Cunene – O Club K (CK) tem feito um trabalho muito louvável. Porque tem sabido estar à altura da sua responsabilidade. Como obra humana não é perfeita. Isso é compreensível porque errar é humano como reza o refrão.

Fonte: Club-k.net
Aproveito esta ocasião para encoraja-lo a continuar com o seu trabalho corajoso apesar da fúria e dos muitos ataques dos inimigos do pluralismo e do contraditório.

O tema publicado pelo CK com o titulo: Ministros em Crispação contém algumas passagens que dão a entender que os cuanhamas são machistas. Que no Cuanhama as mulheres não valem, absolutamente, nada.

Curiosamente, nos últimos anos, a comunicação social pública e privada do nosso país tem vindo a publicar informações não abonatórias para com os cuanhamas.

No principio de 2010, a luz da nova constituição, formou-se um novo governo. Nele, se fundiam os ministérios do Comércio e o de Hotelaria e Turismo. Idalina Valente foi nomeada Ministra e Pedro Mutindi seu secretário de estado. Surpreendentemente, essa fusão foi sol de pouca dura, porque o Presidente da República (PR) voltou à posição inicial, isto é, Maria Idalina de Oliveira Valente  para ministra do Comércio e Pedro Mutindi para a Hotelaria e Turismo. Devolvendo a Mutindi a categoria de “Ministro”.

Muitos se perguntavam: por que do recuo Presidencial, sabendo que a fusão era lógica e conveniente? Quem é esse Pedro Mutindi que obriga o PR a mudar a sua decisão?
A única resposta existente até hoje, veio através do Semanário Angolense (SA).

Naquela altura, o SA publicou informações segundo as quais, Mutindi teria negado subordinar-se a Idalina Valente porque, por razões de sua cultura cuanhama, não aceitava ter como superior hierárquico alguém do sexo feminino. O SA continuou dizendo que o facto de Mutindi ser da estirpe real dos cuanhamas e a Unidade da Guarda Presidencial ser constituída, maioritariamente, por elementos da etnia cuanhama obrigou o PR a recuar. Tudo para manter a inexpugnabilidade da sua guarda. O SA concluiu que Mutindi é a moeda de troca da confiança dos soldados cuanhamas.

Independentemente das razões que fizeram retroceder o PR, muitas pessoas, principalmente, mulheres sentiram-se humilhadas em saber que o nosso presidente vergou-se diante dos caprichos de um individuo que despreza as mulheres. Um mais-velho, que no lugar de ser fonte de sabedoria e de boa educação, está a dar, as novas gerações, lições de incultura e de falta de civilização. Algo muito grave por criar um precedente.

Em Maio de 2010, apareceram no Jornal de Angola os supostos subsídios de Artur Queiroz. Segundo os mesmos, os militares portugueses apesar de terem feito muitas referências sobre Mandume, não descrevem uma única batalha travada contra ele. O senhor Queiroz concluiu, dizendo que tudo dito a volta do Rei Mandume não passava de lendas e estórias fantasiosas.

Pasmem-se! A se utilizar o jornal de todos nós como instrumento para exaltar os colonialistas e humilhar os angolanos. Em plena luz do dia, a se homenagear gente execrada, assassinos e estupradores que atravessaram oceanos para roubar, destruir e usurpar as nossas terras.

Um saudosista do colonialismo, pago com o nosso dinheiro, a lançar veneno, a atacar, a humilhar, a insultar gratuitamente e sem dó a história e o orgulho do povo angolano. O mais grave é que tudo foi feito com a cumplicidade daqueles que têm mandato para salvaguardar a honra e o bom nome do povo angolano.

Tendo em conta a ligação do senhor Queiroz com os colonialistas portugueses, é compreensível que ainda não tenha digerido o facto de aqueles delinquentes portugueses terem tombado, aos milhares, nas chanas da Mongua, abatidos pelas balas certeiras do Rei Mandume.

Agora, aparece o (CK) dizendo que Mutindi terá se fartado de usar o elevador da ala de entrada da ministra do Comércio, por ele ser “macho” e não querer humilhar-se perante uma mulher, conforme os mandamentos culturais da sua etnia cuanhama. Por isso, mudou a sede do seu ministério para outro edifício, construído de raiz, localizado no bairro Maculusso.

O senhor Mutindi tem usado com sucesso a astucia para se afirmar como dirigente político. Sempre se apresentou como sendo cuanhama. Por isso, toda conduta não civilizada do senhor Mutindi, automaticamente é relacionada com os cuanhamas.

