Luanda - O académico e escritor angolano Domingos da Cruz condenado pelo Tribunal Provincial de Luanda, em Março último, no crime de actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores figura na lista divulgada pela “Scholars at Risk”, como sendo um dos académicos do mundo perseguidos e que corre riso de vida no seu país. Verifique:   Action Campaigns  

 

Fonte: Scholars at Risk & RD

A organização não governamental sedeada na Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos de América, classifica igualmente Angola entre os países do mundo onde não há liberdade científica e académica, ou seja há sérios riscos de pesquisa, pensar, questionar e compartilhar ideias, o que segundo Domingos da Cruz “inibe à muita gente que gostaria de fazer pesquisa em Angola”.


Numa lista divulgada muito recentemente pela “Scholars at Risk” em que constam dezenas de académicos um pouco por todo o mundo, a referida agremiação que protege estudiosos do mundo que sofrem perseguições e graves riscos de vida nos seus respectivos países, aparece o nome do activista docente universitário Domingos da Cruz, https://www.scholarsatrisk.org/additional-and-past-advocacy-actions/., autor do livro intitulado “Ferramentas para Destituir o Ditador e Evitar nova Ditadura-Filosofia Política da Libertação para Angola”, que terá estado na base da detenção, julgamento e condenação dos 17 activistas que desde o dia 29 de Junho, encontram-se a gozar uma nova medida de coação, a de liberdade condicional sob termo de identidade e residência.


Contacto pela Rádio Despertar sobre o assunto, o também Defensor dos Direitos Humanos pensa que não ficou surpreendido com facto de o seu nome figurar entre os académicos ao nível do mundo que correrem o risco de vida nos seus respectivos países. “Do meu ponto de vista não me surpreende absolutamente em nada o facto de ser colocado nesta lista, simplesmente ajuda as outras pessoas a perceberem do risco que afectivamente eu corro em Angola, pelo simples facto de pensar, divulgar as minhas ideias”, frisou Domingos da Cruz.


O escritor que também é autor das obras “Para onde vai Angola e Quando a Guerra é Necessária e Urgente”, lamenta o facto de o país voltar a figurar de forma negativa na lista de uma organização internacional. Para Domingos da Cruz, “isto coloca o país numa posição de retrocesso civilizacional de acordo com as exigências contemporâneas”. “Lamento o facto de ser filho deste país, e como sabe, a Scholars at Risk, não só coloca-me na posição dos académicos em risco, como também classifica Angola entre os países onde não há liberdade científica e académica”, lamentou. Confira o ranking-mapa: https://www.scholarsatrisk.org/


Apesar do risco que corre em Angola, isto segundo a organização “Scholars at Risk”, Domingos da Cruz, afirma estar tranquilo por entende que “não vive à margem da lei, por isso”, diz “continuará a dar o seu contributo à sociedade por meio da ciência”. “Não matei, não roubei, tão pouco estou envolvido em corrupção, nem violei ninguém pelo que, não me enquadro em qualquer tipo de crime”, admitiu o activista dos Direitos Humanos, para quem “estou perfeitamente tranquilo e não me sinto de modo nenhum intimidado, o que continuarei firme a fazer a investigação científica, divulgando as minhas ideias e procurar contribuir para o progresso, não só de Angola, como também da humanidade”.
O jovem pensa que, enquanto ser humano e cidadão indefeso, não deixa de sentir alguma preocupação pois segundo disse “a qualquer momento podem trinar-me a vida, tal como confirma a organização de que me encontro numa posição de risco”, disse, acrescentando que “esse risco é causado pelo governo angolano”.


Na lista tornada pública, a organização em referência manifesta a sua preocupação com a situação porque passa o estudioso Domingos da Cruz, bem como manifesta-se solidária com os demais activistas arrolados no conhecido caso “15+2”. Para a “Scholars at Risk”, as autoridades angolanas devem retirar as acusações contra Professor Domingos da Cruz que segundo aquela instituição, decorrem do seu exercício de liberdade académica, de expressão e de associação, porquanto entende que, “deve haver no país uma demonstração clara e pública de compromisso à liberdade académica, de opinião, de reunião e de expressão, como elementos essenciais de uma sociedade livre, estável e próspero”, lê-se no documento a que a Rádio Despertar teve acesso. Verifique:



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