Luanda – O jornalista Mateus Gonçalves, da Rádio Luanda Antena Comercial (LAC), sagrou-se neste sábado, 07, em Luanda, vencedor da XX edição do Prémio Maboque de Jornalismo. O profissional recebeu do Grupo César & Filhos, promotora do evento, o valor de 100 mil dólares norte-americanos (equivalente a 10 milhões de kwanzas).

Fonte: Angop
Mateus Gonçalves, que convenceu o júri presidido pelo economista Justino Pinto de Andrade, superou na concorrência os colegas de profissão Salas Neto, do Semanário Angolense, Ramiro Aleixo, do Semanário Agora, e José Luís Mendonça, do Semanário Cultura.

Perspicácia, apurado sentido de intervenção e capacidade de questionamento foram os três principais atributos que garantiram ao jornalista Mateus Gonçalves a conquista desta edição do Prémio Maboque de Jornalismo. O profissional da LAC tornou-se neste sábado à noite, em Luanda, o jornalista mais conceituado do ano, em Angola, na visão do júri presidido pelo economista Justino Pinto de Andrade.

Segundo o júri do prémio, o profissional "é dono de um estilo próprio, com grande capacidade de questionamento nas áreas da profissão em que mais facilmente se movimenta". "Aborda as matérias com perfeito conhecimento, propriedade e com elevado espírito crítico. É um observador atento e equilibrado, que se pauta pela qualidade, oportunidade e pela regularidade", descreveu Justino Pinto de Andrade, presidente do júri, antes de anunciar o nome do vencedor.

De acordo com os membros do jurado, o distinguido com o prémio máximo desta edição "descreve, sem dúvida, o perfil de um dos expoentes do jornalismo angolano, com reconhecimento além fronteiras".

(MABOQUE PREMIOU DEZ CATEGORIAS)

A gala de distinção de 2013 esteve longe de circunscrever-se ao prémio de Mateus Gonçalves.
Ao todo, o júri e a organização premiaram nove profissionais (incluindo o homenageado) e um órgão de comunicação social, na classe colectiva.

Durante a actividade, assistida por dezenas de profissionais conceituados da imprensa pública e privada do país, foi homenageado Júlio Soares, da Rádio Nacional de Angola, considerado pela organização como um dos decanos do jornalismo angolano.  

Ausente por questões de saúde, viu o prémio avaliado em 34 mil USD ser recebido pela filha Gizela Borges, que disse ser uma honra a distinção do Grupo Cesar & Filhos.

(RÚBIO PRATA É PREMIO REVELAÇÃO)

O prémio Revelação foi a primeira opção das categorias em disputa, tendo  sido ganho por Rúbio Prata, do Semanário Agora. O jovem jornalista, que arrecadou 24 mil USD, mais uma viatura, concorreu com Matadi Makola, Jornal Cultura, e Dinamene Cruz, Televisão Pública de Angola (TPA).   

As reportagens com os títulos "Doentes Queimados vivem dias dramáticos" e "O pesadelo da rua Senado da Câmara" foram bastantes para o profissional convencer o júri, que o considera imparcial nos seus trabalhos e detentor de um profundo espírito de humanismo e sensibilidade.

"Parabéns ao grupo Cesar & Filhos por promover este prémio que visa valorizar os jornalistas, que encaram muitas dificuldades, sobretudo no acesso às fontes. Peço mais abertura às entidades e digo aos jovens que insistam, como eu", expressou o vencedor, antes de receber o prémio.

(REGINALDO SILVA DOMINA NAS OPINIÕES)

Seguiu-se a distinção na categoria Opinião, uma inovação no prémio, instituído em 1992. Reginaldo Silva, "free lancer", foi o grande vencedor, na disputa directa com Carlos Ferreira Cacé, do Novo Jornal, José Kaliengue, Jornal O País.  

Segundo o júri, trata-se de "um profissional de inúmeros recursos, que faz destacadas intervenções em vários órgãos de Comunicação Social, que tem uma enorme produtividade e grande poder de síntese. "É um exímio comentarista, com profundas reflexões e intervenções político-sociais, entrevistas e nas redes sociais. Tem alertado para questões de ordem cívica, moral e humana. Faz também observações acutilantes sobre crenças, cultura, desporto e a vida das populações", expressou o júri.

O prémio, avaliado em 24 mil USD, foi recebido pelo jornalista Teixeira Cândido, do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, dada a ausência de Reginaldo Silva.

(SANDRA RODRIGUES É A MELHOR LOCUTORA)

Depois foi a vez de tornar-se público o vencedor da categoria Locutor do Ano, ganha pela jornalista Sandra Rodrigues, da Rádio Nacional de Angola. A vencedora, que concorreu com Santos Júnior, da Rádio Benguela, Jorge Gomes, da Rádio Mais, e Angélico dos Santos, Televisão Pública de Angola, recebeu o prémio de 24 mil USD.

O júri justificou a escolha pelo facto de a mesma apresentar ao longo dos anos um grande sentido de auto superação, ter uma voz agradável de ouvir e uma colocação correcta e segura da voz. "Cativa os ouvintes com a força expressiva da sua voz e a estética da sua locução", expressou Albino Carlos, um dos membros do júri.

Em poucas palavras, a profissional disse que ainda não se sente uma profissional, mas vai lutar para dignificar esta distinção.

(PAULINO DAMIÃO É O MELHOR FOTÓGRAFO)

O vencedor do Prémio Imagem foi anunciado logo em seguida e coube ao repórter fotográfico do Jornal de Angola Paulino Damião, que mereceu o prémio de 24 mil USD. Este concorreu com "Ludmilson", Televisão Pública, Mariazita Monteiro Carvalho, Televisão Pública na província do Kwanza Norte.

Ao fundamentar a sua escolha, na voz do seu membro Africano Neto, o júri disse tratar-se de um dos mais experientes repórteres de imagem do país, cujo trabalho pauta-se pelo rigor, actualidade e impacto social. "A qualidade das suas imagens conferem-lhe um estatuto especial entre os profissionais da fotografia. É indiscutivelmente um dos principais formadores das várias gerações de repórteres de imagem do país", sublinhou o membro do júri.

Por sua vez, o vencedor foi lacónico e disse ser a melhor prenda de aniversário que recebera.
"Esta é para mim a prenda de aniversário", expressou o veterano profissional do Jornal de Angola, que completou quinta-feira 64 anos de idade.

(JORNAL EXPANSÃO É O ÓRGÃO DO ANO)

O Jornal Expansão arrebatou o troféu de órgão de Comunicação do Ano, com direito a prémio de 31 mil USD. Concorreu com a Direcção Provincial da Televisão Pública de Angola em Benguela e a Rádio Luanda Antena Comercial (LAC).

Segundo o júri, trata-se de um periódico actualizado, que insere em cada número um tema de interesse nacional, articulando sempre que possível a problemática da economia internacional, facultando, termos de comparação e recurso sistemático a articulistas especializados. "Foi durante o ano, dos órgãos de imprensa que mais evoluiu, tendo inclusive organizado conferências temáticas muito participadas", expressou a membro do júri Agnela Barros.

Ao receber o prémio, o director do jornal, Carlos do Rosado, ressaltou que se trata de um prémio colectivo, fruto de um empenho de vários profissionais, num órgão especializado que se propões "traduzir e explicar as coisas económicas de maneira simples". "Isso aumenta a nossa responsabilidade. Prometemos tentar fazer ainda melhor", referiu.

(JACINTO MANJOLO VENCE CLASSE DE LÍNGUAS NACIONAIS)

A modalidade de melhor Locutor em Línguas Nacionais ficou com Jacinto Manjolo, que superou Cesar Câmbue, da Rádio Benguela, e Marcial Pessoa, da Televisão Pública de Angola (TPA). Recebeu 31 mil USD.

