"Depois de cinco anos de crescimento económico sustentado, alimentado pelo aumento da produção de petróleo, recordes dos preços internacionais e grandes fluxos de investimento estrangeiro, a expansão angolana está ameaçada. A causa principal da retracção é, ironicamente, a fonte da riqueza angolana: as suas substanciais exportações petrolíferas", refere o relatório a que a Lusa teve acesso.

A EIU "espera que o efeito combinado de menores receitas das exportações petrolíferas, quebra no investimento estrangeiro e abrandamento do investimento público, arraste o PIB real para um crescimento negativo pela primeira vez desde 1993".

O último relatório do economista-chefe do Banco Mundial sobre a economia angolana, divulgado quarta-feira, aponta como cenário mais provável uma recessão este ano em Angola.

O crescimento do sector não-petrolífero, diz Ricardo Gazel, mostra-se insuficiente para compensar a quebra nas exportações petrolíferas, grande fonte de receitas do país, que ao longo de 2008 atingiram máximos históricos graças aos preços-recorde da matéria-prima.

As estimativas dos diversos organismos apontam o sector petrolífero como fonte de entre 85 por cento e 90 por cento das receitas angolanas.

Os actuais números da EIU indicam que em 2008 o crescimento do PIB angolano ascendeu a 13,2 por cento, mas que este ano deverá cair para terreno negativo, menos 2,3 por cento, recuperando para 6,2 por cento no próximo ano, "em linha com o aumento da produção petrolífera e à medida que os anteriores cortes de produção são aliviados".

Apesar de ter vindo a reduzir nos últimos meses as suas previsões de crescimento, o governo angolano "recusa-se a admitir o risco de recessão" devido às eleições presidenciais deste ano, segundo a EIU.

"Este será um sério revés para os objectivos de desenvolvimento de Luanda, especialmente porque ainda no ano passado [o governo] comprometeu-se a alcançar uma série de ambiciosas metas de desenvolvimento humano", incluindo uma redução do nível de pobreza e de mortalidade materna e infantil.

Novas reduções nas previsões de crescimento oficiais são prováveis, mas "o Ministério das Finanças vai ver-se sob pressão política para manter a projecção de crescimento acima de zero, para que seja mantida ao menos a aparência de expansão", adianta a EIU.

"A imposição de cortes de produção ao nível da OPEP [Organização de Países Exportadores de Petróleo] e o colapso dos preços petrolíferos internacionais apontam para um fim abrupto da expansão económica angolana. Mas o governo mostra-se avesso a admitir que uma recessão completa está a caminho", prossegue.

As exportações petrolíferas angolanas terão rondado os 1,9 milhões de barris diários no ano passado, novo máximo histórico, quando em 2003 se ficavam pelos 878 mil barris.

No ano passado, diz a EIU, O valor das receitas de exportações rondou os 67 mil milhões de dólares (51.6 mil milhões de euros ao câmbio actual).

Integrado no grupo de publicações britânico The Economist, o gabinete de estudos EIU assina análises e previsões regulares sobre mais de 200 países de todo o mundo e seis indústrias "chave".

Fonte: Lusa



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