Na verdade, ele é da tribo Humbe, uma minoria étnica no Cunene e na Huíla. Não se sabe de concreto, por que razão o senhor Pedro Mutindi usa a etnia cuanhama para justificar o seu machismo e os seus caprichos. Ele deveria ter a coragem de vir ao público e dizer as suas verdadeiras origens étnicas e políticas.

O desconhecimento que, neste país, se tem sobre os povos que habitam Angola, lhe tem ajudado a apresentar-se como cuanhama. Os que lhe fizeram chegar onde está, o fizeram pensando que estavam a promover um cuanhama. E desde então, é tido como cuanhama, porta-voz e representante máximo dos cuanhamas.

A verdade seja dita, a sua suposta condição de porta-voz e representante máximo dos cuanhamas tem sido muito prejudicial para os verdadeiros cuanhamas. No Cunene há um convencimento generalizado de que Mutindi tem sido ao longo do tempo, o principal empecilho contra a ascensão dos cuanhamas no aparelho central do estado e no partido MPLA.

Senão vejamos.  Os cuanhamas apesar de terem consentido enormes sacrifícios nas variadíssimas batalhas e feito votações massivas e repetidas a favor do MPLA, nunca, nunca mesmo, existiu um único cuanhama ministro ou então membro do bureau político desse partido. Todos se perguntam o por quê. Por quê?

Usar supostas razões culturais cuanhamas para defender caprichos é inaceitável,ofensivo à história, a honra e a dignidade dos cuanhamas e pretende atingir fins inconfessos. Afirmar ou acreditar que os homens cuanhamas não se subordinam as mulheres mostra um desconhecimento arrepiante da cultura e da história dos cuanhamas.

No Cuanhama existiu uma Rainha chamada Nekoto. Essa rainha administrou uma grande parte do Cuanhama.  Nesse tempo, não houve no Cuanhama, decisão sem aprovação de Nekoto.  Nos escritos dos missionários luteranos alemães abundam as referências sobre essa rainha. Foi na casa dela onde foi construído o Centro evangélico – Templo e escola da Igreja Luterana. Nesse Centro estudou Mandume e tantos outros filhos da nobreza cuanhama e não só.

Ainda existiram no Cuanhama outras mulheres destacadas. A actual rainha dos cuanhamas da Namíbia chama-se: Marta Nelumbu. Todos a respeitam e reconhecem as suas qualidades de grande líder.

Hoje em dia, no Cuanhama existem muitas mulheres líderes do poder tradicional. Também existem administradoras municipais, comunais e adjuntas. Diretoras provinciais, de escolas e hospitais, chefes de departamentos e secções. São respeitadas, queridas e tidas como excelentes líderes e gozam de grande respeito e consideração.

É oportuno informar que essas mulheres chegaram a esses cargos por mérito próprio e não por cunha ou a troca de algum favor qualquer. Fica demonstrado que a versão mutindista, segundo a qual os homens cuanhamas não se subordinam as mulheres não corresponde à verdade.

No Cuanhama as mulheres sempre tiveram lugar de destaque e a possibilidade de chegarem a qualquer cargo político ou governamental sempre foi real. Por tanto, as razões da cultura cuanhama que despreza as mulheres só existem na cabeça do senhor Pedro Mutindi.
Constitui uma ofensa gravíssima relacionar os cuanhamas com condutas antissociais, retrógradas e tresloucadas como a assumida por Pedro Mutindi de não querer subordinar-se a mulheres.

O Mutindi está a dar mostras claras de estar em contramão com a constituição do país e com os sinais dos tempos. Como é possível o governo angolano, que tem compromissos internacionais em matérias ligadas aos direitos das mulheres, aceita, ter, no seu seio, alguém que considera as mulheres como seres inferiores? Será que os discursos, feitos neste país em favor da igualdade de gênero são propaganda para o boi dormir?

As mulheres são inteligentes e competentes. A ministra Pacavira é um exemplo eloquente disso mesmo. Por isso, merece respeito e alta consideração.

O CK termina afirmando que Mutindi é considerado como soba e que goza de muita popularidade no Cunene. Recomenda-se ao Club K a consultar melhores fontes de informação. O próprio Mutindi sabe que no Cunene ninguém tem saudades da humilhação e muito menos do tribalismo praticado por ele ao longo do seu extenso e desastroso consulado.

Saudações.
Mãezinha.



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