Lisboa - As autoridades judiciais angolanas remeteram ao Tribunal Provincial de Luanda o teor de declarações forjadas para fazer acreditar que o preso político Henriques Luaty da Silva Beirão terá confessado que o objetivo dele e dos seus amigos seria usar barricadas de pneus na rua para exigir a destituição do Presidente da República, e que depois formariam um novo governo.

Fonte: Club-k.net

As declarações forjadas constam nas paginas 76, 77, 78  dos autos

Tais declarações forjadas constam nas paginas 76, 77, 78 dos autos das acusações da Procuradoria Geral da República (PGR) do general João Maria de Sousa imputadas aos 17 presos políticos.

 

Por outro lado, segundo fontes dignas de fé, o Sub -Procurador Geral da República, Luciano Cachaca Kumbua que conduziu os interrogatórios aos jovens terá negado, em fórum próprio, que tenha sido ele o autor da alteração das declarações que colocam Luaty Beirão a auto incriminar-se.

 

Há três semanas, a PGR remeteu ao Tribunal Provincial de Luanda o documento com as declarações dos arguidos. No ponto 17 da pagina 19 do referido documento pode ler-se a seguinte passagem incriminadora que se insinuam serem do activista.

 

“Henrique Luaty da Silva Beirão como confirmou nas suas respostas ao interrogatório de arguido, disse que nessas sessões realizadas aos sábados a tarde na livraria Kiazeke, o objectivo era a preparação de realização de ações para a destituição do Presidente da República e do seu governo, ao que se seguia a criação de um Governo de Transição, recorrendo a manifestações defronte ao palácio Presidencial exigindo a demissão do Presidente da Republica, com a colocação de barricadas e queima de pneus nas ruas (vide fls, 76, 77, 78 )”, fim de citação.

 

A defesa do ativista, contactada por esta redação, desmente que em algum momento Luaty Beirão tenha prestado tais declarações nos dias de interrogatório ao procurador Luciano Cachaca Kumbua .

 

Cultura de forjar documentos para incriminar activistas

 

De realçar que um episodio idêntico (de forjamento de documentos) aconteceu no mês passado de Agosto, em Cabinda, com o processo do activista José Marco Mavungo, acusado de crimes contra a segurança de Estado. Em tribunal, o capitão da Secreta Militar Joaquim Rufino Jamba que se diz ter sido a pessoa que viu os explosivos, na rua, revelou que o relatório da acusação (preparado pelo procurador António Nito) foi assinado por si, na qualidade de testemunha, mas não foi ele quem escreveu, as acusações contra o activista.

 

Neste caso de Henrque Luaty Beirão, os interrogatórios e os respectivos documentos foram preparados e assinados pelo procurador Luciano Cachaca Kumbua mas ele desconhece quem terá escrito a parte em colocam o activista a auto incriminar-se nos crimes que lhe são imputados.

 

Activista diz que  presos políticos provarão a sua inocência

 

Segundo com Pedro Teodoro do núcleo dos activistas revolucionário “Agora se percebe porque que o executivo do Senhor Eduardo dos Santos recusava, desde a semana passada, aceitar o apelo do povo para transferir o Luaty para um hospital com condições para ele se tratar.”

 

“Eles sabiam que em caso de fatalidade, pelo menos iriam saber se safar deste caso alegando que o Luaty confessou na PGR que queriam dar golpe de Estado. Sabem, que num cenário destes o Luaty não estaria mais aqui para e defender”, disse o activista prometendo que irão continuar a” rezar pela saúde do nosso irmão e dos outros para provar a sua inocência caso o MPLA não indique um juiz que recebe ordens superiores como o Carlos Baltazar”

 

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