Lisboa - António Mosquito passou a controlar 66,7% do capital da construtora, assumindo a presidência do conselho de administração da empresa. A operação foi subscrita e realizada integralmente pela sociedade de direito luxemburguês GAM Holdings, detida pelo empresário angolano.

Fonte: Esquerda

Num comunicado enviado pelo Grupo Soares da Costa à CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários - é referido que foi assinado um acordo "com a sociedade GAM Holdings, sociedade de direito luxemburguês, totalmente detida pelo senhor António Mosquito" para a realização de um aumento de capital de 70 milhões de euros na construtora Soares da Costa.

Na sequência desta operação, o empresário angolano passou a ser o maior acionista da empresa, com 66,7% do respetivo capital social, estando os restantes 33,3% nas mãos da Investifino, encabeçada por Manuel Fino, anterior acionista maioritário da construtora.

António Mosquito assumiu ainda a presidência do conselho de administração da Soares da Costa, no qual estão também representados António Gomes Mota (vice presidente), António Castro Henriques, que continua como presidente da comissão executiva, Jorge Grade Mendes, Miguel Raposo Alves, Paulo da Conceição Marques e Roberto Pereira Pisoeiro, este último agora presidente executivo da operação em Angola.

No documento, é referido que o "conselho de administração da Grupo Soares da Costa, SGPS, S.A. reafirma o seu empenho na restruturação financeira do Grupo Soares da Costa e volta a sublinhar o particular relevo desta operação de capitalização nesse contexto, na medida em que permite mitigar os constrangimentos financeiros a que se encontra exposta a área de negócio da construção".

Quem é António Mosquito?

Segundo a imprensa angolana, António Mosquito Mbakassi gosta de se apresentar como uma figura independente dos partidos de Angola, mas a sua carreira de empresário também surge associada aos meios próximos de José Eduardo dos Santos. Mosquito assumiu a gerência da firma Oliveira Barros & Cia, onde trabalhava, quando os donos regressaram a Portugal. Natural do Huambo, praça-forte da UNITA, aceitou as oportunidades que lhe foram dadas pelo poder do MPLA no fim da guerra civil, mas nunca se filiou no partido.

O grupo empresarial que fundou - Mbakassy & Filhos - distribui os seus interesses pela importação de viaturas Audi e Volkswagen - na maioria com destino aos serviços do Estado angolano e ao uso particular da elite empresarial e política - e pelo petróleo, através da Falcon Oil, uma empresa registada no offshore do Panamá e da qual a ONG Global Witness afirmava ser detida também pelo traficante de armas condenado em França no 'Angolagate', Pierre Falcone. A empresa veio negar publicamente essa ligação em 2011. A Falcon Oil participa na prospeção e exploração em cinco blocos petrolíferos angolanos.

Os interesses deste empresário passam também pela construção civil, onde surge associado à Teixeira Duarte e à Odebrecht e pelo setor diamantífero, através da KSM-Kassypai Sociedade Mineira. Mas também pelas novas tecnologias: a sua empresa Microcenter surge como parceira da Novabase na empresa NBASIT, criada em 2010. Mosquito detém ainda 12% do capital do Banco CaixaTotta Angola, controlado pela Caixa Geral de Depósitos e o Santander. A Sonangol tem um quarto do capital do banco, colocado em sétimo lugar no ranking da banca angolana.

O nome de António Mosquito Mbakassi surge ainda associado ao negócio da instalação em Angola de uma linha de montagem de automóveis Volkswagen e Skoda em 2005. Segundo a investigação "MPLA, Sociedade Anónima", do jornalista Rafael Marques, a empresa vencedora do concurso, registada nos EUA, comprometeu-se a vender 49% da sua filial angolana a cinco entidades: a Mbakassi & Filhos, do novo dono da Controlinveste; a Acapir, de Tchizé dos Santos, filha do presidente angolano; a GEFI, empresa do MPLA; a Suninvest, da Fundação Eduardo dos Santos; e a Tchany Perdigão Abrantes, prima de Tchizé.

Foi publicado na altura que António Mosquito terá ficado desagradado por lhe terem sido retirados 16% da sua quota a favor da de Tchizé, entretanto nomeada vice-presidente do consórcio. Três dias depois da assinatura do contrato, o presidente Eduardo dos Santos mandou juntar à mesma mesa o representante da empresa vencedora e António Mosquito, para deixar bem claro em ata que não foram levantadas suspeitas de favorecimento da filha do presidente angolano. Eduardo dos Santos deu luz verde ao negócio numa reunião posterior do Conselho de Ministros.

António Mosquito adquiriu recentemente, em parceria estratégica com o genro de Cavaco Silva, Luís Montez, 27,5% do capital do grupo Controlinveste Media, detentor de órgãos de informação como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e a TSF.



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