Lisboa - A produção de petróleo em Angola só vai conseguir quebrar a barreira dos 2 milhões de barris por dia em 2017, escreve a prestigiada revista The Banker, num relatório de 13 páginas dedicado à terceira maior economia africana.

Fonte: Lusa/SOL

"Os analistas geralmente pensam que a previsão de Sonangol, de que as exportações vão chegar aos 2 milhões de barris por dia em 2015 são irrealistas, e mesmo que as petrolíferas estejam optimistas relativamente aos blocos terrestres e ultraprofundos [pré-sal], quaisquer descobertas daí provenientes vão demorar alguns anos até ficarem operacionais", lê-se no artigo na edição deste mês da revista The Banker, do grupo Financial Times.

As 13 páginas que a publicação dedica a Angola estão divididas em cinco partes: a primeira trata da história de Angola a seguir ao final da guerra civil e apresenta os principais desafios, a segunda debruça-se sobre o sector bancário e financeiro, ao passo que a terceira apresenta um perfil e entrevista com o governador do banco central, José de Lima Massano (na foto).

Os últimos dois artigos analisam, no essencial, as reformas macroeconómicas e os impactos para as empresas, nomeadamente no que diz respeito à lei que obriga aos pagamentos na moeda nacional aos fornecedores das petrolíferas e à nova pauta aduaneira.

Para a revista, Angola vai produzir 1,79 milhões de barris este ano, acelerando para 1,85 e 1,90 em 2015 e 2016, só quebrando a barreira dos 2 milhões no ano seguinte.

No que diz respeito ao crescimento económico, o abrandamento face às taxas de dois dígitos da década passada é também evidente, considera a The Banker: Angola terá crescido 4,1% no ano passado, acelerando para 5,3% este ano e 5,5 e 5,9 em 2015 e 2016.

Depois de passar em revista as taxas de crescimento económico e o "frenesim" que se vive em Luanda, com "gruas a rasgar o horizonte, construindo luxuosos escritórios, hotéis de luxo e apartamentos", a revista explica que "os dias de Angola poder contar com o petróleo para alimentar o seu forte crescimento acabaram", subscrevendo, aliás, a generalidade dos analistas e instituições internacionais, que apostam num abrandamento do crescimento económico de Angola.

"Depois de uma queda significativa em 2009 e 2010, causada por um 'crash' nos preços do crude, as autoridades angolana esperavam que a economia recuperasse rapidamente a sua força, mas a produção de petróleo tem estado estagnada desde 2009, quando desceu para os 1,8 milhões de barris por dia devido a problemas técnicos".

O resultado, afirma a revista The Banker, "é que o crescimento de Angola, apesar de alto para os padrões da África subsariana, está ainda longe dos níveis anteriores à crise".

Os dirigentes angolanos, assegura a revista, estão cientes da "necessidade vital" de impulsionar a economia não petrolífera, que nalguns sectores já é vibrante, como na banca, nas telecomunicações e no retalho, mas as dificuldades, conclui a revista, são mais que muitas, como a excessiva burocracia, os enormes engarrafamentos rodoviários, a falta de energia, os tribunais ineficientes e os altos custos de contextos.

O artigo termina com a mesma lição que a revista The Economist deixou na edição de 14 de Abril, e que tem a ver com as expectativas da nova geração de angolanos: "60% dos angolanos tem menos de 25 anos, com pouca ou nenhuma memória da guerra; a paz por si só não os satisfaz, eles vão querer empregos e mais prosperidade e, para isso, a diversificação económica é mesmo precisa".



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