A membro do júri Agnela Barros disse tratar-se de um excelente comunicador em línguas nacionais, que tem um programa diário de rádio com enorme audiência, "Sukama Passuka", uma "paragem obrigatória para os ouvintes da província do Huambo".

(JOÃO ARMANDO ARREBATA PRÉMIO DE MELHOR ENTREVISTA)

O jornalista João Armando, da Rádio Luanda Antena Comercial (LAC) arrebatou o prémio de Melhor Entrevista do Ano, na disputa directa com Manuel Vieira, da Rádio Ecclesia, Armindo Laureano, da Rádio Mais.

De acordo com o júri, o apresentador do programa Taxi Amarelo, que ganhou 31 mil USD, "é versátil e metódico na selecção das suas fontes e na escolha dos temas que aborda. "Prepara as entrevistas que faz com cuidado, conduzindo o diálogo de modo fluído e solto. Estimula o entrevistado a dar o melhor de si e coloca-o à vontade", expressou Amélia da Lomba, membro do Júri.

(NORBERTO ABIAS VENCE MELHOR REPORTAGEM)

Norberto Abias, da TV Zimbo, ficou com o prémio de Melhor Reportagem do Ano, pela reportagem em torno da seca no Sul de Angola. Teve direito a 31 mil USD, tendo concorrido com José dos Santos, do Jornal A Capital, e Júlia Gonçalves, jornalista da Rádio Nacional de Angola.

De acordo com Amélia da Lomba, do júri, trata-se de um jovem que revela confiança no futuro, que se destacou este ano com o trabalho que realizou sobre a seca e crise alimentar na região Sul de Angola. "É um tema de grande actualidade. Mostrou que a comunicação social pode despertar um papel activo no despertar das consciências mais acomodadas, alertando sobre a situação que vivem determinadas populações", expressou a membro do júri.

PRESIDENTE DO PRÉMIO MABOQUE QUER MAIS TRANSPARÊNCIA

O presidente do Grupo Cesar & Filhos, Armindo Cesar, recomendou neste sábado à noite, em Luanda, que o júri do Prémio Maboque passe a fundamentar melhor, a partir de 2014, os critérios de eleição dos vencedores das diversas categorias.

Segundo o responsável, que falava durante a gala de distinção dos vencedores de 2013, esta seria a forma mais fácil de reduzir eventuais contestações e aproximar mais o juízo do jurado às expectativas da classe.

"A partir do próximo ano, o prémio vai sofrer ligeiras alterações no seu regulamento. Vamos propor ao futuro corpo de jurado algumas alterações. Gostaríamos que pudesse demonstrar, do ponto de vista técnico, o porque de alguém ganhar, em detrimento de outro", referiu.

"Nomear jornalistas por apenas nomear não é justo nem é bom. Sei que aqui há entidades da classe que discordam de algumas decisões do júri. Portanto, também há entidades que concordam. O júri deve procurar aclarar essas nuvens cinzentas, dúvidas, tornando o prémio transparente", sublinhou.

Disse querer ver um prémio que premeia todos os jornalistas angolanos, independentemente do órgão a que trabalham, tendo adiantado que Justino Pinto de Andrade vai continuar a presidir o prémio. Em 2014, informou, o mesmo terá o seu último mandato.

Anunciou que este será coadjuvado por Amélia de Amélia, como mandam os regulamentos do prémio, à luz do qual a poetiza passará a presidente do júri a partir de 2015. Ainda assim, referiu, Justino Pinto de Andrade continuará a ter a faculdade de propor alterações internas ao corpo de jurado, acrescentando que vão propor a alteração do júri, cessando as funções de alguns, que serão rendidos por outros.

Referiu que não tem sido fácil suportar este prémio há 20 anos, lembrando que o mesmo foi criado num período conturbado da história de Angola: de guerra civil. "Anunciar uma iniciativa e mantê-la durante 20 anos não é fácil", expressou Armindo César.  



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