Lisboa – José Julino Kalupeteka foi o único detido da Comarca da Kalima, na província do Huambo, que beneficiou recentemente de uma farda prisional nova (ver imagem: uniforme ainda com sinal de vinco, saído directamente do plástico). Foi também o único cuja cela foi sujeita a pintura.

Fonte: Club-k.net

Regime quer fazer acordo com líder da Seita 

A referida medida foi destinada a apresenta-lo aos órgãos de comunicação do governo para contrariar  o impacto das imagens que, inicialmente, circularam nas redes sociais em que ele apresentava com sinais de forte tortura, a que estava a ser sujeito por parte das autoridades.

A sua apresentação pública estava prevista para o dia 1 de Maio do corrente, porém as autoridades só viriam a fazê-la no dia 05, uma vez que precisavam antes que a sua ferida na testa se cicatrizasse e que recuperasse a sua estabilidade mental.

Logo após a sua detenção, José Kalupeteka foi sujeito a espancamento que o teria deixado inconsciente. Face ao estado de perca de sentido a que esteve, Kalupeteka não se recorda que teria sido transportado para Luanda, a fim de ser reanimado, no Hospital Militar da capital do país. À imprensa estatal, o mesmo declarou que estava a ser "bem tratado".

Até ao momento, José Kalupeteka ainda não assinou a procuração da Associação Mãos Livres, para ter David Mendes como seu advogado. Há informações de que o regime teria já indicado um advogado pertencente ao aparelho de segurança de Angola, para o defender.

Negociações com o regime

De acordo com as informações que circulam na província do Huambo, o "profeta" Kalupeteka está a ser acompanhado pelos Serviços de Inteligência Militar, que, por sua vez, estaria a convencê-lo a não culpabilizar o governo angolano pelo assassinato de centenas de fieis da sua igreja "A Luz do Mundo".

As autoridades, segundo a mesma informação, estariam a aliciá-lo a colaborar no sentido de criar uma suposta lista fantasma com nome de seus fiéis e vir ao público desmentir acusações publicas proferidas pelas formações políticas da oposição (UNITA e CASA-CE) que alegam a ocorrência de "genocídio no Monte Sumi" e em contrapartida confirmar apenas a morte de 13 fiéis.

A Televisão Pública de Angola (TPA) é dada como tendo já (em sua posse) um vídeo aonde José Kalupeteka diz que ele no "Monte Sumi" tinha apenas 30 obreiros e 40 crianças que estavam antes do confronto com a polícia angolana.



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: