Luanda - O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, considera "aceitável" a atual cotação dos diamantes no mercado internacional, mas defende medidas para assegurar a estabilidade e evitar quebras bruscas nos preços, como aconteceu com o barril de crude.

Fonte: Lusa

A posição está expressa numa nota enviada hoje à Lusa pela Casa Civil do Presidente da República, referindo-se à reunião mantida na quinta-feira, em Luanda, com Ahmed Bin Sulayen, atual presidente do Processo Kimberley e presidente executivo da Dubai Multi Commodities Center (DMCC), a maior zona franca dos Emirados Árabes Unidos, que congrega cerca de 12.000 empresas.


Segundo a mesma informação, o chefe de Estado angolano salientou que os diamantes "estão com uma cotação aceitável no mercado internacional", tendo solicitado ao dirigente daquela entidade internacional que tenta travar o negócio dos 'diamantes de sangue' para "ajudar a assegurar a estabilidade do seu preço".

 

"Evitando-se que ocorra sobre o preço dos diamantes o contágio do preço do petróleo, nomeadamente a sua drástica redução e alta volatilidade", lê-se na nota enviada à Lusa.

 

Os diamantes são o segundo produto de exportação de Angola, depois do petróleo, e a exportação de 743.961 quilates em maio, segundo dados da Administração Geral Tributária compilados hoje pela Lusa, traduziu-se em vendas globais no valor de 76,4 milhões de dólares (67,7 milhões de euros) e um encaixe fiscal de 1.083 milhões de kwanzas (5,8 milhões de euros).

 

Angola vendeu no mês de maio, em média, cada quilate por 102,71 dólares, uma descida face aos 120,95 dólares de abril.

 

Angola vive desde o final de 2014 uma profunda crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra para metade nas receitas fiscais com a venda de petróleo face à forte descida da cotação internacional do barril de crude, que tem um peso de 98% nas exportações do país.

 

O presidente do conselho de administração da Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), Carlos Sumbula, disse em janeiro que os países produtores diamantíferos estão a reduzir a quantidade de pedras preciosas no mercado para travar a quebra nos preços.

 

"Em cooperação com todos os países produtores do mundo, estamos a reduzir a quantidade de diamantes no mercado para fazer com que a procura aumente e isso também aumentará o preço", apontou o administrador da estatal angolana, concessionária do setor.

 

Angola atingiu em 2015 um novo recorde de produção de diamantes, com 8,837 milhões de quilates, o que rendeu ao país 1,1 mil milhões de dólares (mil milhões de euros), mas refletindo uma quebra de receitas de quase 200 milhões de euros devido à quebra na cotação.

 

"Apesar de estamos em crise na comercialização, podemos dizer que temos estado a gerir esta crise com bastante mestria, em colaboração com todos os outros países. Pensamos que no decorrer deste ano podemos inverter a situação [quebra nos preços]", disse na altura o presidente do conselho de administração da Endiama, apontando a falta de publicidade dos diamantes a nível mundial como justificação para a "crise" atual.

 



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