Em Angola, as artes cénicas têm perpassado por diferentes períodos. No passado, a inexistência de estruturas condignas para o real exercício da modalidade compreendia as atenções dos agentes culturais. Nos dias de hoje, ainda não se ultrapassou essa dificuldade, mas um avanço tem sido implementado para o êxito das empreitadas artísticas nacionais.

O Ministério da Cultura manifesta-se aos soluços solidário com os seus filiados quando necessitam de auxílio financeiro. Em algumas vezes, chega tarde de mais, como nos casos de morte de músicos, escritores ou artistas plásticos.

A companhia de Artes Horizonte Njinga Mbande está engajada na preparação da sua participação no Festival de Teatro de Matosinhos e apela às instituições do País a ajudarem-na no plano financeiro.

De acordo com Adelino Caracol, director da companhia, revelou ainda não receberem apoio. "Vamos representar o País num festival internacional com vários grupos do Brasil, Moçambique, Portugal, agora sentimo-nos experientes e evoluídos tecnicamente. É necessário conquistarmos espaço além fronteiras, ganhar dinheiro e levar espectáculos de teatro aos angolanos que vivem em Portugal para que possam ter contacto com a realidade da produção teatral feita em Angola".

Vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de teatro em 2007, o grupo tem-se exibido em vários palcos nacionais e internacionais, com destaque para o Festival de Mindelo, Cabo-Verde.

A ministra da Cultura, a historiadora Rosa Cruz e Silva, procedeu, no dia 12 do mês em curso, à entrega de diplomas de mérito e honra a personalidades individuais e colectivas que contribuíram para o desenvolvimento e afirmação da identidade nacional.

Os agentes culturais distinguidos receberam um prémio monetário de 5 mil dólares. De acordo com uma nota de imprensa, o reconhecimento teve por critério o empenho dos laureados na divulgação das belas artes no País e no exterior, na formação da juventude angolana, preservação da cultura nacional e valorização da identidade cultural.

Não se questionam os critérios, mas verdade seja dita que os colectivos de teatro como Horizonte Njinga Mbande, Elinga Teatro, Twayovoca de Benguela mereciam uma apreciação nesta distinção.

João Eduardo, crítico de arte, é de opinião que o Ministério da Cultura não tem capacidade de responder a todas as requisições dos seus filiados. Neste caso, quando se trata de personalidades colectivas que elevam o nome do País além-fronteiras, podiam ser apoiadas por empresas estatais como Sonangol, Endiama, Banco de Poupança e Crédito e as instituições privadas que crescem com os lucros da população.   

Espera-se que, no meio desta pleiade de indiferenças artísticas, surgam individualidades que se solidarizem e estandam a sua boa fé ao grupo Horizonte Njinga Mbande que, mais uma vez, augura representar o País em terras portuguesas.  

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Fonte: Folha8


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