Luanda - O conhecido empresário Paulo Rogério Von Haff , que já andou na ribalta devido às acusações de permitir práticas raciais na sua discoteca, a famosíssima «Palos», terá sido julgado na quinta-feira, no Tribunal da Polícia, por alegada agressão a duas pessoas (uma senhora grávida e um agente da polícia) e ainda por danos materiais em propriedade alheia, soube o Semanário Angolense de fontes da sua família.

O julgamento estava inicialmente marcado para terça-feira, 7, mais fora adiado para dois dias depois, quinta-feira, 9, por razões processuais.

Segundo apurou este jornal, que fez questão de acompanhar a sessão de terça-feira que acabaria adiada, o dono da «Palos» estava detido desde domingo último, após um «kizango» com múltiplos contornos em que se envolveu na Ilha de Luanda na tarde do mesmo dia. Von Haff estava a passeio pela Ilha de Luanda, onde pretendia dar um mergulho, quando decidiu estacionar o carro na via pública, mas defronte a uma roullote. Acto contínuo, a proprietária da roullote lhe terá advertido que se deixasse a viatura aí furaria os pneus. Certo de que estava bem estacionado, ignorou a ameaça e foi à vida.

Porém, ao regressar do mergulho, encontrou realmente os pneus do seu carro furados. Insurgindo contra a senhora, balançou a roullote, diante da impavidez de dois agentes policiais que, a tomarem as suas bitolas, nada faziam para ajudarem a resolver a querela. Contam as nossas fontes que, passado isto, o dono da «Palos» terá pedido boleia a uma sua irmã para chegar até à casa. No entanto, à saída do local, foi interceptado por um patrulheiro da polícia, tendo o chefe dado-lhe ordem de prisão, ao que ele resistiu, argumentando que não se tratava de criminoso algum. «Furam-me os pneus do carro e eu ainda é que tenho de subir no carro da patrulha?», resmungou.

Instantes depois, essa troca de papéis pareceu solucionada, tendo sido aconselhado a ir à esquadra para apresentar uma queixa-crime. Acompanhado da irmã, assim fez. Porém, tal era apenas um ardil, já que acabou é por ser detido, sem qualquer informação do motivo.

Só depois de muita insistência é que a irmã foi informada que Von Haff estava detido por ter provocado danos materiais na roullote da senhora que lhe furara os pneus do carro. Duas horas mais tarde, após ter sido transferido para o comando da 1.ªDivisão, na rua Direita de Luanda, surgiu uma outra acusação: agressão física a uma mulher grávida (a dona da roullote).

Na segunda-feira, 6, depois de ser outra vez transferido, desta para a esquadra do Bairro Operário, a acusação foi outra vez modifi cada: não mais agressão à senhora grávida, mas sim a um agente da polícia de trânsito, o que deixou todos (ele e a família) estupefactos, já que era um caso de ordem pública.

«Há uma grande injustiça no meio de tudo isso, uma vez que quem vai apresentar a queixa é que fi ca na cadeia e quem fura de forma dolosa os pneus de viatura alheia fi ca livre», insurgiu-se um membro da família do dono da «Palos».

Por outro lado, a nossa fonte avançou que ainda na segunda-feira 6, a procuradora da esquadra do Bairro Operário, identifi cada por Glória, disse que não podia ouvir o réu por alegada inexistência do processo, falha que o seu advogado decidiu colmatar, predispondo-se a ir buscá-lo ao comando da 1.ª Divisão. A meio do caminho, foi informado que a procuradora se havia decidido em ouvir Von Haff mesmo sem o processo, pelo que o causídico devia regressar para acompanhar o interrogatório da magistrada.

Consta que a procuradora terá ordenado a sua soltura, mas o certo é que ninguém cumpriu a sua ordem, não se sabendo bem se foi apenas por…desobediência dos responsáveis da esquadra do BêO.

O dono da «Palos» seria então remetido a julgamento no meio destas trapalhadas todas, sendo a sessão de terça-feira adiada por… inexistência de processo. «É complicado, nê?», interrogou-se um membro da família de Von Haff .

*Rui Albino
Fonte: SA



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