Luanda - Cerca de 1,25 milhões de pessoas enfrentam atualmente o risco de insegurança alimentar em Angola, um aumento de 65,8% face ao ano passado, e deverão continuar a aumentar, revelam estimativas regionais.

Fonte: Lusa

Num documento sobre a seca induzida pelo fenómeno El Niño, que já deixou mais de 40 milhões de pessoas a precisar de ajuda alimentar na região, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) escreve que 11 dos seus 15 Estados-membros foram severamente afetados e traça o panorama em cada um deles.

 

No capítulo dedicado a Angola, os autores escrevem que as perdas nas colheitas deverão atingir os 75% em partes do sul do país.

 

O número de pessoas em risco de insegurança alimentar aumentou para 1,25 milhões durante a campanha agrícola 2015/16 e as províncias mais afetadas são o Cunene, a Huila, Benguela, o Kwanza Sul, o Namibe e o Cuando Cubango.

 

"Estima-se que os números continuem a aumentar à medida que avançamos em 2016", pode ler-se no documento, datado de maio.

 

O texto refere ainda os efeitos de um surto de febre aftosa, que estará a provocar mais mortes entre o gado.

 

Para responder à crise, o Governo criou uma Comissão Interministerial de Emergência para a Seca, liderada pelo Ministério do Planeamento, e as Nações Unidas estabeleceram uma Equipa de Emergência para coordenar a ajuda humanitária e complementar os esforços do executivo.

 

Apesar dos números da SADC, fontes das agências das Nações Unidas envolvidas na resposta à seca na África Austral disseram à Lusa que Angola não está entre os países mais afetados.

 

"Sim, há seca em Angola, mas quando listamos os países mais afetados, Angola não aparece no topo", disse o representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) em Moçambique, Abdoulaye Balde.

 


O responsável admitiu que "talvez Angola seja mais rica do que muitos países e tenha capacidade de enfrentar" o problema ou que "talvez estejam mais dependentes das exportações de 'commodities' [petróleo] do que da agricultura".

 

O representante da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Lisboa, Hélder Muteia, disse, por seu lado, que Angola está a responder à crise alimentar: "Angola não está entre os países mais críticos. Mostrou capacidade de resposta, está a trabalhar com as populações, com os organismos internacionais".

 

Acrescentou que em Angola as chuvas chegaram mais cedo, o que aumentou a capacidade de resposta.

 

Segundo a SADC, a campanha agrícola de outubro a dezembro de 2015 foi a mais seca dos últimos 35 anos, o que deixou a comunidade numa situação "devastadora (...) que está a afetar negativamente os meios de subsistência e a qualidade de vida na região.

 

Quatro países - Lesoto, Malaui, Suazilândia e Zimbabué - já declararam emergências nacionais devido à seca, a África do Sul declarou emergência em sete das suas nove províncias e Moçambique declarou um alerta vermelho de 90 dias em algumas zonas do sul e centro do país.

 

 

 

 



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