Lisboa -  Está a ser atribuído ao coronel António Gamboa Vieira Lopes, ex-delegado do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE) de Luanda, a autoria de uma exposição destinada ao PR José Eduardo dos Santos (JES) cujo conteúdo avança detalhes a cerca do misterioso comandante que  ordenou um grupo de agentes da DNIC, a assassinarem o activista Alvés Kamulingue, em Maio de 2012.

Fonte: Club-k.net

Dossiê dos activistas executados pelas autoridades angolanas

Na exposição datada de 26 de Março do corrente ano, o articulista – que se encontra como recluso na cadeia de Viana - revela ao PR que Alvés Kamulingue era um agente duplo ao serviço do SINSE e que estes detalhes nunca foi dado aos agentes da Polícia Nacional. 

 

“Nós, SINSE, não informamos a PN do duplo papel que Kamulingue desempenhava, pois que isso poderia comprometer no futura a sua identidade secreta de agente nosso. E realce, que não informamos nem nesta, nem noutras ocasiões”, lê-se na exposição (em anexo), acrescentando que “o comandante provincial da Polícia Nacional em exercício e chefe do posto comando, DIAS DO NASCIMENTO, afirmou (e isto consta do seu auto de declarações em tribunal) que diante deste meu telefonema, accionou a Brigada Motorizada para o referido perímetro”.

 

“E disse também, que por sua própria iniciativa, porque os manifestantes sempre que se deparam com força policial fardada escapam-se, então telefonou ao Director Provincial da Investigação Criminal de Luanda, AMARO NETO, para formar e enviar uma equipa a paisana (equipa essa que viria então a abordar ALVES KAMULINGUE e mais tarde executa-lo) e que me contactassem”, continuou.

 

“A equipa da Investigação Criminal contactou-me a pedir que queriam trabalhar com o manifestante e precisavam de indicação. Com essa solicitação Eu, Delegado do SINSE, a data dos factos, orientei o meu adjunto para que desse as indicações do ALVES KAMULINGUE à equipa da Investigação Criminal”, lê-se ainda no documento, continuando que “assim, o meu Delegado Adjunto subiu na viatura Toyota Land Cruiser do responsável da equipa da Investigação Criminal MANUEL MIRANDA e indicou-lhes o ALVES KAMULINGUE”.

 

O antigo delegado do SINSE, esclareceu ainda que "da referida viatura desceu um oficial da Investigação Criminal e com outros indivíduos da DPIC que já se encontravam junto ao Colégio Elisangela, abordaram o ALVES KAMULINGUE e introduziram-lhe numa viatura KIA - Spark da DPIC Ingombota            e mesmo sem contactar com o responsável da equipa de Investigação Criminal com o qual o meu Adjunto se encontrava no interior da viatura daquele (Toyota Land-Cruiser), dirigiram-se ao Benfica. Isto mostra claramente que aqueles elementos da Investigação Criminal já tinham um plano traçado com antecedência e que a partir daí só estavam a executá-lo. Tendo o meu Delegado Adjunto se apercebido de tal facto, de imediato me comunicou que ALVES KAMULINGUE já estava com a Policia e que esta se dirigia ao Sul de Luanda. Diante deste relato do meu Adjunto, solicitei-o que acompanhasse o trabalho da polícia e visse como é que o nosso agente secreto se iria comportar”.

 

“Chegados a Zona do Ramiro, quando o agente foi transferido da viatura SPARK para a Toyota Land Cruiser do responsável da equipa da Investigação Criminal/DPIC, já vinha com as mãos e os pés atados”, explicou, avançando que “introduziram-se numa picada e chegados a um local ermo, foi posto de joelhos e de seguida o Sr. Manuel Miranda da DPIC ordenou a um dos seus subordinados que disparasse contra o ALVES KAMULINGUE.”

 

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