA, Miraldina Olga Marcos Jamba, e inseriu-se nas celebrações do seu 41º aniversário.
 
Jonas Savimbi, líder da UNITA durante mais de trinta anos, fora assassinado a 22 de Fevereiro de 2002, perto de Lucusse na província do Moxico, após uma longa perseguição efectuada pelas Forças Armadas Angolanas.

Há mais 11 anos, a família e os membros daquele maior partido da oposição angolana continuam a aguardar um enterro condigno para o político e guerrilheiro.
 
A decisão de transladar os restos mortais de Jonas Savimbi para o Lopitanga, município de Andulo, província do Bié, foi decidida em Dezembro do ano transacto, durante a última reunião da comissão política da UNITA. Porém, alguns meses depois a família e os membros daquele partido continuam, esperançosamente, à espera.

Recentemente, o porta-voz desta organização, Alcides Sakala, garantiu que este atraso se deve ao facto da aldeia onde se situa o cemitério da família de Jonas Savimbi ser uma área muito minada, o que está a dificultar o processo de transladação do corpo.

Por outro lado, as participantes decidiram “solicitar à Assembleia Nacional a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os casos de violação dos Direitos Humanos no Cafunfo, província da Lunda Norte”.

Ainda nesta senda, a LIMA repudiou veemente “os actos de intolerância política que culminaram com o assassinato de António Zola Kamuko e Filipe Chakussanga, ambos dirigentes da UNITA, no bairro do Paraíso, município do Cacuaco, em Luanda, no passado dia 2 de Junho do corrente.
 
Acompanhe na íntegra o comunicado:

COMUNICADO FINAL

A Liga da Mulher Angolana (LIMA) sob orientação da Presidente Nacional, senhora Miraldina Olga Marcos Jamba, realizou no Saurimo, província da Lunda Sul, de 20 a 21de Junho, o III Acampamento Inter-provincial que contou com a participação de 807 membros da LIMA do Moxico, Lunda Norte e Lunda Sul.

Este evento que decorreu sob o lema “Mulheres Unidas em Defesa dos Direitos Humanos em Angola”, inseriu-se nas celebrações do 41º aniversário da fundação da LIMA e teve os seguintes objectivos:

1º. Realizar uma análise da situação política, económica e social do país;
2º. Promover troca de experiências;
3º. Aprofundar a linha política do nosso partido UNITA;
4º. Analisar a situação social das Mulheres;
5º. Incentivar as mulheres para o estudo e formação profissional;
6º. Combater todas as formas de violência Doméstica, Discriminação e exclusão social;

Ao analisar os temas sobre as razões da fundação da UNITA, a Violência Doméstica, a Democracia e Direitos e a Igualdade e Equidade do Género, as participantes fizeram as seguintes constatações:

1º. A necessidade de se incrementar os cursos de formação política a todos os níveis;
2º. O aumento do índice de violência doméstica no país;
3º. A falta de democracia efectiva e participativa;
4º. A violação flagrante dos Direitos Humanos através de assassinatos, raptos, desaparecimentos de cidadãos, repressão das manifestações;
5º. A impunidade dos agentes da Polícia Nacional que maltratam os cidadãos;
6 º. A falta de liberdade de imprensa no país;
7º. A necessidade de maior representatividade das mulheres, nos órgãos de tomada de decisão nos partidos políticos.

Depois de acesos debates as participantes ao III Acampamento Inter-provincial chegaram as seguintes conclusões e recomendações:

CONCLUSÕES:

1º - A situação social da Mulher Angolana é caracterizada por um índice de extrema pobreza;
2º - O elevado índice de analfabetismo coloca as Mulheres numa posição de subalternização;
3º - A degradação dos valores morais e culturais desestrutura as famílias angolanas.

RECOMENDAÇÕES

1º - exortar o Executivo Angolano, para que os seus programas de combate à fome e a pobreza deixem de ser meramente propagandísticos e reflictam realmente a melhoria das condições de vida da população;
2º  - Incentivar os órgãos de Comunicação Social a produzir mais programas educativos para se combater os mais vícios tais como: o alcoolismo, a droga, a prostituição, a utilização da imagem da mulher na publicidade como mero objectivo de adorno;
3º - Exigir que Sua Excelência o Presidente da República autorize que sejam transladados os restos mortais do Presidente Fundador Dr. Jonas Malheiro Savimbi, a fim de se realizar um funeral condigno na sua terra natal conforme reza a tradição bantu;
4 º - Solicitar à Assembleia Nacional a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os casos de violação dos Direitos Humanos no Kafunfo Província da Lunda Norte.
5º - Encorajar a denúncia dos actos de violência Doméstica;
6º - Repudiar os actos de intolerância política que culminaram com o assassinato dos dirigentes da UNITA no Paraíso, Município do Cacuaco em Luanda no passado dia 2 de Junho, António Zola Kamuko e Filipe Chakussanga;
7º - Encorajar o associativismo e empreendedorismo no seio das Mulheres;
8º - Continuar a apoiar as questões de gênero e empoderamento da Mulher;

Para terminar as participantes ao III Acampamento Inter-provincial decidiram:

1º - Apoiar sem reservas todas as iniciativas e orientações emanadas da Direcção do Partido.
2º - felicitar o Sr. Presidente Isaías Henrique Ngola Samakuva pelo histórico périplo encetado aos Estados Unidos da América e Europa.
3º - Agradecer a Sua Excelência Presidente do partido por todo o apoio moral e material prestados, para que este III Acampamento tivesse lugar com sucesso, culminando com a vossa prestimosa presença para presidir o Acto Central das celebrações do18 de Junho, data da fundação da Liga da Mulher Angolana (LIMA).
4º - Reconhecer o apoio significativo prestado à LIMA pelos Secretários Provinciais da Lunda Sul, Lunda Norte e Moxico.
5º - Encorajar todas as Mulheres da LIMA para que se mantenha sempre firmes na defesa dos ideais da UNITA.
6º - Render uma homenagem merecida ao Saudoso Presidente Fundador Dr. Jonas Malheiro, promotor da dignidade e valorização DA Mulher Angolana.

LIMA – Pátria
LIMA – Unidade!

Lunda Sul – Saurimo aos 22 de Junho de 2013.

As participantes ao III Acampamento Interprovincial da LIMA

 

 

 



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