Depois de uma reunião no passado dia 26 de Janeiro o autor do livro “Para Onde Vai Angola?” e docente da mesma instituição foi chamado pelos directores pedagógicos, Lídia Lopes e Germano Pinto, que receberam a orientação para transmitir a decisão da proprietária do Colégio, Catarina de Oliveira. De acordo com os emissores, a proprietária alega que o professor tem abordado questões de natureza política na sala, mas o professor e autor Domingas da Cruz defende-se dizendo que é o programa de Filosofia que aborda questões políticas como democracia, direitos humanos, sistemas de governo, parlamento e outros. Por isso, não tem como escapar na abordagem destas questões, tendo em vista a realidade angolana. De acordo com os directores a razão de fundo é que o MPLA pressionou a militante para a saída do autor e professor, por causa do livro que na opinião deles é subversivo e hostil ao regime.

Nenhum professor está proibido de fazer abordagens políticas no sentido da “policy” excepto a política partidária. Como vedes, o MPLA não vai mudar por isso a guerra continua!
 
Ligação da proprietária com o MPLA
 
Sabe-se que a senhora Catarina de Oliveira é membro do MPLA assim como o seu marido que é um quadro senior do Banco Nacional de Angola (BNA). Isto é mais do que suficiente para compreender a ligação da proprietária ao sistema. Aliás em várias reuniões, de acordo com as nossa fontes a senhora disse em gesto de ameaça à aqueles trabalhadores que a enfrentam, «eu sou do MPLA por isso posso fazer o que bem quero e entendo, quem quiser submeter-se as normas impostas por mim fica que não quer rua». Muitas reclamações surgem por causa de descontos anárquicos. Inclusive a forma de pagamento do imposto de rendimento de trabalho é feito a sua maneira.
 
Enquadramento legal
 
A decisão para que o docente e escritor abandonassem o Colégio foi-lhe comunicado no passado dia 26 do corrente e de forma verbal, quando ter-se-á feito de forma escrita e com antecedência e devidamente fundamentada na Lei Laboral.

De acordo com as nossas fontes o professor e escritor contactou a proprietária no dia seguinte. Fê-lo ao telefone para que pudessem marcar um encontro no sentido de se esclarecer tudo, mas a senhora Catarina de Oliveira respondeu dizendo que «não sabia a que horas iria ao Colégio e que o Domingos da Cruz devia telefonar para a sua secretária no sentido de dizer a que horas é que ela iria a instituição». Se ela não sabe quando e a que horas iria ao Colégio e a sua secretária? Ridículo.
Tomamos também conhecimento de que o escritor já está a encetar as demarchas no sentido de repôr a legalidade por meio de mecanismos jurídico-laborais. Walter Tondela que é advogado do professor abriu já um processo para tratamento jurídico legal do assunto.

Não se entende como é que a investigação científica é motivo para a demissão de um profisssional. Como é que este país vai sair da miséria científica e outras formas de miséria que continuem a sina deste país e povo? O MPLA  e a sua militante ao agirem assim entram mais uma vez em contradição com o seu programa eleitoralista segundo o qual durante os quatro ano vão fortalecer a democracia e as liberdades.

Fonte: Club-k.net



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