A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, esteve na província do Kwanza-Norte, a presidir ao acto central do Dia da Cultura Nacional, que ontem se comemorou. Uma visita ao Dondo, município de Cambambe, comuna de Massangano, aos monumentos históricos da região, como a Fortaleza de Massangano, a Praça dos Escravos, o Túmulo de Paulo Dias de Novais, a Igreja da Nossa Senhora da Vitória, marcaram as actividades da ministra, que estava acompanhada de técnicos e especialistas nacionais.

Na ocasião, a ministra disse ser sua prioridade a preservação do Arquivo Histórico Nacional e acrescentou que “a preservação do património cultural é urgente, porque temos muitos monumentos e edifícios degradados que precisam ser recuperados”. E acrescentou que, pela dua especificidade, “cada monumento exige de todos um esforço conjunto para a sua manutenção e conservação”. “Vamos transformar os monumentos em espaços de cultura”, afirmou Rosa Cruz e Silva.
 
A ministra da Cultura assistiu também à exposição “Um passeio à Vila histórica do Dondo através das suas imagens”. A directora do Arquivo Histórico Nacional, Maria Alexandra, afirmou que o objectivo da exposição foi mostrar, através de textos e imagens, um pouco do Dondo, do século XVI ao século XIX, tendo em conta aquilo que foi o seu poderio económico, quando era um entreposto comercial na região.

“O objectivo é agora tornar estes lugares centros turísticos e pólos de desenvolvimento”, disse a directora Maria Alexandra.

Feira de arte e cultura

Na Feira de Artes e Cultura, realizada no Largo Primeiro de Maio pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco, a ministra Rosa Cruz e Silva recomendou aos agentes culturais da província que tornem estas actividades regulares e estimulem nos jovens o gosto pela leitura. Rosa Cruz e Silva sublinhou que o objectivo das feiras deve ser também o da promoção do artesanato, para mobilizar potenciais compradores: “estas actividades devem existir sempre e não apenas nas véspera das comemorações do Dia Nacional da Cultura”.

Gestão de Arquivos

Mas foi na abertura dos seminários sobre “Gestão de Arquivos”, “Dinamização Cultural” e “Gestão de Património Edificado e Classificado”, em Ndalatando, que a ministra afirmou ser necessário formar mais quadros. Este objectivo, que está em marcha ao longo de muitos anos, deve ser cada vez mais reforçado através de palestras, seminários para qualificar os funcionários nas diversas áreas, segundo referiu Rosa Cruz e Silva.

A ministra defendeu a necessidade se acabar com os amadorismos que têm presidido às acções do Ministério da Cultura. “Juntar trabalhadores provinciais num único espaço de diálogo é uma grande oportunidade para trocar experiências”, disse a ministra, que recordou aos participantes a necessidade de se conhecer a realidade socio-cultural de cada província.
O objectivo do Ministério da Cultura vai para além das acções de formação de curta duração. “Pretendemos construir escolas de artes para a formação especializada”, declarou a ministra, aludindo à construção da Escola Média de Artes, que vai minimizar as carências na formação na vertente artística.

A ministra exortou à participação dos agentes culturais e responsáveis das províncias de Luanda, Kwanza- -Norte, Kwanza-Sul, Bengo e Malange para que “nestes 15 dias de debate possam ser discutidos de forma ampla todas as questões relacionadas com os temas propostos em debates na Escola Superior Pedagógica”. O objectivo, segundo Rosa Cruz e Silva, deve ser o de todos trabalharem num inventário do património classificado para que haja técnicos dinamizadores das acções culturais, tornando acessível aos estudantes toda a documentação”.

Valorização das línguas nacionais

A cidade de Ndalatando foi ainda palco do “Seminário de Balanço da Área Kimbundu” que decorreu sob o lema “Valorizemos o Património Cultural”. A actividade teve 53 participantes oriundos de várias províncias e foi presidida pela ministra da Cultura, que esteve acompanhada pelo vice-ministro Cornélio Caley, o governador do Kwanza-Norte, Henrique André Júnior, o vice-governador, José Alberto, membros dos governos provinciais e funcionários do Ministério da Cultura.
Na abertura do seminário, o governador Henrique Júnior destacou a importância do estudo das línguas nacionais como factor de identidade cultural e pediu que se discutissem as diferenças entre a língua e o dialecto, a situação socio-linguística da província do Kwanza-Norte, como escrever correctamente o kimbundu, como resolver o problema do ensino da língua kimbundu em articulação com a língua portuguesa.

Na palestra “Línguas Nacionais no Ensino”, proferida pelo professor Vatomene Kucanga, foram tratadas questões como “língua, linguagem, dialecto, fonologia, revisão do alfabeto e da língua Kimbundu”. Os participantes recomendaram a aplicação do princípio da diversidade na fala e na escrita, o encorajamento do uso das línguas nacionais como factor de integração.

A ministra trabalhou com os sobas e recomendou a recolha de documentos da era colonial para se fazerem estudos e identificarem as figuras nacionais relevantes da época. Outra recomendação neste encontro foi a necessidade de encontrar espaços para a construção de bibliotecas.

 * Manuel Albano
Fonte: JA

 



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