Washington - Prevista para uma duração mínima de uma semana, a última deslocação do presidente do Conselho de Administração das Edições Novembro ao exterior do país resumiu-se a dois dias.

 

Fonte: Club-k.net

Sob a batuta de Artur Queiroz, o Jornal de Angola tornou-se no mais ácido inimigo da democracia

Há pouco mais de uma semana, António José Ribeiro (AJR) iniciou uma digressão pela Europa que o levaria nomeadamente à Alemanha, onde tentaria, mais uma vez, encontrar solução para a rotativa das Edições Novembro.

 

José Ribeiro interrompeu bruscamente o “passeio” europeu quando foi informado que técnicos do Tribunal de Contas estariam a caminho das Edições Novembro para apurarem denúncias sobre possíveis irregularidades envolvendo a compra da rotativa das Edições Novembro e sobre o contrato de trabalho que vincula o português Artur Queiroz àquela empresa.

 

No caso da rotativa, avolumam-se as suspeitas de que as Edições Novembro podem ter, voluntariamente, comprado gato por lebre.

 

O presidente do Conselho de Administração das Edições Novembro comprou como nova – e por isso o país dispendeu largos milhões de dólares - um equipamento que, afinal, não passará de ferro velho. Desde que foi inaugurada, com a pompa e a circunstância que envolvem todas as cerimónias a que o Presidente da República dá a cara, a rotativa sempre funcionou aos soluços. Diversos técnicos alemães, ligados à empresa que vendeu o equipamento, já estiveram em Luanda, mas nenhum deles foi capaz de encontrar uma solução duradoura.

 

Observadores avisados, dentro e fora das Edições Novembro, têm reiteradamente sugerido que as vindas e idas de técnicos alemães não resolverão o problema da rotativa.

 

Angola pagou aproximadamente 20 milhões de dólares para uma rotativa que, em estado virgem, custaria pouco mais de 12 milhões. No estado em que se encontrava quando as Edições Novembro o compraram, o ferro velho estava avaliado em alguns trocados.

 

Nas últimas semanas, a impressão do Jornal de Angola e dos demais títulos das Edições Novembro tem sido assegurada pela Dammer, uma impressora ligada ao grupo Média Nova.

 

Quando foi à Alemanha comprar a rotativa, Ribeiro tinha por companhia o seu inseparável Artur Queiróz.

 

Mas não é apenas o complicado imbróglio da rotativa que tem precipitado o surgimento de fios de cabelo branco no couro cabeludo de António José Ribeiro. O contrato de trabalho que vincula o português Artur Queiroz às Edições Novembro é outra fonte de dores de cabeça.

 

Por imposição de AJR, as Edições Novembro ofereceram ao luso cidadão um contrato de trabalho que faz dele, salvaguardadas pequenas distâncias, o melhor remunerado expatriado em Angola.

 

Nos termos do contrato, Artur Queiróz ou Álvaro Domingos, o que vem a dar no mesmo, embolsa mensalmente qualquer coisa como 11 mil dólares livres de impostos para dar formação a jornalistas das Edições Novembro. Estranhamente, porém, a cada formação que dá Álvaro Domingos recebe um bónus de 4.000 dólares, eles também livres de impostos. A lista de mordomias que as Edições Novembro concedem a Artur Queiroz, a quem José Ribeiro definiu como o “melhor repórter do mundo”, inclui, ainda, duas passagens aéreas anuais para e de Lisboa, onde tem a família, e ainda o acesso directo à tesouraria da empresa para pedir empréstimos, que nunca são reembolsados, em valores que quiser.

 

Artur Álvaro Domingos Queiróz chegou às Edições Novembro com a capa de formador. Mas rapidamente subverteu esse estatuto e transformou-se no principal decisor editorial das Edições Novembro. Nenhum título das Edições Novembro ousa publicar matéria jornalística que não tenha o aval do luso.

 

Artur Queiroz transformou o principal título da empresa, o Jornal de Angola, na principal tribuna de combate e achincalhamento dos partidos e líderes da oposição. Pessoas como Isaías Samakuva ou Abel Chivukukuvu, cujos partidos têm existência legal, são retratados nas páginas do Jornal de Angola e sempre pelo mesmo punho como se de confessos delinquentes internacionais se tratassem.

 

Já cidadãos sobre os quais pesam suspeitos de haverem cometido crimes de pedofilia ou de tráfico internacional de mulheres para fins de prostituição são tratados, nas páginas do Jornal de Angola, com a consideração só devida a pessoas honradas.

 

No entanto, dirigentes partidários, que têm respaldo popular para o exercício da oposição, são tratados como criminosos irrecuperáveis.

 

Sob a batuta de Artur Queiroz, o Jornal de Angola tornou-se no mais ácido inimigo da democracia.

 

Os especialistas do Tribunal de Contas que estão a caminho das Edições Novembro terão, certamente, oportunidade de verificar como e de onde saem os fundos que financiam a cruzada de Artur Queiroz contra a oposição angolana e seus legítimos representantes.

 

Servidor queimou?

Quando já era tomada como iminente a chegada de técnicos do Tribunal de Contas, começou a circular nas Edições Novembro informação segundo o qual fogo de origem desconhecida destruiu o servidor da internet que serve a empresa.

Nesse servidor estaria guardada toda a correspondência das Edições Novembro com o mundo exterior.

 

Nas próprias Edições Novembro suspeita-se que a destruição do servidor pode não ter sido acidental.

 

Mão humana pode ter conduzido o fogo para destruir correspondência eventualmente comprometedora. Pode não interessar a alguns círculos que a papelada que envolveu a compra da rotativa chegue a outras mãos.



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