A TAP fez de tudo para crescer em Angola: instalou uma delegação no país e fez inúmeras diligências junto das autoridades, nas quais, aliás, o Governo português interveio. Nada mudou, no entanto. O último trunfo foi lançado há apenas duas semanas. Aproveitando a crise que a congénere TAAG atravessa, a transportadora nacional está a negociar a prestação de serviços de manutenção, certificação e handling com o Governo angolano.

Dionísio Barum, responsável pela operação da TAP no país, disse ao PÚBLICO que a transportadora portuguesa "enviou uma carta ao Governo angolano há duas semanas, sublinhando novamente a intenção de reforçar o número de voos e disponibilizando ajuda para recuperar a TAAG". Nesse documento, a companhia de aviação nacional detida pelo Estado sugere uma parceria através da prestação de serviços.

"Estamos disponíveis para os ajudar em áreas em que não estão a conseguir ser eficazes, como é o caso da manutenção de aviões, do handling e da certificação, com o apoio da Instituto Nacional da Aviação Civil (INAC). Oferecemos o nosso conhecimento e as nossas competências", acrescentou o responsável.

A TAAG enfrenta uma grave crise financeira (no último ano, deverá ter perdido, pelo menos, 55 milhões de euros), viu a sua administração ser demitida em Novembro e está inibida de voar na Europa por imposição de Bruxelas. Em Junho de 2007, entrou para a "lista negra" de empresas que a Comissão Europeia acredita não terem as condições de segurança necessárias para operar no espaço europeu. E nunca mais saiu.

"A TAP também tem interesse em que a TAAG recupere, porque o Governo angolano só avançará com a liberalização do espaço aéreo, se tiver uma companhia de bandeira forte", sublinhou Dionísio Barum. Este é um dos motivos que justifica a "ajuda" da transportadora estatal portuguesa, mas não é o único.

O responsável admite que "a cooperação da TAP [na recuperação da transportadora angolana] pode facilitar o reforço do número de voos". Actualmente, a companhia de aviação nacional tem sete ligações semanais para Luanda e está há um ano à espera de autorização para aumentar o número para, pelo menos, dez voos por semana.
 
Encontra-se, por isso, em negociações há vários meses com as autoridades angolanas, mais concretamente, com o Ministério dos Transportes. Em Julho do ano passado, quando o primeiro-ministro, José Sócrates, visitou o país com uma comitiva de empresários, chegou a haver uma reunião entre responsáveis dos dois governos. Isto depois de a TAP ter decidido dar novo fôlego à operação em Angola, com a mudança de Dionísio Barum, ex-director de vendas em Portugal, para Angola.

O mercado angolano é um dos mais importantes e mais rentáveis para transportadora nacional. Entre Janeiro e Setembro do ano passado, cresceu 23,2 por cento, o que lhe conferia um peso de 8,2 por cento nas receitas totais.

A TAP cresceu 12,3 por cento em termos de passageiros no ano passado, apesar de um abrandamento generalizado no tráfego mundial. No entanto, o aumento da procura não foi suficiente para compensar o crescimento da oferta, que rondou os 14,2 por cento.

As previsões para este ano apontam para uma subida de 3,3 por cento em termos de passageiros e de 4,1 por cento em termos da oferta, já que a transportadora decidiu inaugurar três novas rotas em 2009: Moscovo, Varsóvia e Helsínquia.

* Raquel Almeida Correia
Fonte: Público



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