ImageLuanda -  Estão a ser assinaladas na elite angolana atitudes individuais reveladoras de impaciência e/ou sobressalto face a previsões de novos apertos financeiros provocados por uma duração persistente da actual conjuntura de diminuição das receitas do petróleo e diamantes – únicas de um país que não dispõe de outro tipo de economia.

Casos típicos de tais atitudes – algumas das quais simultaneamente confundidas com contestação política:
- Iniciativas de alienação de património de luxo adquirido nos últimos anos em condomínios e urbanizações de Luanda; o propósito inferido é o de realizar capital e evitar encargos futuros de manutenção (são conhecidos casos de dirigentes que são proprietários de vários apartamentos ou moradias – adquiridos para usufruto próprio e de sua famílias ou para rendimento).
- Afirmação privada de "direitos" de participação em negócios de baixo risco e rendimento certo, em especial nos petróleos; legitimação de tais "direitos" com recurso a argumentos como o de estender privilégios reconhecidos a figuras do círculo presidencial.

- Escusa de devolução de casas de função e de viaturas por parte de dirigentes que cessam o exercício de altos cargos; o novo PM, Paulo Kassoma, habita na sua antiga residência particular, na Rua Manuel de Vasconcelos, Bairro Azul, por que o seu antecessor, e actual presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, ainda não abandonou a casa de função – alegando que Roberto de Almeida, ex-presidente da Assembleia Nacional, ainda não desocupou a que lhe é destinada.

Os rendimentos de parte da elite provinham dos diamantes – produção ou comercialização. O estado de aguda crise em que a indústria diamantífera se encontra (AM 354) privou-a de meios para manter outros negócios menos rendosos ou mesmo deficitários, em especial na agricultura (muitas quintas de simples lazer).

2 . O estado de impaciência que a elite denota é atribuído a conjecturas que circulam nos seus próprios meios segundo as quais os preços do petróleo vão manter-se baixos ainda durante muito tempo por efeito conjugado de dois factores:

- Baixo consumo ditado por contracção da economia mundial.
- Propensão dos produtores do Golfo e outros de venderem petróleo, ainda que a preços aviltados, de modo a conter pressões económicas e financeiras próprias – entre as quais algumas resultantes de aplicações mal sucedidas.

As referidas conjecturas são apresentadas como baseando-se em "projecções" de empresas de consultores internacionais que trabalham para a Sonangol. As receitas do petróleo constituíram nos últimos anos a principal fonte de investimentos e de acumulação privada que fez prosperar a elite nacional.

Fonte: AM



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