Lisboa - As exportações de petróleo de Angola caíram em março para o valor mais baixo dos últimos três anos, fazendo as receitas resvalar 19% face ao mesmo mês do ano anterior, pondo em causa as metas para este ano.

Fonte: Lusa

"As exportações de petróleo caíram novamente em março, atingindo o volume mais baixo dos últimos três anos", pode ler-se no relatório mensal do BPI sobre as principais economias africanas, a que a Lusa teve acesso.

No documento, os analistas explicam, citando os números do Ministério das Finanças de Angola, que o país exportou 45,6 milhões de barris em março, o que compara com os 48,2 milhões de fevereiro e fica longe do pico de 55,7 milhões registados em abril do ano passado.

Para além disso, sublinham, "como o preço do petróleo estagnou, os lucros da exportação de petróleo caíram 6,1% face ao mesmo mês de 2013, e as receitas governamentais relacionadas com o petróleo aumentaram 9,5% face a fevereiro, mas caíram 19% face a março do ano passado".

Por isso, "face à dependência da economia do petróleo e do investimento público, que por seu turno está dependente das receitas do petróleo, o abrandamento na produção de petróleo representa um risco negativo para o crescimento" económico de Angola, concluem os analistas do BPI.

A evolução da produção de petróleo em Angola é um dos temas que mais tem dividido os analistas, havendo quem considere que a meta de chegar aos dois milhões de barris por dia no próximo ano é irrealista, mas também quem assine por baixo das previsões do Governo, que continua a considerar que a meta é viável, o que colocaria o país à frente da Nigéria, o maior produtor de petróleo no continente.

A 25 de fevereiro, durante a conferência de imprensa anual da Sonangol, a petrolífera reafirmou a meta de produção de dois milhões de barris diários em 2015 e durante cinco anos: "Quanto à meta de 2 milhões de barris por dia em 2015 mantém-se. Estamos a resolver os problemas que vão surgindo. Como contribuição para essa meta nós teremos a contribuição adicional de dois campos esse ano, um no bloco 17 e outro no 15/06. Significa que a nossa meta continua a mesma, de 2 milhões de barris a partir de 2015 e manter por cinco anos", assegurou o administrador Paulino Jerónimo.

A garantia da Sonangol surgiu cinco dias depois de a Lusa ter noticiado que o objetivo de Angola chegar ao primeiro lugar da produção de petróleo em África, destronando a Nigéria, tinha ficado mais distante no primeiro trimestre deste ano, de acordo com os números das exportações previstas de janeiro a março.

No primeiro trimestre deste ano, Angola exportou o equivalente a 1,533 milhões de barris por dia, ao passo que a Nigéria conseguiu enviar 1,917 milhões diariamente, o que faz com que, no final do primeiro trimestre, os dois países estejam separados por mais de 35 milhões de barris (172 milhões da Nigéria contra 137 milhões de barris angolanos).

De acordo com estes dados da agência financeira Bloomberg, compilados pela Lusa, Angola exportou no ano passado um total de 625,1 milhões de barris de petróleo, bem abaixo dos 719 milhões de barris exportados pela Nigéria, o maior produtor africano.

As exportações petrolíferas, aliás, ficam abaixo das próprias previsões do Governo angolano, que no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) estima que em 2013 teria chegado aos 673,6 milhões de barris.

O petróleo em Angola representa 97% das exportações e 80% da receita fiscal, mas a indústria petrolífera emprega apenas 1% da população, que já soma mais de 21 milhões, segundo o Banco Mundial, dos quais a maioria vive com menos de 2 dólares por dia, de acordo com os dados das Nações Unidas.



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