Lisboa - A Guiné-Bissau tornou-se num exemplo mais próximo, para as sociedades  luso-africanas. Naquele país foi assassinado um presidente! Este se iniciara nessa veste, depois de um golpe de estado ao irmão de Amílcar Cabral, o pai da liberdade do Povo guineense e que obrigou a  bifurcação do PAIGC, derivando o PAICV; anos mais tarde retirado também através de um golpe de estado, que lhe forçou o exílio; que retomou o poder em 2005, arriscou uma destituição violenta tempos depois da segunda entrada, exactamente há poucos meses.

Numa acção que parecia ter respondido de forma  rápida  à máxima arrepiante - dente por dente, olho por olho – Nino Vieira foi morto no dia 2 de Março, para vingança de Tagmé na Waié, assassinado na véspera,  através de um atentado à bomba. Criava-se desta forma, mais uma vez, os traços conhecidos dum percurso  desgraçado e alvoraçadamente interessante, nos registos da história da Guiné-Bissau. De mais traços ainda, para a história dos reboliços violentos e sangrentos do temperamentalismo  das políticas africanas. Os  sinais suis-generis, que deixam a marca enfezada do operandus bantu.

 A impetuosidade da rebeldia dos fulas, mandingas, balantas e outras mais tribos, fora nos tempos da dominação colonialista,  a combustão duma resistência e luta,  que pôs em evidente dúvida  a continuidade do  governo colonial português na Guiné.

Hoje porém, como se  por ironia do destino se tratasse, a nobreza do espírito que aflorou esses povos  aguerridos, parece ter sido aviltada com  o assassinato do pai da revolução guineense. A impetuosidade mantém-se. Contudo, passou a servir unicamente a gratuidade das posturas da imbecilidade, reforçando assim o  timbre que serve de logotipo à lastimável imagem africana. E como se não fosse muito, deram inclusive uma  prestação tão ousada para a má-fé, que os  grandes cartéis do tráfico internacional, podem contar com a inglória fidelidade de grandes e muitos, tendo-os hoje como novos curadores determinados, na expansão  africana da droga.Que caminhos trilha a Guiné-Bissau? Que destino a amaldiçoou deste modo?!Os balanços,  da rota política e social  desta terra, são enunciados nestes tempos com  vozes pesadas e lamentosas, porque na sua vida democrática, se estampou a consternada conclusão que: - nunca um governo sobrevivera o tempo normal para existir legalmente! Mistura-se assim, a vergonha de muitos com a pena de todos, tentando-se isolar a culpa de alguns.

 Fica no entanto a responsabilidade de ninguém em todo este intrincado mosaico perverso de intolerância política, concorrência tribal, ambições mafiosas e o temperamento fleumático à flor-da-pele.Restará talvez, retirar  de todos estes venenos, a maior porção possível da vergonha e usá-la como antídoto desta tendência que, não se podendo explicar bem como, se instalou como uma estranha enfermidade. E nessa situação, só uma posologia de utilização reforçada e sem contenção, em lugar dos orgulhos injectados até agora por vício, fará obter com certeza,  o efeito de serenidade social e o aplacamento do nervosismo político e da militariomania desenfreada de que se está acometido.Matar-Morrer, serão binómios terríveis que traduzem equilíbrio. Porém um equilíbrio apocalíptico!

Só os tradicionais magos medievais ou os feiticeiros desesperados por cadáveres para os sonhos e para as experiências do mester, apreciarão estes desfiles. Aparte-mo-nos todos deste filmado real e retrógrado que se alonga como uma série em permanente continuidade; aparte-mo-nos em suma, da permissividade dum progresso, instigado por mecanismos de tempos bárbaros.

A irremediável negação absoluta e  despreconceituada do feio e do mau,  será   um bloco  contra toda esta perversidade que obriga,  assim como a mim, africano, a apelar que a condição bantu, não tenha a conversão do simples adjectivo pejorativo, da  característica comportamental africana. É hora di bai!...
   
*Mario Santos
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Fonte: Club-k.net



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