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Na secretária da Sala Oval, na Casa Branca, Barack Obama não tem um computador, muito menos Internet. Tal como não teve nenhum Presidente antes dele. Se quiser estar on-line, o Presidente dos EUA tem de sair da sala e, na antecâmara, numa outra secretária, tem um computador à disposição. Os presidentes dos EUA não primam pelo uso de tecnologia: Bill Clinton foi o primeiro a navegar pela Web, mas não usou o correio electrónico. George Bush pai foi, em 1992, o primeiro Presidente a enviar um e-mail. Mesmo tendo governado quase uma década depois, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que George Bush filho recorreu a esta ferramenta.

A ausência de computador na secretária do Presidente é só um exemplo de como a Casa Branca pode parecer tecnologicamente atrasada (sobretudo para Obama e para a sua equipa, que levaram a cabo uma campanha fortemente assente em algumas das mais recentes ferramentas da Internet). Mas boa parte das restrições informáticas deve-se a razões de segurança e os factos que a imprensa internacional pintou recentemente como sinais de atraso tecnológico são comuns em muitas empresas e instituições.

A história arrancou com um artigo no prestigiado Washington Post. O texto narrava o facto de algumas linhas telefónicas não funcionarem, de sites como a rede social Facebook ou a ferramenta de micro-blogging Twitter estarem bloqueados e de não ser possível consultar o e-mail profissional a partir de casa.

Também foi notícia o facto de os computadores estarem equipados com sistemas Windows (Obama e a sua equipa são adeptos dos Mac) e de o novo site da presidência ter estreado no dia da tomada de posse, mas ter estado horas sem ser actualizado, por dificuldades técnicas que os responsáveis não esperavam encontrar. Além de tudo isto, não existe Internet sem fios no edifício e mesmo os portáteis têm de ser ligados com um cabo.

Depois de toda a atenção dada ao Blackberry de Obama (foi adoptada uma solução especial de encriptação de chamadas telefónicas para que o Presidente pudesse continuar a usar o smartphone, de que não se separou durante a campanha), a imprensa americana entusiasmou-se com o "atraso" informático da Casa Branca: proliferaram artigos nos sites e jornais e algumas televisões levaram até comentadores em estúdio para, em directo, analisarem o assunto.

Os responsáveis pela infra-estrutura de comunicações durante o mandato de Bush já se defenderam, notando que a saída de três mil funcionários e a entrada de outros tantos não é um processo em que tudo possa estar operacional imediatamente, sendo normal que alguns telefones e telemóveis não estejam a funcionar (depois de os funcionários da Administração Clinton terem deixado teclados sem algumas teclas, não falta quem diga que estas falhas são "partidas" para os recém-chegados).
A situação deu azo a queixas do staff de Obama e foi repetida pelos media a analogia com as consolas de jogos feita pelo porta-voz do Presidente, Bill Burton: "É como passar de uma Xbox para um Atari". A Xbox é uma moderna consola da Microsoft (em cujos jogos, aliás, Obama comprou anúncios) e o Atari é um sistema de jogos da década de 80 do século passado.

Restrições normais

A maioria das limitações informáticas em vigor na Casa Branca é, porém, normal em locais que exigem níveis de segurança elevados. Paulo Veríssimo, investigador e especialista em segurança informática, encara com naturalidade os casos relatados. "As redes sem fios são sempre um risco. Teria dúvidas em confiar na Internet wireless", exemplifica Veríssimo, explicando que os métodos de encriptação de dados permitido por estas ligações "não chegam" para o tipo de informação que se espera circular nos computadores da Casa Branca.

Também o facto de muitos sistemas instalados nos computadores terem já alguns anos (a nova equipa fala de alguns com seis anos e de versões anteriores ao Windows XP) não surpreende Veríssimo. Em locais como a Casa Branca, os sistemas informáticos são auditados e certificados. "Nestes assuntos, é preciso ter um cuidado imenso, não se pode passar a vida a mudar".

Outra das limitações é o envio de SMS. Apesar de um Blackberry ultraprotegido, nem Obama nem a equipa da Casa Branca podem enviar mensagens de texto pelo telemóvel. Para além das preocupações de segurança, há uma questão legal a ditar esta regra: todas as mensagens enviadas pelo Presidente e respectiva equipa são, por lei, arquivadas e tornadas públicas cinco anos após o fim do mandato - e, simplesmente, não foi encontrada nenhuma solução técnica eficaz para armazenar os SMS.

Face às dificuldades encontradas, muitos dos novos ocupantes da Casa Branca, como os assessores de imprensa, obtiveram autorização para comunicar através do GMail, a ferramenta de e-mail da Google. Este é precisamente o tipo de prática que muitas empresas proíbem: ao usar um e-mail externo, os dados circulam (e, quase sempre, ficam armazenados) nos servidores da empresa. No caso do GMail, a própria Google avisa que analisa automaticamente os conteúdos das mensagens e que estas podem ficar guardadas nos servidores "durante algum tempo", mesmo após o utilizador os ter apagado.

Segundo uma nota oficial, estes endereços provisórios de e-mail têm a seguinte estrutura: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. E quem quiser escrever ao Presidente americano pode, por agora, usar o Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. Obama não tem um computador na secretária (embora esteja em cima da mesa a hipótese de vir a ter um portátil), mas pode sempre usar o Blackberry.

Fonte: Publico

 



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