Luanda - O relatório económico da Universidade Católica de Angola (UCAN),  apresentado, esta semana, em Luanda, aponta que o crescimento da economia do país até 2017 será "insuficiente" para permitir "distribuir melhor" o rendimento nacional, essencialmente resultante da produção de petróleo.

Fonte: Lusa

As conclusões surgem do relatório económico de 2013 do Centro de Estudos e Investigação Cientifica (CEIC) da UCAN e baseiam-se numa expectativa de crescimento anual da economia angolana a taxas entre os 5 e os 5,5 por cento nos próximos anos. Enquadradas, por outro lado, num crescimento demográfico, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, que ronda os 3,2% por ano.

 

"Ou seja, o que resta para melhorar a distribuição dos rendimentos e melhorar as condições de vida da população é muito pouco, em termos de folgas", sublinhou o diretor do centro e um dos autores do estudo, Manuel Alves da Rocha.

 

De acordo com o relatório económico de 2013, citando dados oficiais, Angola apresentou taxas tendenciais de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) que rondaram os 10%, entre 2002 e 2008. Após a crise de 2009 e até 2013 esse crescimento tendencial anual cifrou-se abaixo dos 4%.

 

A diminuição da capacidade nacional de produção de petróleo e as dificuldades em concretizar a diversificação da economia angolana, que continua essencialmente dependente das receitas petrolíferas, estão na base desta previsão de médio prazo.

 

As exportações de petróleo de Angola - segundo maior produtor da África subsariana - cifraram-se entre janeiro e abril em 1,57 milhões de barris por dia, em termos médios, de acordo com dados do Ministério das Finanças, representando uma quebra de 9,2% face ao mesmo período de 2013.

 

"Os riscos são elevados", enfatizou Alves da Rocha, admitindo em simultâneo que o objetivo governamental de diversificação da economia ainda apresenta caminhos "tortuosos, longos e complexos".

 

"Não há, por enquanto, formas de compensar, ainda que sejam conjunturais [aguarda-se a entrada em funcionamento de novos campos petrolíferos], estas quebras de produção, do valor agregado e das receitas provenientes do petróleo, porque os outros setores ainda não têm as condições de sustentabilidade", disse o diretor do CEIC.

 

Apesar de admitir que este nível de crescimento, projetado, não deverá representar "consequências nefastas" para a vida atual dos angolanos, o autor do relatório também diz que o objetivo de melhorar a distribuição do rendimento pela população, traçado pelo MPLA, partido que lidera o Governo, deverá estar condicionado nos próximos anos.

 

"Ainda que seja 5,5% [de taxa de crescimento anual do PIB] é curto para que se possa iniciar um processo sustentável de alteração no sentido da melhoria das condições de vida dos angolanos", realçou.

 

Para o diretor do CEIC é necessário apostar "em bons investimentos" no setor público, nomeadamente na área da construção, e "pensar seriamente" em aumentos salariais, tendo em conta que o salário médio de um angolano rondou em 2012 os 37 mil kwanzas (280 euros).

 

"Até 2012, o principal fator de produção que beneficiou e beneficia do crescimento económico foi o fator capital e não o fator trabalho. Angola, num quadro africano e mundial, é dos países em que a participação dos salários no rendimento nacional é mais baixa", apontou Alves da Rocha.

 

Ou seja, em alguns anos "menos de 20%" do PIB angolano chegou aos trabalhadores, travando a diversificação da economia.

 

"Não se pode diversificar uma economia, lançar novas atividades, se não houver consumo. E para haver consumo tem de haver rendimento, poder de compra", enfatizou



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